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Jogos em São Paulo25/11/2017 | 08h00Atualizada em 25/11/2017 | 08h00

"SC é um dos Estados com o melhor trabalho de inclusão", diz presidente do comitê paralímpico

Mizael Conrado elogiou o trabalho pioneiro desenvolvido em Santa Catarina

"SC é um dos Estados com o melhor trabalho de inclusão", diz presidente do comitê paralímpico CPB/Divulgação
Mizael Conrado comemora o fato de todos os Estados estarem representados nas Paralimpíadas Escolares Foto: CPB / Divulgação

Presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) desde março, o ex-jogador do futebol de 5 (para cegos) e bicampeão paralímpico Mizael Conrado viveu com intensidade os primeiros meses no cargo. Nesse período, a sede do CPB mudou de Brasília para São Paulo, o comitê assinou um termo de cooperação para gerir o CT Paralímpico e agora, em novembro, esteve à frente das Paralimpíadas Escolares. Para coroar o sucesso da organização, pela primeira vez na história estiveram reunidos representantes de todo o país.

Em entrevista ao DC, Mizael fala do desempenho cada vez melhor de Santa Catarina nas Paralimpíadas, das expectativas para Tóquio 2020 e dos desafios do paradesporto no Brasil.

Antigamente, as pessoas olhavam o esporte paralímpico apenas como inclusão, mas não o desempenho ou a qualidade técnica. Isso já mudou?

Acredito que mudou bastante. Claro que tem muito a avançar, mas a demonstração de que mudou esse cenário foram as Paralimpíadas no Rio em 2016. Tivemos 2 milhões de pessoas comprando ingresso para assistir aos jogos, 13 milhões vendo pela televisão. Ficou muito claro que as pessoas chegavam ali curiosas do que iam encontrar, mas imediatamente, iniciando a competição, mudavam o foco. Saía o foco da deficiência e entrava o da habilidade, o da competência, da vitória dos nossos atletas.

SC já foi campeã uma vez das Paralimpíadas Escolares. Como o comitê acompanha esse desempenho?

Não é nenhuma surpresa para nós. Santa Catarina é um dos Estados com o melhor trabalho de inclusão, sobretudo com as crianças na atividade física. Foi o Estado que primeiro criou uma competição estadual, os Parajasc, que é muito importante. Os Parajaps, no Paraná, certamente foram estimulados pelos Parajasc. Temos grandes trabalhos paradesportivos em todo o Estado de SC.

Pela primeira vez, todos os Estados estão nas Paralimpíadas Escolares. 

Fiquei muito feliz em poder anunciar na abertura todas as unidades da federação. A gente percebe que cada vez mais os Estados crescem em oportunidade e em qualidade. Temos o objetivo de atingir todos os locais do Brasil onde a pessoa com deficiência tem acesso. Temos atuado em parceria com municípios para capacitação de professores de educação física na rede pública. Nossa meta é, nos próximos oito anos, qualificar 50% dos professores de educação física de todo o país. 

Quais são as expectativas para os próximos anos?

Muito positivas. Estamos na fase de conclusão do planejamento estratégico, então conseguimos efetivamente realizar um plano de todo o programa paralímpico para os próximos anos. O Brasil chegou em uma posição que é realmente bastante difícil de se manter, estamos entre as oito potências mundiais no paradesporto. 

Quanto custa organizar uma competição como as Escolares?

É um evento de grande magnitude, desde hotelaria até alimentação para cerca de 2 mil pessoas. O custo é aproximadamente de R$ 4 milhões.

Após a Rio 2016, muitas confederações tiveram cortes de verbas. O CPB conseguiu se manter imune a isso?

Tivemos algumas perdas pela condição econômica do Brasil. Durante os dois últimos ciclos, imaginamos que a realidade seria essa. De fato, após um grande evento como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, teríamos algum prejuízo no tocante financeiro, mas conseguimos nos planejar para que as ações continuassem e o CT também potencializa muito isso. Temos aqui estrutura com hotel para 300 pessoas, espaços adequados para 17 modalidades, então isso contribuiu muito para esse planejamento e desenvolvimento do esporte.

* O repórter viajou a convite  do CPB.

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