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São Petersburgo08/07/2018 | 13h47

Geração dourada do futebol belga é tudo, menos fruto do acaso

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A Bélgica, que na terça-feira jogará a semifinal da Copa do Mundo contra a França, conta com uma equipe cheia de estrelas, uma "geração dourada" de jogadores que não surgiu do nada, mas foi fruto do trabalho da Federação Belga há mais de uma década.

Com a lembrança da semifinal da Copa de 1986 perdida para a Argentina de Diego Maradona, o melhor resultado alcançado até agora pelos "Diabos Vermelhos", o futebol belga foi decaindo, tanto a nível de clubes como de uma seleção nacional que entre 2002 e 2014 esteve ausente de duas Copas (Alemanha-2006 e África do Sul-2010) e de três Eurocopas (2004, 2008 e 2012).

Os "Diabos Vermelhos" chegaram ao fundo do poço, caindo para a 71ª posição do ranking Fifa em junho de 2007, a mais baixa já ocupada pelos belgas desde a criação desta classificação, em 1993. Mas alguns anos antes, no início do novo milênio, já haviam começado a preparar a base dos sucessos que chegariam mais de uma década depois.

Porque se a Bélgica conta agora com alguns dos melhores jogadores do mundo em suas posições, como os volantes Eden Hazard e Kevin De Bruyne, o atacante Romelu Lukaku e o goleiro Thibaut Courtois, é pelo trabalho de melhoria das instalações e da formação dos jovens talentos que começou há quase 20 anos.

- Mudança na formação do jogador -

"Houve um trabalho muito sério da Federação de tentar fazer um processo muito claro de como desenvolver jogadores na Bélgica, e traçaram um caminho muito claro de como queriam desenvolver o jogador, envolvendo as escolas e os clubes profissionais, e de que forma queriam que jogassem", lembrou o atual treinador, o espanhol Roberto Martínez, em uma entrevista concedida ao canal "TyC Sports" em dezembro pelo sorteio para Rússia-2018.

"Foi um trabalho muito complexo, mas que teve seus frutos", acrescentou Martínez, que levou os "Diabos Vermelhos" à segunda semifinal da Copa do Mundo de sua história e que, se conseguir o título, será o primeiro técnico estrangeiro a ganhar um Mundial.

No início dos anos 2000, os responsáveis pelo futebol belga começaram a analisar os sistemas de trabalho dos países vizinhos como França, Alemanha e Holanda, e concordaram em criar uma rede de escolinhas de futebol que contam com auditorias periódicas, a fim de que as melhores pontuadas sejam as que abarcam mais talentos.

Além disso, reuniram todos os treinadores e educadores para dar a mesma formação, também futebolística, já que decidiram abandonar a formação 4-4-2 e optaram pela 4-3-3 que os vizinhos holandeses vinham aplicando durante três décadas com grandes resultados e que, depois, Johan Cruyff exportou para o Barcelona e começou a ter mais domínio de bola, controle de passes, e no um contra um.

- Pequim-2008, primeiro sinal de mudança -

Os primeiros indícios de que as coisas poderiam estar no bom caminho chegaram nas Olimpíadas de Pequim-2008, nas quais os "Diabos Vermelhos" chegaram às semifinais com uma equipe na qual já começavam a despontar Marouane Fellaini, Thomas Vermaelen, Vincent Kompany, Jan Vertonghen e Moussa Dembelé, todos eles presentes na Rússia.

Pouco a pouco foram incorporados outros jovens talentosos (Witsel, Hazard, De Bruyne, Courtois, Lukaku, Carrasco, Chadli, Meunier), mas o processo não é simples e contou com duas decepções, na Copa de 2014 e na Europa de 2016, nas quais chegaram até as quartas de final.

Contudo, o grupo parece ter chegado à Rússia amadurecido e com capacidade de oferecer a este país de pouco mais de 11 milhões de habitantes o primeiro grande título de sua história.

Vencendo ou não, o processo não irá parar após a Rússia-2018 e já existe outra geração (com jogadores como Michy Batshuayi, Adnan Januzaj e Youri Tielemans) que pede passagem.

Com contrato até 2020, Roberto Martínez, que mudou mais uma vez este processo optando por um esquema tático 3-4-3 ainda mais ofensivo, o futuro dos "Diabos Vermelhos" parece brilhante.

* AFP

 
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