Com o tempo como aliado, Marquinhos Santos emprega o seu estilo no Figueirense - Esportes - Santa

Nova temporada13/01/2017 | 06h31Atualizada em 13/01/2017 | 13h56

Com o tempo como aliado, Marquinhos Santos emprega o seu estilo no Figueirense

Em 2016, treinador chegou com o time brigando contra o rebaixamento

Com o tempo como aliado, Marquinhos Santos emprega o seu estilo no Figueirense Leo Munhoz/Agencia RBS
Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

O Figueirense foi rebaixado para a Série B, mas nada mudou na área técnica. Prometendo um estilo de muita cobrança, mas sem deixar de lado o vigor tático, Marquinhos Santos será o comandante do Alvinegro em 2017. 

Para ficar, diz ter entendido o momento do clube e aceitado uma redução do salário. O que o treinador também já deixou claro é o principal objetivo do ano: voltar à Primeira Divisão, se possível com o título nacional que ainda falta no memorial do estádio Orlando Scarpelli. 

Para ir em busca disso, contará com um elenco renovado, mas aposta naquilo que o lançou no cenário nacional: as categorias de base. O treinador conversou com a reportagem do Diário Catarinense depois de um treino no CFT do Cambirela e abriu o jogo sobre as suas preferências no mundo do futebol.

Mesmo com o rebaixamento, seu nome foi mantido. Vê como um sinal de confiança no seu trabalho?

Entendo como uma mudança de panorama. Não só pela confiança no trabalho, independente de os resultados não terem acontecido, mas como um todo no futebol brasileiro. Temos visto que os resultados mais eficazes dentro do cenário nacional ocorrem quando há uma continuidade de trabalho. Acredito que o presidente Wilfredo e a diretoria conseguiram enxergar um trabalho, de dia a dia e de vestiário, apesar de os resultados não terem sido os esperados para a permanência do Figueirense.

O Figueirense disputa quatro competições esse ano. Qual o principal objetivo?

Sem dúvida nenhuma, o grande objetivo é retornar à Série A. Estar ao final da temporada entre os quatro primeiros colocados da Série B. Porém, dentro dos mesociclos, as outras competições vão nos credenciar a chegarmos fortes para a disputa do acesso e — por que não dizer? — a busca pelo título. Temos que mirar isso. O Figueirense é um clube quase centenário e necessita de um título nacional. Vamos sonhar alto e buscar coisas maiores. Nessas outras competições, entramos para ajustar o trabalho e a equipe , mas pensando também em decidir títulos e brigar em igualdade com os demais times, principalmente no Estadual, onde o Figueirense é o maior detentor de taças.

O elenco mudou muito em relação a 2016. Isso é bom ou ruim?

Tem os dois lados. Como eu falei, a continuidade do trabalho sempre é sinônimo para se alcançar sucesso. Desde que eu assumi, nós sabíamos que havia muitos jogadores emprestados, em final de contrato. Isso é um ciclo que termina. Você tem que buscar qualificar o elenco e infelizmente, com o rebaixamento, o Figueirense reduziu o orçamento drasticamente. Agora é procurar fazer mais com menos. Mas isso também abre espaço para jogadores da base, e o Figueirense já revelou grandes atletas para o cenário nacional, internacional e também Seleção Brasileira. No último ano, acredito que a base tenha sido pouco aproveitada. Assim que cheguei, diagnostiquei alguns jogadores que poderiam ser úteis, mas, em função do momento, não era interessante lançá-los para não queimá-los. Gradativamente eu fui colocando, mesmo com o mau momento da equipe. Agora, abres-se um espaço definitivo para que eles sejam utilizados.

O Figueirense se antecipou ao mercado e fez várias contratações já no começo do ano. Como você analisa a montagem do elenco até aqui?

Eu não acompanhei a montagem do elenco no ano passado. Quando cheguei, não tive a oportunidade de indicar ninguém, até porque já havia se encerrado o período de inscrições para o Brasileiro. Nesse ano, nós conversamos com o presidente, o Léo Franco e o Branco para que pudesse se montar um elenco competitivo, comprometido e que buscasse qualidade. Sabemos que indo ao mercado de maneira antecipada poderíamos conseguir jogadores de status melhores. Foi isso que foi feito. Passamos alguns nomes e tivemos interferência direta em algumas contratações, ligando e convencendo a vir trabalhar nesse projeto do Figueirense, mesmo de Série B. E no fim esses atletas, mesmo com outros convites, aceitaram e confiaram.

