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Joinville que Queremos16/11/2015 | 07h10

Febre dos grupos de corrida conquista Joinville

Na terceira edição do projeto Joinville Que Queremos em 2015, tema qualidade de vida será assunto principal na série de reportagens que começa nesta segunda-feira

Febre dos grupos de corrida conquista Joinville  Salmo Duarte/Agencia RBS
Paula Oliveira é uma entre tantos joinvilenses que aderiram à prática da corrida Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS
Bárbara Elice

Especial

Basta estar na rua para perceber: onde há calçada e, às vezes, até onde não há, tem pessoas fazendo caminhada ou corrida. Diferentemente de outros esportes, um tênis confortável é o único requisito para iniciar nessa atividade.

Por isso, a corrida deixou de ser prática exclusiva de atletas para conquistar pessoas que buscam uma atividade recreativa e de fácil acesso para melhorar o ritmo do corpo.
E com esse movimento nos últimos dez anos, surgiram grupos de pessoas que compartilham objetivos em comum.

Assim, além de buscar ganhos na saúde – como a regulação do sistema hormonal e cardiovascular –, a interação social tem ajudado na autoestima dos corredores de rua amadores.

Nesse embalo, o jornal “A Notícia” apresenta a terceira edição do projeto Joinville Que Queremos com o tema qualidade de vida. Durante as próximas duas semanas, o leitor vai conferir uma série de reportagens com informações e experiências de pessoas que correm em busca de alternativas para melhorar o estilo de vida.

Ao fim da série, “A Notícia” promoverá, no dia 29 de novembro, um evento aberto ao público repleto de atividades recreativas. Para dar a largada, conheça hoje a evolução da prática da corrida de rua em Joinville.


Confira página especial do projeto Joinville que Queremos 


Em nome da saúde

No amanhecer de quinta-feira, os grupos começaram a chegar. Eram dezenas de pessoas que escolheram iniciar o dia juntos na pista de corrida de uma recreativa, no bairro Anita Garibaldi. Entre eles, a gerente de vendas Paula Oliveira, 33, completava as primeiras voltas do aquecimento.

O que começou com o balé, na infância, encontra hoje a realização na corrida de rua, a qual já pratica há três anos. Como a maioria das pessoas, Paula começou a correr sozinha por se preocupar com a saúde. Com o tempo, ela quis se aprofundar no esporte e encontrou no grupo a especialização que considerou fundamental para se desenvolver.

– Melhorei a qualidade do meu sono, o meu peso, que apesar de ser um exercício de alta queima calórica, aumentei a massa muscular. Sinto um bem-estar excelente quando acabo o exercício e fiz muitas amizades correndo. É fácil, porque onde eu vou posso levar meu tênis e correr em qualquer lugar – comenta Paula.

Segundo o professor de educação física pós-graduado em treinamento desportivo, Ivan Razeira, trata-se de um fenômeno mundial da última década que, em Joinville, não foi diferente. Os eventos e profissionais da área passaram a atender a um público que pratica corrida com um propósito diferente, não pensando em resultados, mas na manutenção da saúde, da qualidade de vida e em metas de superação.

Conforme Razeira, atualmente ocorrem cerca de 20 competições anuais na região de Joinville, a maior delas com mais de mil participantes.

Acompanhados de instrutores, o número de grupos de corrida evoluiu na última década na cidade. Quando Ivan iniciou a assessoria, em 2006, contava com 30 alunos. Hoje, atende a mais de 200 e estima que mais de 600 já procuraram especialização. Para ele, isso é reflexo do aumento dessa prática esportiva na cidade, embora muitos façam por iniciativa própria, sem acompanhamento profissional.

– Quando estão sozinhos, muitos logo desistem por não saber dosar o exercício. Mas quando profissionais começaram a fazer a orientação da corrida, ela deixou de ser um exercício desconfortável para se tornar prazerosa e, ao mesmo tempo, muito versátil, pois exige pouco recurso financeiro e de equipamento.

É também muito flexível porque onde você estiver no mundo consegue correr sem restrição, ao contrário de esportes como o ciclismo, que precisa da bicicleta; da natação, que precisa de piscina; ou do futebol, que precisa de jogadores.

Razeira explica que uma linha tênue separa a atividade física do exercício físico. E ela se chama planejamento. Realizar qualquer atividade que exija capacidades físicas, como caminhar até o trabalho, ir de bicicleta à escola ou subir a escada em vez de pegar o elevador, caracteriza uma atividade.

A partir do momento que se planeja subir a escada três vezes ao dia, com intervalos para descanso, por exemplo, já caracteriza o método do exercício. Tanto um quanto o outro repercutem no organismo, entretanto, o exercício regular é a garantia da prevenção contra doenças crônicas como hipertensão e diabetes. Quando essa experiência é compartilhada, ela se torna ainda mais benéfica.


