Profissões criativas ganham espaço no mercado informal - Geral - Jornal de Santa Catarina

Versão mobile

Economia 10/10/2016 | 06h53Atualizada em 10/10/2016 | 06h54

Profissões criativas ganham espaço no mercado informal

Momento de crise financeira estimula catarinenses a criar novas ofertas de serviços, principalmente ligados à tecnologia   

Profissões criativas ganham espaço no mercado informal Leo Munhoz/Agencia RBS
De sua casa, Fábio Cumerlato Aguiar gerencia anúncios de aluguel de imóveis para temporada em todo o país Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

O cenário de crise no Brasil contribui para o surgimento de profissões e negócios criativos que têm chamado a atenção, principalmente quando aliados à tecnologia. Enquanto entre o primeiro e o segundo trimestres de 2016, 226 mil vagas de emprego com carteira assinada foram cortadas no país, 409 mil novas vagas foram criadas no mercado informal. Essa é a diferença entre o número de pessoas que começaram e as que deixaram de trabalhar por conta própria segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em Santa Catarina, o número de trabalhadores informais continua estável em uma média de 193 mil no último semestre (que representa 12% do total de trabalhadores no mercado formal), conforme a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad). Mas o Estado tem acompanhado a tendência nacional com o surgimento de atividades curiosas. Algumas ainda nem ganharam nomes.

É o caso da função do paulistano Fábio Cumerlato Aguiar, 30 anos, que desde abril administra de Florianópolis o aluguel de residências de temporada de todo o país na internet. O analista de sistemas gerencia os anúncios de 70 imóveis em sites como Booking, Expedia e Trivago. Se o proprietário pede R$ 100 pela diária, ele divulga o valor de R$ 110 aos viajantes e embolsa 10% de comissão.

– Tiro fotos da propriedade, cadastro nas agências e mantenho os anúncios atrativos. Fico responsável pelo produto online, que é mostrado a todo o mundo, diferenciando-se das imobiliárias. Depois, encaminho para o proprietário receber o cliente – explica.

Até o fim do ano, Aguiar espera fazer a gestão de mais de 100 propriedades e dedicar-se totalmente à atividade. Para isso, ele conta com o crescimento de 30% do mercado de aluguel de temporada no Brasil, que teve início com a Copa 
do Mundo e se intensificou com as Olimpíadas.


Transformação de hobby em trabalho 

O economista da Secretaria de Estado da Assistência Social, Trabalho e Emprego Jerônimo Maia avalia que o mercado informal vem apresentando dois lados: um ligado à precariedade e outro à alta escolaridade.

– Quem perde emprego formal, geralmente passa a focar no mercado informal. São pessoas que fazem de seus hobbies atividades remuneradas. E, para isso, se apoiam no domínio de tecnologias para diversificar e inovar. Em um futuro breve, a tendência é que não se tenha mais emprego formal, por consequência da industrialização intensa. A impressora 3D dá uma ideia dessa transformação – analisa o funcionário da gerência de Política de Trabalho e Emprego.

A forma com que o mercado informal pode inspirar o mundo econômico foi estudada pela pesquisadora americana Alexa Clay no livro A economia dos desajustados, que assina junto com Kyra Maya Phillips. Em passagem por Florianópolis no fim do ano passado, a escritora apontou essa como a principal economia em muitas partes do mundo.

– Esses indivíduos estão frequentemente aplicando um mindset empreendedor em seus trabalhos. Em alguns países, mais de 70% das atividades econômicas acontecem na economia informal e unindo todas elas, chegamos a 
um valor superior a UU$ 10 trilhões – diz.

Ela ainda explica que os ¿desajustados¿ são uma mistura de mercado negro e inovadores informais.

– Também são artistas boêmios, ativistas e desajustados que atuam dentro de negócios formais, transformando companhias de dentro para fora com novas agendas sociais e ambientais – diz.


Maria Isabel criou com a irmã um serviço para cuidar de cães na casa deles quando os donos estão ausentes  Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Novas demandas, proteção formal mantida

A necessidade de os donos manterem os animais de estimação bem cuidados enquanto viajam ou mesmo em função da correria diária fez com que as irmãs Maria Celina e Maria Isabel Vieira, 36 anos, criassem há cinco anos a Adora Cão, uma empresa de petsitter. Desde então, só cresce o negócio informal das cuidadoras de pets do sul da Ilha de Santa Catarina. Elas mantêm em paralelo atividades complementares, mas garantem que a maior parte da renda da família provém dos mais de 200 donos de animais que pagam mensalmente pelo serviço.

– Vimos uma carência desse serviço que permite que os animais sejam tratados na própria casa dos donos, porque eles ficam melhores quando mantidos nesses espaços. Então, já que também somos apaixonadas por bichinhos, decidimos atender. Os clientes amam, já que podem viajar ou trabalhar bem tranquilos. No boca a boca vem crescendo – conta Maria Celina.

Por pertencerem ao mercado de trabalho informal, tanto as irmãs Vieira, quanto Aguiar estão desprotegidos em relação às leis trabalhistas. O plano para breve, eles garantem, é buscar a garantia de alguns direitos (leia as dicas na página ao lado).

– Estamos pensando em começar a pagar um INSS [Instituto Nacional do Seguro Social] particular, porque é informal e não temos plano de aposentadoria. Temos que correr atrás por fora. Ainda não fizemos isso por falta de tempo – explica a cuidadora de animais.

Como manter plano de previdência

Não precisa ter carteira assinada para se filiar à Previdência Social. Empresários, profissionais liberais, autônomos, taxistas, feirantes ou camelôs podem garantir diretamente no Ministério da Previdência benefícios como a aposentadoria, o auxílio-doença, o salário-maternidade e a pensão por morte para os seus dependentes.Aos 16 anos, já possível optar pela contribuição facultativa. O valor da contribuição mensal correspondente a 20% da remuneração do trabalhador e pode chegar até o valor-teto do INSS. 

A Guia da Previdência Social pode ser comprada em qualquer papelaria, impressa no site www.mps.gov.br e paga por débito em conta-corrente. O telefone gratuito 0800 -780191 tira dúvidas. Outra opção pode ser optar por um plano de previdência privada.

Leia também:

"Bloqueadores de inovação matam a ideia na raiz", defende o executivo do Google no Brasil 

Bordados ganham mais adeptos em SC que buscam unir arte e terapia 

"O que sustenta o empreendedor é a sua busca constante por autoconhecimento", defende coach

 
 

Siga Santa no Twitter

  • santacombr

    santacombr

    SantaPedro Machado: a Chapecoense é uma unanimidade https://t.co/w9WYf5SyKn #LeiaNoSantahá 8 diasRetweet
  • santacombr

    santacombr

    Santa"Pode-se tentar calar o juiz, mas nunca se conseguirá calar a Justiça", reage Cármen Lúcia https://t.co/JZDSmNAMoY #LeiaNoSantahá 8 diasRetweet
Jornal de Santa Catarina
Busca
clicRBS
Nova busca - outros