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Futebol02/09/2018 | 15h07Atualizada em 02/09/2018 | 15h07

Da queda à ascensão: Metropolitano projeta quitar dívidas e voltar aos torneios nacionais

Com trabalho voltado à base, time pensa na Copa SC e no Estadual 2019

Da queda à ascensão: Metropolitano projeta quitar dívidas e voltar aos torneios nacionais Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Acesso e primeiro título oficial reanimam o clube blumenauense Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Estádio Orlando Scarpelli, domingo, 23 de abril de 2017. Em campo, o Metropolitano quebra um tabu e vence o Figueirense em Florianópolis. No contexto, porém, o time acaba rebaixado à Segunda Divisão do Campeonato Catarinense, o primeiro descenso da história do clube. Afundado em uma dívida milionária, desacreditado pelo próprio torcedor, novos processos trabalhistas quase que diariamente e boletos atrasados com fornecedores. O time deu início a um momento melancólico.

Em uma roda de apostas, era mais fácil encontrar pessoas que dissessem que o clube estava próximo da falência do que alguém defendendo a continuidade dos trabalhos com o futebol profissional. Sem um "norte" e com o horizonte perdido – como destacou o Santa na capa do dia seguinte ao rebaixamento – o Verdão passou a ter o futuro questionado.

Pouco mais de 14 meses passaram desde aquele domingo no bairro do Estreito. Pouco tempo em um contexto histórico, mas que para o Metrô foram como décadas. Em 2017, no ano da queda, o clube ainda chegou a disputar a Série D do Brasileiro e conseguiu a classificação ao mata-mata da competição nacional. Com um elenco formado quase todo por atletas da base, foi eliminado pelo São Bernardo-SP e deu início a um período de quase um ano sem entrar em campo.

É nesse hiato de futebol que surge Saulo Raitz. Dirigente do Metropolitano em anos anteriores, o empresário do ramo têxtil assumiu o cargo de presidente. Com uma nova diretoria, Raitz adota um discurso leve, evita falar sobre os problemas vividos pelo Verdão e põe otimismo na fala. Sem competições profissionais, o novo mandatário escolhe colocar força máxima no trabalho com as categorias de base, tratadas como o pilar do clube em 2018.

Com uma espinha dorsal formada por jovens atletas e algumas contratações pontuais, o Metrô chega à Série B do Catarinense como favorito ao acesso. Demora a pegar no tranco, mas com Marcelo Mabília à beira de campo e Isaque Pereira como auxiliar, o time não só consegue o acesso à elite do futebol catarinense, como conquista o seu primeiro título oficial da história. Pazes refeitas com o torcedor, o otimismo ficou ainda mais evidente, embora a cautela ainda marque o ambiente.

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Com a sala de troféus inaugurada e o clima positivo na cidade, o clube ainda vive um momento delicado, e coloca os pés no chão para evitar novos problemas em 2019. O presidente Saulo Raitz falou à reportagem sobre o futuro do Metropolitano.

 Saulo Raitz, candidato a presidência do Metropolitano
Presidente Saulo Raitz faz projeção positiva para o Metropolitano após primeiro títuloFoto: Lucas Correia / Jornal de Santa Catarina

Finanças 

A dívida do Metropolitano está na casa dos R$ 2 milhões, tal como no ano passado, o que indica uma estabilização dos problemas financeiros. Para resolver esses débitos, o clube aguarda um despacho da juíza Desirré Dorneles de Ávila Bollmann, titular da a Vara do 2ªTrabalho de Blumenau, referente ao Ato Trabalhista, que é um plano especial de execução para o pagamento de dívidas com ex-funcionários do clube. Com isso, o Metrô pretende parcelar o pagamento aos credores e, como consequência, obter novamente a Certidão Negativa de Débitos para limpar o nome e voltar a fazer investimentos.

– O momento financeiro do Metropolitano está equilibrado. Estamos contornando a situação, devagarinho vamos lutando – avalia Raitz.

Estadual 2019

Com o retorno à elite do futebol catarinense, o Metropolitano projeta um aporte considerável de valores que diz respeito à cota de televisão, renovação com patrocinadores, sócios, entre outras receitas. Como o clube ainda passa por um momento de reestruturação administrativa e financeira, a expectativa é de que o custo com o elenco durante o Campeonato Catarinense do ano que vem gire em torno de R$ 300 mil por mês.

Até o momento, apenas uma renovação de contrato foi confirmada: a do meia Ari Moura, eleito o craque da Série B do Catarinense, que tem vínculo com o Metrô até o fim de 2020. O clube não confirma, mas há o interesse na permanência de nomes como o zagueiro Elton, o lateral Paulinho e o atacante William Paulista. A definição, porém, deve se dar ao longo da próxima semana, quando o elenco inicia a preparação para a Copa Santa Catarina que começa em 16 de setembro. A estreia do Metrô é contra o Joinville, em casa.

– Vamos trabalhar para fazer um campeonato como nos anos em que o Metropolitano foi bem. Queremos jogar a nossa competição. Nos espelhamos naquele ano (2014) em que fomos primeiro colocado no turno – projeta Raitz.

Sócios

O número de sócios ativos do Metropolitano atualmente é de 140. Ele é considerado irrisório pela atual diretoria, que pretende fazer ações para alavancá-lo. A ideia é ao menos triplicar esse número até o fim do primeiro semestre do ano que vem.

Estádio municipal

Os dirigentes do Metropolitano lideram a busca em Brasília (DF) pelo recurso destinado ao estádio municipal. O projeto já recebeu aval do Ministério do Esporte, porém, desde o início do ano não avançou. Falta a assinatura para a liberação dos recursos e, nesse momento, a pressão é mais uma questão política do que técnica. O total pleiteado para a primeira parte das obras é R$ 10 milhões, para a construção de uma arena com capacidade inicial para 2,9 mil pessoas e potencial de ampliação. O estádio municipal de Blumenau voltou à pauta no último mês e gerou uma nova esperança, conforme Jurival da Veiga, diretor do Metropolitano e principal articulador em prol da obra. Há expectativa de que o valor possa ser liberado para o município ainda em 2018, para que os trabalhos comecem no ano que vem. Vale lembrar que o projeto prevê que o estádio fique na Rua Guilherme Scharf, em frente à Associação da Altona, ao lado do Centro de Treinamentos do Metrô.

Comissão técnica

O interesse é pela permanência do técnico Marcelo Mabília, mas a manutenção do treinador depende de um acerto salarial, conforme Raitz. Para poder negociar, o Metropolitano espera a sinalização positiva de alguns patrocinadores para, com poder aquisitivo, poder bancar a continuidade dos trabalhos do treinador no clube.

– Mais tardar até segunda ou terça-feira definimos – afirma.

Copa Santa Catarina

Embora dê ao campeão uma vaga à Copa do Brasil do ano que vem, o Metropolitano promete não crescer o olho sobre a competição. O presidente Saulo Raitz acredita que é possível disputar a competição com custo baixo e pés no chão. A Copa Santa Catarina é historicamente uma competição deficitária, e a tendência é de que o Metrô a dispute com os atletas da base e jogadores que renovarem os vínculos com o clube a partir de agora.

– Temos um time muito competitivo para a Copinha e vamos tentar fazer um bom papel. Do jeito que as coisas estão acontecendo, acredito que vamos conseguir fazer um bom campeonato. Parceiros novos, empresas nos apoiando. O título nos deu um upgrade – valoriza o presidente do Metrô.

 
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