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Toque de Letra 10/09/2017 | 16h41Atualizada em 10/09/2017 | 16h54

Elton Carvalho: Joinville precisa buscar pessoas que se dediquem ao futebol

Enquanto o clube repetir a fórmula dos últimos anos, o saldo sempre será de resultados negativos e prejuízos financeiros ao clube. Produto principal precisa de estudo, fiscalização e paciência

Elton Carvalho: Joinville precisa buscar pessoas que se dediquem ao futebol Maykon Lammerhirt/A Notícia
Foto: Maykon Lammerhirt / A Notícia

O torcedor do Joinville parece destinado a sofrer. Nos últimos dez anos, passou duas temporadas sem série; conseguiu o acesso para a Série C apenas graças a uma irregularidade do jogador do América-AM; comemorou os títulos nacionais de 2011 e 2014, mas tão rápido quanto subiu, despencou e agora volta a viver o drama que o assombrou entre 2004 e 2011. 

Mas o pior para o torcedor do JEC é quando a equipe depende dos outros. As chances normalmente são pequenas, mas o Tricolor sempre dá a esperança de que conseguirá o impossível. Doce ilusão. Em todas as cinco ocasiões nas quais o clube dependeu de outros, caiu deixando os jequeanos ainda mais tristes.

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Basta olhar para o passado. Em 2001, o Joinville chegou à última rodada da primeira fase da Série B precisando vencer o Caxias-RS, no Estádio Ernestão, com dois gols a mais em relação ao que o União São João fizesse diante da Desportiva-ES, no Espírito Santo. Empate ou derrota dos paulistas facilitaria a missão. Vitória do União por um gol de diferença obrigava o JEC a vencer por três gols de diferença. 

O problema é que o União São João bateu a Desportiva-ES por 3 a 0, o que colocou a necessidade de o JEC ganhar por 5 a 0 do Caxias-RS. O Tricolor fez apenas 3 a 0 e foi eliminado.

Em 2007, mesmo problema. Na última rodada da segunda fase da Série C, o JEC precisava vencer o Águia Negra-MS e torcer por uma derrota do Villa Nova diante da Ulbra. O Tricolor fez a sua parte, mas o empate entre mineiros e gaúchos eliminou o time.

Em 2009, na última rodada do quadrangular final do Catarinense, o Joinville conquistaria a vaga na final do Estadual e no Brasileiro da Série D se vencesse o Criciúma, fora de casa, e a Chapecoense tropeçasse diante do Avaí, na Capital. Novamente o JEC fez a sua parte, mas o Verdão do Oeste bateu o Leão, na Ressacada, ficando com as duas vagas e deixando o Tricolor sem calendário.

No ano passado, o JEC não cairia se ganhasse do Vila Nova-GO e o Oeste tropeçasse frente ao Náutico, em Recife. O JEC ganhou, mas o Oeste também somou três pontos e o Tricolor caiu. 

Neste sábado, mais um capítulo desta trajetória de insucessos. O Tricolor dependia de empate de Botafogo-SP e Ypiranga e derrota do Tombense contra o Macaé. Com esta combinação, bastava vencer o Mogi Mirim por três gols de diferença. Não deu. Na verdade, o JEC ficou mais próximo de conseguir algo ainda mais improvável: tirar nove gols de diferença em relação ao Volta Redonda. Até a vitória do Botafogo-SP sobre o Ypiranga ficou pequena diante dos 8 a 1 sobre o Mogi Mirim.

Ou seja, o torcedor do JEC até chegou a acreditar que daria, mas, outra vez, voltou frustrado para casa. Contar essas histórias e recuperar os insucessos é uma maneira de dizer que, há anos, o Joinville tem feito futebol de maneira errada. A coluna já apontou todos os erros cometidos pela direção do clube nos textos Chegou a hora de parar de tapar o sol com a peneira no JEC, O acaso acontece, mas, no JEC, os erros são previsíveis e Um terço dos contratados do JEC atuou uma ou menos de uma vez na temporada.

Todos estes erros eram repetidos no passado. O problema é que, em Joinville, há poucas pessoas que realmente conheçam e entendam profundamente o futebol. Em razão disso, "terceiriza-se" o departamento na mãos de gerentes, contratados para fazer esta função e que têm total confiança destas pessoas, não habituadas com o esporte.

Quando não há gerente, o futebol é feito como era na década de 80, algo completamente ultrapassado para os dias atuais. O JEC teve algum sucesso quando Nereu Martinelli passou a dedicar integralmente a fiscalizar as ações do departamento, entre 2011 e 2014. Mas isso só aconteceu após o próprio Nereu ter aprendido com uma série de erros dele mesmo, entre 2005 e 2006 e 2008 a 2010, quando ele já havia sido diretor de futebol do Joinville. 

Talvez o maior desafio da cidade e do conselho do clube seja encontrar uma pessoa capaz de fiscalizar (com conhecimento) e trabalhar em parceria com o gerente de futebol. De repente, o momento exija até a criação de uma comissão de futebol, que será responsável por diminuir o índice de erro nas contratações e assim, como consequência, enxugar os gastos do departamento, que impactam diretamente nas finanças do clube.

Este é o único caminho para a retomada das glórias do Joinville. Só assim, irão acabar as histórias de insucessos e tristezas, que não estão ligadas à "falta de sorte". Tudo sempre aconteceu em razão das mesmas circunstâncias. Enquanto o JEC continuar a fazer futebol da mesma maneira (contratando 99 jogadores em três anos), os resultados sempre serão os mesmos.

O caminho para a mudança é enxergar que é preciso dedicação integral, estudo, paciência (para as críticas) e crença. Quem não está disposto a suportar toda a pressão e dedicação que o futebol exige, não deve se aventurar. Esta é a maior lição que quem gosta do JEC precisa aprender.





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