Gramado, o novo desafio dos organizadores do Mundial-2018 - Esportes - Santa

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Moscou12/06/2017 | 14h58

Gramado, o novo desafio dos organizadores do Mundial-2018

O estádio de São Petersburgo deveria ser a vitrine da Copa das Confederações e do próximo Mundial-2018, mas o novo palco ficou marcado por faraônicos custos de construção e pelo mau estado do gramado, que gera mais motivos de preocupação do que de orgulho.

As autoridades tiveram que trocar o gramado a menos de um mês do jogo de abertura da Copa das Confederações, que começa no próximo sábado (17), já que o primeiro que tinha sido instalado se degradou rápido demais.

A construção da Zenit Arena, iniciada em 2007, protagonizou vários problemas e o projeto teve que ser alterado algumas vezes. A capacidade do estádio é de 68 mil pessoas, mas o valor de custo ultrapassou os 670 milhões de euros.

Em agosto de 2016, a empresa responsável pelos trabalhos abandonou a obra e foi substituída por outra, que prometeu entregar o estádio antes do fim do ano.

Foi o último dos episódios de uma extensa saga de valores desproporcionais, prazos não cumpridos e escândalos de corrupção que rodeiam a organização da Copa do Mundo de 2018.

"Deveríamos receber um estádio de conto do fadas, o melhor do mundo, em um Estado ideal", resume o opositor Alexeï Navalny, em vídeo que relata sua investigação sobre a construção do estádio.

"Roubaram dinheiro", denuncia o vídeo publicado na internet, aproximando o montante desviado pelos responsáveis russos na casa dos 500 milhões de euros.

Em 2016, o antigo vice-governador de São Petersburgo, Marat Oganessian, encarregado de fornecer o placar do estádio, foi detido com suspeitas de desviar mais de 800 mil euros.

Para a Rússia, a Copa das Confederações é uma espécie de ensaio geral para o que vai ser a Copa do Mundo dentro de um ano. Sobretudo para avaliar as infraestruturas esportivas para a competição do ano que vem.

No entanto, os desafios continuam sendo muitos, entre eles o estado lamentável dos campos de vários estádios, a começar por São Petersburgo, onde uma parte do campo está sem grama.

- Problemas de estabilidade -

Além dos problemas relacionados ao gramado, também foi detectada uma falta de estabilidade do terreno retrátil, colocando em dúvida se o estádio pode ainda sediar jogos das Confederações.

Depois de dois jogos disputados pelo Zenit, as autoridades preferiram realizar as partidas em outro local, para "conservar o gramado".

O engenheiro chefe da Zenit Arena, Konstantin Kremlinski, acusou a empresa encarregada do campo de preparar mal o gramado e que a grama instalada pela sociedade Bamard sofria em fungos e mofo, em entrevista ao jornal RBK.

Por outro lado, um representante da Bamard afirmou à AFP que a empresa cumpriu sua parte do contrato e lembrou que a Fifa aprovou o estado do gramado quando o estádio foi apresentado.

Os problemas chegaram mais tarde, precisou o representante, "talvez quando as condições da primavera não permitiram manter a qualidade do gramado normalmente".

De fato, a primavera de 2017 na Rússia foi particularmente fria e longa.

- Clima inóspito -

Mas o estádio de São Petersburgo não é o único a ser alvo de duras críticas.

Em março, o português José Mourinho, criticou o estado do campo de Rostov, antes da partida pela Liga Europa.

"Acho difícil acreditar que vamos jogar nesse campo, se é que podemos chamar isso de campo", criticou duramente o treinador do Manchester United.

Em resposta, a liga russa fechou o estádio durante duas semanas, para dar tempo de que o gramado melhorasse.

Para Boulat Litvinov, diretor comercial da Kazan Arena, outro estádio sede das competições, o clima inóspito do país e o calendário do campeonato russo são as origens dos problemas

"Vamos ser claros: o clima na Rússia não favorece o cultivo de um gramado natural", declarou Litvinov à AFP.

"E o calendário da liga russa também não é o mais prático, porque alguns jogos são programados para início de dezembro, com temperaturas abaixo de zero e neve", acrescentou.

O estádio de São Petersburgo também foi centro de uma recente polêmica, que indicou que algumas construções tiveram operários ilegais vindos da Coreia do Norte, o que foi admitido pela Fifa.

Questionado pela AFP, o diretor geral do Comitê Organizador do Mundial, Alexei Sorokin, minimizou o problema, garantindo que as condições de trabalho destes imigrantes "não eram muito diferentes da de outros trabalhadores".

gtf/del/vvl/all/mcd/iga/fa

* AFP

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