Você começou como treinador de base. Como isso te ajudar a trabalhar hoje com os profissionais?

A ascensão foi muito rápida. Ela aconteceu no Coritiba, mas antes eu passei seis anos no Atlético Paranaense, que tem uma das melhores estruturas do Brasil. Depois servi as seleções brasileiras de base sub-15 e sub-17. Isso fortalece e ajuda. Nos clubes que eu passei recentemente nós não conseguimos apenas títulos, mas também revelamos jogadores. Aqui no Figueirense também há uma gama de jogadores que podem ocupar espaço e gradativamente serão lançados na equipe principal para quem sabe atingir o nível de outros que também saíram aqui da base do Figueirense.

Quem é o Marquinhos e qual o seu estilo de trabalho?

Eu sou um treinador que exige muito. Primo pela disciplina, pelos treinamentos intensos. Os meus eu gosto que joguem, mas isso exige um tempo de trabalho. E esse período de pré-temporada ajuda nisso. Ano passado eu cheguei no olho do furacão e não deu tempo. Era jogo atrás de jogo e já havia uma proposta de jogo muito firmada, talvez não encaixada, mas firmada pelos treinadores anteriores. E isso atrapalhou o próprio Figueirense. Foram quatro treinadores antes da minha chegada, todos com filosofias diferentes. Agora não. Com um mês de trabalho, você consegue implementar o seu modelo de jogo e isso ajuda muito. Dentro do campo eu sou um treinador enérgico e de vestiário forte. Motivador, mas também tático. Fora dele eu sou um cara que cobra, mas de maneira tranquila e serena. Gosto de ficar com minha esposa e filhas, mas sem perder contato com o Figueirense. São 24 horas por dia pensando, observando e estudando o futebol.

Quem serve de inspiração para fazer seus times jogarem?

No começo da minha carreira de profissional o Ney Franco foi um treinador que eu observei muito o modelo de jogo. Claro que você vai evoluindo e a oportunidade que a seleção brasileira me deu de acompanhar trabalhos fora do país foi muito importante. O Tito (Vilanova, ex-técnico do Barcelona, já falecido), eu tive um contato quando ele treinava o time B. Pude observar bem a filosofia dele, que segue a do próprio clube. Tem também o Mourinho, com a sua inteligência tática e equilíbrio. Eu até tinha assumido um compromisso de acompanhar o trabalho dele por dez dias no fim da temporada possível, mas não foi possível, até em função que ocorreu com a Chapecoense. O Tite também inspira. Pude acompanhar um pouco do seu trabalho no Corinthians, depois que saí do Coritiba. Todos eles são treinadores que contribuíram e ainda contribuem para o meu modelo de jogo a minha forma de trabalhar.

O que a torcida pode esperar do seu time em 2017?

Um time comprometido e organizado taticamente. A torcida vai saber identificar o modelo de jogo e saber como a equipe se porta. Claro que é preciso um pouco de paciência. É uma equipe nova, ainda em formação, e esse começo é importante para o entrosamento. Mas não tenho dúvida de que nós teremos sucesso em 2017. A torcida do Figueirense é muito presente. Fica bonito ver o Orlando Scarpelli lotado e a energia que o torcedor passa para os jogadores é muito forte. Com essa sinergia, empolga ainda mais os jogadores a irem atrás dos jogadores para essa torcida, que é maravilhosa.

Falta um título nacional para que o Figueirense dê um salto no cenário nacional?

Sem dúvida. Um título nacional é importante, mesmo não sendo da principal divisão ou até da Copa do Brasil, que ficou muito próxima em 2007. Se o Figueirense tivesse conseguido naquela oportunidade, talvez hoje estive um patamar à frente. Se alcançar isso, o Figueirense se torna muito mais forte, com um marca forte reconhecida até mesmo internacionalmente. A gente internacionalizar a marca com essa conquista nacional. 

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