Identidades semelhantes

– O exercício reduz a incidência das principais doenças crônicas que hoje se apresentam na sociedade: são as cardiovasculares e metabólicas, relacionadas a sobrepeso e diabetes. Nesses casos, o verdadeiro tratamento é o exercício, que reduz a pressão arterial de maneira sistêmica e permanente. Já a medicação trata somente o sintoma, controla a pressão de maneira química.

Para o especialista, hoje existe uma tendência muito grande de se criar grupos de corrida pelo fato de as pessoas terem encontrado ali outras pessoas com identidades semelhantes, buscando os mesmos objetivos.

Os mais avançados servem como referência e os iniciantes servem como um estímulo. Aliás, um dos principais benefícios da corrida se reflete na saúde física e mental. A liberação de energia, exigência de concentração e perseverança fazem com que, a médio e longo prazo, o praticante se sinta confortável e satisfeito com a prática.



Número de corredores aumenta a cada ano

Apesar do aumento do número de corredores de rua na última década, Joinville já está na pista há pelo menos 30 anos. A Associação Corville de Atletismo, fundada em 12 de outubro de 1985, é ligada à Fundação Municipal de Esportes, representante oficial da cidade nas competições.

São mais de 60 atletas inscritos, entre elas Tamiris de Liz, que, em 2012, aos 16 anos, trouxe de Barcelona, na Espanha, duas medalhas de bronze do Campeonato Mundial de Atletismo Júnior.

Segundo o diretor da Corville, Gilberto Koball, há tanto atletas de rendimento quanto amadores em Joinville. São mulheres, homens, crianças e idosos, um perfil bem variado. Na pista, é possível começar o treino a partir dos 11 anos. Na rua, o passo é livre.

Para atender a todos os praticantes, a Corville e outras entidades têm organizado cada vez mais competições na região. A principal de Joinville é a Meia Maratona, que ocorre em março e chegou a 23ª edição neste ano, com 900 inscritos.

Somente nos meses de novembro e dezembro, estão agendadas 36 provas em Santa Catarina. No dia 6 de dezembro, ocorre a 1ª Corrida e Caminhada de Piracity, no distrito de Pirabeiraba.

Com experiência de quase quatro décadas em corridas, Koball assistiu a evolução da prática na cidade. Para o atleta, mais pessoas têm encontrado na corrida uma alternativa para melhorar a qualidade de vida e contribuíram para o desenvolvimento do esporte na região.

– Em todos esses anos, conheci muitas pessoas que começaram a correr e mudaram, tornaram-se mais animadas, são outras pessoas. De todas, são muito poucas as que desistiram ou mudaram o caminho. Porque o esporte te dá uma visão daquilo que você pode ser – afirma Koball.



Infraestrutura urbana para praticantes é deficitária

Mesmo que seja necessário somente um chão para praticar o atletismo, a infraestrutura urbana não tem acompanhado o ritmo dos corredores de rua. Conforme Ivan Razeira, o principal problema em relação à corrida, em Joinville, é a falta de mobilidade e segurança para os praticantes.

– O batalhão (do Exército) é um dos lugares mais procurados pelo fato de ser uma volta contínua, sem cruzamento de rua. Mas, ao mesmo tempo, oferece um risco altíssimo para quem está na calçada porque ali o controle de velocidade dos veículos não existe. E isso se reflete no resto da cidade, que tem, ao mesmo tempo, calçadas péssimas e mal pavimentadas — diz.

Assim, os praticantes se restingem à volta de 1.600 metros envolta do batalhão ou à área rural – embora não seja prático o deslocamento durante a semana. Restam ainda as pistas de atletismo que recebem abertamente o público.

Alguns exemplos são as das recreativas da Tigre, Embraco, Univille, Tupy,  Arena Joinville e Expoville. A gerente de vendas Paula Oliveira, moradora do bairro Floresta, iniciou os exercícios nas ruas e atualmente os pratica na recreativa da Tigre, no bairro Anita Garibaldi. Ela critica a infraestrutura urbana, que considera precária no Centro e, principalmente, nos bairros.

– As ruas são esburacadas, muitas vezes não tem calçadas nem sinalização, e em dias de chuva, ficam cheias de poças e lama. Os motoristas de carro também não respeitam. Seria fundamental que tivesse um parque em Joinville – declara.

Para melhorar a infraestrutura, o Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (IPPUJ) promoveu, neste mês, debates para a elaboração do Plano de Caminhabilidade, que integra o Plano Diretor da administração municipal. A população pode contribuir meio da enquete que está disponível no site  https://ippuj.joinville.sc.gov.br.



Três passos para começar a correr

Orientação


— Procure um educador físico e um médico e siga as orientações deles, pois muitas das patologias se apresentam no esforço físico.


Organização

— Para ter resultados, os exercícios precisam ser, a médio prazo, uma de suas prioridades na rotina. Leva algum tempo para que ele se incorpore como algo automático no seu dia. É preciso ter disciplina.


Alimentação

— Nutriçao de qualidade é fundamental. Ela está intimamente relacionada ao bom funcionamento do corpo. Há casos em que o desconforto na hora do exercício pode ser causado por desnutrição ou desidratação.

A NOTÍCIA

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