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Lausana18/10/2017 | 12h32

Ausência de candidaturas agrava crise das Olimpíadas de inverno

AFP
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Oslo, Munique e Innsbruck desistiram pelo orçamento: o COI, que só contava com dois candidatos para os Jogos Olímpicos de 2022 e 2024, agora enfrenta outra crise para as candidaturas dos Jogos de Inverno de 2026 a dois anos da atribuição da sede.

Em 2019, o Comitê Olímpico Internacional vai decidir quem organizará as Olimpíadas de Inverno de 2026. No entanto, ainda não se sabe quantos candidatos estarão na disputa para sediar o evento.

Em julho de 2015, apenas duas cidades disputaram a sede da edição de 2022. Pequim superou Almaty e vai organizar a Olimpíada de Inverno 14 anos depois de organizar a competição de verão, em 2008.

Quatro anos antes, Pyeongchang conquistou o direito de sediar os Jogos de 2018 ao superar concorrência de Munique e Annecy.

No entanto, várias cidades candidatas às Olimpíadas de verão de 2024 renunciaram ao desejo de organizar o evento, entre elas Hamburgo, Boston, Roma e Budapeste. No final do processo, Paris vai sediar a competição e Los Angeles a edição seguinte em 2028. Foi a primeira dupla atribuição da história.

A corrida para a Olimpíada de Inverno de 2026 também fez uma vítima. No domingo, os habitantes da região austríaca de Tirol recusaram a candidatura da cidade de Innsbruck, com mais de 53% dos votos de referendo.

Para Jon Tibbs, dirigente da agência britânica JTA e conselheiro de comunicação da candidatura de Los Angeles, a retirada de Innsbruck representa "um revés, mas não um desastre" para o COI.

- 'Explicar o projeto' -

"Foi um erro organizar o referendo tão cedo. A consulta popular criou mais dúvidas do que gerou respostas", explicou Tibbs. Para ele, "os organizadores de Innsbruck deveriam explicar o projeto antes".

O COI, afetado de forma indireta por vários escândalos de corrupção, indicou na segunda-feira que "compartilha da decepção do Comitê Olímpico Austríaco", acrescentando que "vai continuar os debates com os comitês nacionais olímpicos das cidades interessadas da Europa, Asia e Europa".

Enquanto a fase de convites está aberta, o COI já se encontrou com representantes de Sion (Suíça), Calgary (Canadá) e Estocolmo (Suécia).

Nesta quarta-feira, o governo suíço anunciou apoio à candidatura de Sion e prometeu investir aproximadamente 1 bilhão de francos suíços em caso de vitória da candidatura.

"Para o Conselho Federal, estes jogos deveriam ter repercussão positiva na coesão nacional e no desenvolvimento econômico do país, especialmente nas regiões de montanha", indicou o departamento federal de Esportes em comunicado.

Estas cidades devem ganhar a companhia de uma candidatura dos Estados Unidos, depois do Comitê Olímpico do país confirmar interesse nos Jogos de Inverno. No entanto, os americanos ainda não sabem se querem a edição de 2026 ou de 2030.

Denver, Reno-Tahoe e Salt Lake City, anfitriã da edição de 2002, mostraram disponibilidade para sediar o evento.

Na Ásia, a estação japonesa de Sapporo recebeu os jogos em 1972 e pode entrar na disputa por 2026. Almaty, superada em 2022, também pensa em voltar ao páreo.

A cidade de Sion já viveu grandes fracassos e conta com ameaça de recusa da população. O último deles foi a atribuição dos Jogos de Inverno de 2006 para Turim. Para 2026, o projeto aprovado pelo governo federal deve ser submetido a referendo.

- Sion confiante -

O antigo vice-presidente da Federação Suíça de Esqui se demonstrou "convencido de que no momento em que os custos sejam conhecidos, a população vai dar conta de que Sion "propõe um avanço realmente novo, realista e transparente, que vai permitir toda região se beneficiar de uma herança positiva dos Jogos", expôs Jean-Philippe Rochat, presidente do comitê Sion-2026.

Diante dos gastos desenfreados nos Jogos Olímpicos de Sochi e da possibilidade de ultrapassar os orçamentos iniciais, o COI quer tocar o projeto da Agenda-2020. O objetivo é reduzir os custos de candidatura e organização.

"O discurso sobre as reformas da Agenda-2020 é bom", avaliou Jon Tibbs. "Mas o COI deveria fazer mais e explicar o conteúdo onde os referendos tenham espaço", acrescentou.

Apesar disso, o britânico se mostra otimista: "é só olhar o sucesso da preparação dos Jogos da Juventude 2020, em Lausana. Existe ainda um apetite dos países alpinos da Europa ocidental pelos projetos olímpicos".

Se sobrarem apenas duas cidades candidatas para 2026, o COI pode avaliar uma dupla atribuição também para a edição de 2030, assim como nas Olimpíadas de verão de 2024 e 2028, compartilhadas entre Paris e Los Angeles, respectivamente.

* AFP

 
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