Quando o hóquei se torna símbolo de concórdia entre as duas Coreias - Esportes - Santa

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Pyeongchang10/02/2018 | 13h29

Quando o hóquei se torna símbolo de concórdia entre as duas Coreias

AFP
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Lee Tae Hwan é otimista. "Em 10 anos, as duas Coreias estarão unidas", afirma, na fila de entrada do estádio de hóquei sobre o gelo dos Jogos de Pyeongchang, onde a equipe unificada enfrentará a Suíça.

Ironicamente, o hóquei sobre o gelo, um dos esportes considerados mais violentos, tornou-se nestes Jogos o maior elemento de concórdia para as duas Coreias.

"É um evento histórico. As duas Coreias devem ficar juntas. A Coreia é uma só. É uma nação antiga. Este momento é importante para nossa história futura", comenta este funcionário da Prefeitura de Seul.

A presença do presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e de Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano, Kim Jong Un, que assistiram juntos à partida na tribuna do estádio, para animar e apoiar a equipe unificada, parecia confirmar as palavras do funcionário de Seul.

A irmã do líder norte-coreano aplaudiu jogadas da equipe unificada e, com seus gestos, mostrava grande interesse pelo encontro.

Ao final, os três dirigentes foram até a pista para parabenizar e saudar as jogadoras.

A opinião de Lee Tae Hwan era apoiada pela maioria das pessoas nas imediações do Kwandong Hockey Centre.

Choi Sung Woong, auxiliar de escritório e com seu filho de sete anos ao lado, compartilhava o entusiasmo de Lee Tae Hwan.

"Esta partida é algo fantástico. Somos uma raça. Este momento é o início de algo importante. Espero", assinala.

Chong Choi, 40 anos, também se mostra esperançoso de que esta equipe feminina unificada de hóquei seja um momento importante.

"É uma boa oportunidade para conversarmos, nos compreendermos e nos comunicarmos", declara.

"Mas não sei se uma unificação pode acontecer logo", indica, com pessimismo. "Devemos estar juntos, isso está claro, mas o governo da Coreia do Norte muda muito o seu comportamento", explica.

- Animadoras norte-coreanas -

O ponto de vista de Lisa Joung e Chelsea Byun, duas jovens de 20 anos, é diametralmente oposto.

Não seguram bandeiras da unificação, como a maioria dos presentes na partida.

"Não acreditamos que as duas Coreias vão se unir um dia, e não queremos que isso aconteça", afirma Lisa, enquanto Chelsea concorda.

"A maioria dos jovens que vocês perguntarem responderá o mesmo", continua Chelsea.

Lisa e Chelsea compraram os ingressos para a partida antes de saberem que seria uma equipe unificada.

"A Coreia do Sul está progredindo economicamente e a unificação frearia esse progresso. Seria muito difícil mudar tantas coisas na Coreia do Norte", explica Chelsea.

A equipe feminina unificada de hóquei sobre o gelo é uma das decisões simbólicas dos dois países vizinhos nestes Jogos Olímpicos, junto ao fato de desfilarem juntas na cerimônia de abertura.

A última vez que as duas Coreias competiram como uma só equipe foi em 1991, no Mundial de Tênis de Mesa disputado em Chiba (Japão).

As 80 animadoras norte-coreanas enviadas pelo governo de Pyongyang aos Jogos, vestidas de vermelho e localizadas em sua maioria atrás dos bancos de reserva, balançavam as bandeirinhas da equipe unificada gritando "Vamos!".

As arquibancadas não estavas cheias e eram vistos muitos espaços vazios no estádio, com capacidade para 6.000 pessoas.

Ao final, a Coreia do Sul perdeu para a Suíça por 8 a 0, mas o resultado era o de menos.

* AFP

 

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