Chapecoense vence Atlético Nacional por 2 a 1 no jogo de ida da Recopa Sul-Americana - Esportes - Santa

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Homenagens, emoção e futebol04/04/2017 | 21h18Atualizada em 04/04/2017 | 21h26

Chapecoense vence Atlético Nacional por 2 a 1 no jogo de ida da Recopa Sul-Americana

Partida marcou o reencontro entre as equipes quatro meses após a tragédia aérea que matou 71 pessoas da delegação do Verdão do Oeste

Chapecoense vence Atlético Nacional por 2 a 1 no jogo de ida da Recopa Sul-Americana Cristiano Estrela/Agencia RBS
Reinaldo marcou, de pênalti, o primeiro gol da Chape no jogo desta terça-feira Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS
darci debona

Se antes da partida entre Chapecoense e Atlético Nacional o músico Duca Leindecker cantou no gramado da Arena Condá que era um "Dia Especial", o Verdão do Oeste tratou de tornar a terça-feira ainda mais especial com uma vitória por 2 a 1 diante do atual campeão da Libertadores. Resultado que dá vantagem ao time catarinense de jogar pelo empate no jogo de volta da Recopa Sul-Americana, no dia 10 de maio, em Medellín.

Antes da partida, o roupeiro Jorge Andrade, um dos funcionários mais antigos do clube, disse que a Chapecoense tinha que honrar aqueles que morreram no acidente com o avião da LaMia na Colômbia, pois era graças a eles que a Chape estava disputando a Recopa. Também era graças ao gesto do Atlético Nacional, que abriu mão de disputar o título da Sul-Americana.

Os dois times entraram em campo juntos nesta terça, misturados, e começaram o jogo acanhados. Como num jogo de amigos em que ninguém quer ser deselegante. A Chapecoense sentia a responsabilidade de representar um time que estava no seu auge quando sofreu o acidente em 29 de novembro na Colômbia. O Atlético Nacional jogava contra um time que era para ter enfrentado em novembro, mas que ao mesmo tempo não era o mesmo. Os dois times alviverdes que se irmanaram na tragédia, estavam finalmente frente a frente.

O jogo era tão importante que o técnico da Chapecoense, Vagner Mancini, usou até terno. O treinador nem quis que os jogadores assistissem às homenagens para não se desconcentrarem do jogo. Aos poucos a partida foi tomando cara de decisão. A emoção das homenagens foi dando lugar à emoção do jogo. O branco das arquibancadas foi dando espaço para o verde que corre nas veias dos torcedores da Chapecoense.

O primeiro lance de perigo foi com o lateral Reinaldo, que arriscou de fora da área e obrigou o goleiro Armani a se espichar e espalmar a bola. E o "vamos, vamos Chape" saiu da garganta. Afinal, a Chapecoense continua muito viva graças à sua torcida. E a Arena Condá, onde a Chapecoense só perdeu um jogo para times estrangeiros, mais uma vez fez a diferença.

A energia da arquibancada contagiou os jogadores. Aos 21 minutos uma jogada da Chapecoense levantou os torcedores da arquibancada. Arthur fez boa jogada pela esquerda e tocou para João Pedro, que tirou o zagueiro. No chute, a bola bateu na mão de Bocanegra. Pênalti que Reinaldo cobrou e marcou. Assim como havia marcado o primeiro gol do Verdão na Libertadores, o lateral marcou o primeiro da história do clube na Recopa. Foi o auge da emoção.

A tristeza de quatro meses atrás dava lugar à alegria. Alegria que aquele mesmo time do ano passado tantas vezes havia trazido para a Arena Condá. O gol era uma homenagem para aqueles jogadores.

No segundo tempo, o zagueiro Grolli, lesionado, deu lugar a Luis Otávio. Mas o migueloestino fez questão de ir para o banco apoiar o time do lado de fora. E o time da casa precisou mesmo de apoio, pois o campeão da Libertadores veio para cima na etapa final.

Mas, do banco, Grolli nada pode fazer quando Macnelly Torres, jogador da seleção colombiana, driblou um defensor e, de fora da área, mandou no ângulo do goleiro Artur. O gol foi tão bonito que até a torcida da Chapecoense aplaudiu.

O Atlético Nacional dominava até o minuto 26 do segundo tempo, quando no minuto 71 de jogo, a torcida cantou o "vamos, vamos, Chape", em homenagem às 71 vítimas do acidente aéreo. Coincidência ou não, parece que a Chapecoense recebeu uma dose de energia extra. E dois minutos depois, em cobrança de escanteio de Reinaldo, Luiz Otávio fez 2 a 1. A torcida comemorou com uma ola.

Reinaldo ainda quase fez o terceiro em cobrança de falta, que Armani defendeu. O time da Chapecoense atendeu o pedido do seu Jorge. É, realmente o dia 4 de abril de 2017 ficará sempre marcado na história da Chapecoense como um Dia Especial.

Ficha técnica

Chapecoense 2
Artur; Apodi, Grolli (Luiz Otávio), Nathan e Reinaldo; Luiz Antônio (Moisés Ribeiro), Andrei Girotto e João Pedro; Rossi, Túlio de Melo (Wellington Paulista) e Arthur. Técnico: Vagner Mancini.

Atlético Nacional (COL) 1
Armani; Bocanegra, Aguilar, Alexis Henriquez e Farid Diaz; Bernal (Mosquera), Arias, Macnelly Torres, Moreno (Ramírez) e Ibargüen (Rodriguez); Ruiz. Técnico: Reinaldo Rueda.

Gols: Reinaldo (C), aos 25 minutos do primeiro tempo. Macnelly Torres (AN), aos 13 e Luiz Otávio (C), aos 26 do segundo tempo.
Arbitragem: Mario Díaz de Vivar, auxiliado por Milciades Saldivar e Roberto Cañete (todos do Paaguai)
Cartões amarelos: Apodi (C); Bocanegra, Arias e Alexis Henriquez (AN)
Público: 19.005
Renda: R$ 547.330

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

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