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Gente do bem17/09/2016 | 09h06Atualizada em 17/09/2016 | 09h07

Família de São José se reúne todos os meses para distribuir marmitas para moradores de ruas

Grupo Amigos Solidários surgiu há nove meses para fazer a diferença para quem mais precisa

Família de São José se reúne todos os meses para distribuir marmitas para moradores de ruas Charles Guerra/Agencia RBS
Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Foi durante o Natal do ano passado que a cozinheira — de mão cheia, diga-se de passagem — Marli da Silva, de 72 anos, resolveu que era hora de fazer sua parte. Motivada pelo clima de gratidão do período, ela viu que poderia usar seu amor por cozinhar, para o bem. Um dos filhos, o estofador Rodrigo Pereira, 44, já tinha dito que um dia gostaria de distribuir comida aos moradores de rua da região. E a mãe resolveu assumir a ideia: fez um risoto e junto da família distribuiu 45 marmitas na noite de 29 de dezembro de 2015. Nasceu aí o grupo Amigos Solidários, que até hoje tira um dia do mês para ajudar quem tem fome.

— Naquele dia nós vimos quantas pessoas precisavam daquela comida. Foi um choque de realidade — explicou o filho mais novo de Marli, o digitador Daniel Pereira, 38.

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No início do projeto, a ação contava apenas com o trabalho de Marli, dos dois filhos e dos netos, Nicolas Pereira, 25, e Márcia Araújo, 22. Pelo Facebook, Daniel expandiu a ideia e contou aos amigos que a família gostaria de entregar cachorros-quentes aos moradores de rua e pediu ajuda com doações de comida. Conseguiram incríveis 10 quilos de salsicha, suco e até batata-palha. Além de uma parte em dinheiro. Foram feitos 265 cachorrões.

— Teve uma mulher, moradora de rua, que disse que nunca tinha comido uma coisa como esta, com batata-palha. Algo que é tão simples para nós. Coisas que mexeram muito com a gente — contou Daniel.

A sensação de que estavam no caminho certo os motivou a realizar mais edições dos Amigos Solidários. Com ajuda das redes sociais, a família passou a receber doações, em comida e em dinheiro, de pessoas de vários cantos: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, da Grande Floripa e até dos Estados Unidos. Em fevereiro eles arrecadaram, por exemplo, 97 quilos de macarrão, 50 quilos de molho de tomate, 10 quilos de sal e 30 litros de óleo. Foi tanta coisa que eles até doaram parte da comida para entidades sociais.

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E é a própria Marli que grava os vídeos para pedir ajuda com doações. Ela conta que já foi até reconhecida no salão de beleza.

— Sempre quis fazer alguma coisa pelos moradores de rua. Sempre me sensibilizei muito com a situação deles. Espero que Deus ainda me dê muitos anos de vida para poder cozinhar e ajudar estas pessoas — espera.

Via-sacra do bem

Na última quinta-feira, a família de Marli se reuniu mais uma vez para entregar as marmitinhas. A aposentada fez risoto de frango. Hoje, além da família, os Amigos Solidários contam com um grupo de voluntários que ajudam na entrega da comida pelas ruas de São José e Floripa. Geralmente são entre 10 a 16 pessoas.

A família da professora Fernanda Maria Cabral e do projetista Luiz Claudio Martins participa desde a terceira edição com a filha adolescente Maria Luíza Martins, 16.

— Eu acho muito importante para eles aprenderem desde cedo ajudar as pessoas e para eles verem como é a realidade. Dar valor para o que eles têm e para os seres humanos — avaliou a professora.

Antes de saírem em comboio, a família e os voluntários fazem uma oração agradecendo por toda a comida arrecadada.

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A primeira parada é em Barreiros, São José. Na quinta-feira, uma outra família, da Praia do Sonho, de Palhoça, já fazia o mesmo trabalho. Débora Freitas, 50, faz cerca de 50 marmitas todas as semanas para distribuir entre os moradores de rua da região.

— Mesmo na chuva estamos aqui. Eles já até nos conhecem e nos esperam — conta a voluntária.

Ali, o grupo conheceu Carlos, morador de rua há um ano. Ele ganhou, além do risoto, roupas novas, que a família de Marli trouxe para doar.

— É uma benção ter estas pessoas que querem ajudar — resumiu ele.

Fila para comer em Floripa

Os Amigos Solidários partiram então para Floripa. O primeiro ponto foi a Rua Deodoro, onde dezenas de moradores dormem ao lado do prédio da Secretaria de Estado de Infraestrutura. Ali, eles até fizeram fila para ganhar a marmita.

— A comidinha tá boa, meu querido? Tava como fome, né? — dizia uma preocupada dona Marli a um homem, que gentilmente a agradeceu.

Na frente do Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), um grupo religioso também fazia a entrega de comida aos moradores de rua. Ali, a família encontrou um homem que era um antigo vizinho deles.

— A gente já tentou ajudá-lo, mas ele não quis — lamentou Daniel.

No Centro, perto da Praça XV de Novembro, eles se dividiram. Assim terminou a noite, com sensação de dever cumprido e prontos para o próximo mês.

Especial Dia das Crianças

A próxima ação ocorrerá em 12 de outubro, no Dia das Crianças. Eles querem arrecadar brinquedos, bolachas, chocolates, balas e sucos, para doar a um grupo de crianças da comunidade Chico Mendes, no Monte Cristo. A ideia é fazer um dia diferente num parquinho da localidade.

Quem quiser ajudar, pode procurar o grupo Amigos Solidários pelo Facebook ou entrar em contato com Daniel, procurando ele como Daniel Floripa pelas redes sociais ou pelo número (48) 9931-3128.  

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS
 

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