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Memórias21/11/2015 | 07h04

Sete anos após a tragédia de 2008, Blumenau ainda convive com cenário de deslizamentos

Moradores de áreas atingidas pela catástrofe relatam a rotina junto aos escombros

Sete anos após a tragédia de 2008, Blumenau ainda convive com cenário de deslizamentos Patrick Rodrigues/Agencia RBS
Imóvel na Avenida Martin Luther é um dos que resiste sete anos após a tragédia Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS
Entre o telhado da antiga loja de móveis e o forro, dois casais de andarilhos encontraram um local para morar. Não há cômodos. Caixas d’água dividem um espaço do que seria um quarto. Telhas quebradas, cobertas e restos de roupa se espalham com o lixo pelo chão. O cheiro de terra que vem de fora se mistura com a fetidez do abandono do imóvel que há sete anos resiste na Avenida Martin Luther, uma das mais movimentadas de Blumenau.

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As marcas deixadas pelo desastre de novembro de 2008, que matou 21 pessoas por soterramento na cidade, ainda estão no dia a dia do blumenauense. Um cenário que incomoda, que resgata uma lembrança indelével na memória de quem testemunhou aquele fim de semana.

Em 2008, deslizamento atingiu loja na Martin Luther (Foto: Jandyr Nascimento, BD,  JSC) 


Em muitos dos lugares atingidos as paisagens renasceram. Em outros, como nas casas abandonadas da Rua Hermann Huscher e na antiga loja de móveis, os espaços foram invadidos, aos poucos, por moradores de ruas e usuários de drogas. O comerciante Johnny Oneda, que tem negócio em frente à área interditada na Martin Luther, queixa-se das consequências do imóvel entregue ao tempo:

– Na memória me vem o cenário de uma rua limpa e ordeira. Não foi apenas a perda da loja, perdemos no movimento e com o abandono houve o aumento da possibilidade da violência. Depois de seis meses do desastre, já tinha morador de rua ali. E até hoje continuam a usar o local para consumir drogas ou para dormir. Isso reflete nos negócios.

Marcas de 2008 seguem aparentes sete anos depois (Foto: Patrick Rodrigues)


Na Hermann Huscher, a moradora Elizabeth Hoeller já desistiu de se incomodar com os novos vizinhos que ocuparam uma das casas interditadas. O que de fato perturba é lembrar como era a rua antes dos deslizamentos que destruíram e interditaram imóveis. Do prédio onde mora, ela descreve como era cada um deles e lembra das famílias que viviam ali.

– Eram casas boas e muitas famílias que viviam aqui no prédio mudaram-se depois porque não conseguiram olhar para aquele morro destruído. O cenário mudou totalmente. A vegetação tomou conta de tudo já, mas aquela casa está ali para lembrar o que aconteceu – conta Elizabeth, que ainda recorda os estalos que ouviu naquela noite de domingo, dia 23 de novembro, quando novos desbarrancamentos ocorreram na via.

É do barulho que a costureira Nadir Adriano de Vargas sente falta. Ela mora ao lado de onde ficava a escola Professora Júlia Strzalkowska, no Valparaíso. O silêncio da área pacata era rompido pelo som das crianças que brincavam na quadra ou na hora do recreio. Em 2008 uma avalanche de terra interditou a rua e a escola, que foi demolida em junho deste ano.

– É uma sensação estranha ver um terreno vazio onde havia uma escola com tanta gente. Meu filho estudou dos cinco aos oito anos ali. Lembro das crianças brincando na hora do recreio. A gente sente falta disso – diz Nadir, que mudou a rotina para levar o filho a uma escola que agora fica a dois quilômetros de casa.

Segundo o secretário de Defesa do Cidadão, Marcelo Schrubbe, o desmonte técnico de imóveis afetados por deslizamento só é feito pela prefeitura quando há risco para outras pessoas ou quando o imóvel é público, caso contrário cabe ao proprietário fazer a demolição, evitando a invasão de moradores de ruas.

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