Especialistas dizem que é necessário desenvolver desde cedo a inteligência emocional nas crianças  - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Comportamento12/10/2016 | 06h12Atualizada em 13/10/2016 | 17h26

Especialistas dizem que é necessário desenvolver desde cedo a inteligência emocional nas crianças 

Especialistas dizem que é necessário desenvolver desde cedo a inteligência emocional nas crianças  Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Se desde criança se aprende que o mundo é um lugar para disputar, é provável que se torne um adulto acostumado ao conflito. Ao contrário, se um bebê é estimulado a compreender as próprias emoções e a tolerar o próximo, irá se transformar em um indivíduo emocionalmente saudável. A consequência? Uma sociedade mais equilibrada e pacífica. É a tal da inteligência emocional, tão em voga hoje em dia e que é tão importante quanto o QI (quociente intelectual).

Especialistas dizem: de nada adianta ter um filho gênio se ele não souber lidar com críticas, afinal, as frustrações ao longo da vida são parte do amadurecimento de todo mundo.

– Desenvolver habilidades emocionais e sociais desde cedo impacta o desempenho de vida, em todas as áreas, desde o sucesso acadêmico, profissional e as relações pessoais na vida particular – afirma Tania Paris, fundadora e presidente da Associação pela Saúde Emocional de Crianças (Asec).

As habilidades às quais ela se refere funcionam como fatores de proteção para a saúde emocional, que, assim como a saúde física, é essencial para o bem-estar. Elas serão eficazes na hora de lidar com situações desafiantes.

Segundo a especialista, pais devem educar emocionalmente os filhos praticamente desde o nascimento, já que desde muito cedo a criança experimenta sentimentos que não sabe identificar, mas que incomodam — e por isso ela se manifesta chorando, gritando ou tentando chamar a atenção.

– Os pais são capazes de reconhecer uma emoção que motiva o comportamento e, então, por exemplo, ao invés de dizer ¿não grite¿ podem dizer ¿você está irritado? O que podemos fazer para essa irritação passar?¿ — explica.

Para a psicopedagoga Maria Alice Moreira Bampi, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia em Santa Catarina, a raiz dos desequilíbrios emocionais e sociais está na estrutura familiar.

— Por mais que depois a sociedade se organize para tentar contribuir para a formação da criança, a base é sempre a família — diz ela.

Em casa, pais podem estimular a autopercepção e o autocontrole. Até os seis anos é natural a criança estar ainda centrada em si mesma, mas nessa idade já deve conseguir perceber que as outras pessoas também têm sentimentos. 

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Escola de Florianópolis trabalha as emoções das crianças com os pais

Aos seis anos, época que coincide com o início do ensino fundamental, é quando a criança tem a oportunidade de conviver com diferenças e, dessa forma, desenvolver empatia, respeito às diferenças, comunicação e lidar com conflitos. É aí que entra o papel da escola.

Em Florianópolis, o Colégio Estimoarte há 10 anos realiza um trabalho de inteligência socioemocional e há três aplica a metodologia da Escola da Inteligência, programa educacional fundamentado na Teoria da Inteligência Multifocal, de Augusto Cury. Todos os envolvidos – professores, alunos e familiares – são beneficiados com a educação das emoções.

Os 750 alunos de 3 a 17 anos têm uma aula por semana em que trabalham a inteligência emocional. Os pais participam de quatro aulas por ano e também de cursos e palestras.

– A maior dificuldade está na falta de interesse nas emoções. As pessoas têm medo de lidar com elas e compreender o que estão sentindo. Nos cursos, ensinamos o seguinte: ¿nós amamos vocês quatro: raiva, tristeza, medo e alegria.¿ Trabalhamos com os alunos, os pais deles, com os professores. E automaticamente o rendimento escolar melhora, reduz as taxas de bullying — diz o psicoterapeuta Luiz Alberto Silva, diretor administrativo do colégio.

Segundo ele, ao despertar o autoconhecimento em cada um, todos superam medos e há uma transformação:

– Ninguém muda ninguém. Mas cada um pode se transformar. Se eu mudo, consigo lidar melhor com o outro – diz.

Em uma manhã de outubro, uma turma do primeiro ano da escola estava reunida em uma das aulas do programa da Escola da Inteligência. Os estudantes, todos entre seis e sete anos, deram lindas lições:

– Gentileza gera gentileza – ensina João Vitor de Souza e Melo, 7 anos. Sabedoria simples que seguirá com ele e os colegas para toda a vida.

Ao final da aula, cantaram afinados a canção Gentileza, de Marisa Monte, que conta a história do Profeta Gentileza (1917 - 1996), famoso personagem das ruas do Rio : ¿Amor palavra que liberta, já dizia o profeta.¿

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