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Operação25/11/2016 | 19h07Atualizada em 25/11/2016 | 19h13

Blackmail investiga ex-diretor da Câmara de Vereadores de Joinville

Diretor administrativo Jucélio Francisco Gabriel pediu exoneração do cargo nesta quinta-feira

Blackmail investiga ex-diretor da Câmara de Vereadores de Joinville Leandro S. Junges/Leandro S. Junges
Documentos apreendidos durante a operação passam pela análise do Instituto Geral de Perícia Foto: Leandro S. Junges / Leandro S. Junges

A Operação Blackmail, que apura práticas de corrupção no serviço público, investiga o segundo nome ligado à Câmara de Vereadores de Joinville, o do ex-diretor administrativo Jucélio Francisco Gabriel, que pediu exoneração do cargo nesta quinta-feira.

Antes da nomeação, ocorrida em janeiro de 2015, ele foi assessor do vereador João Carlos Gonçalves (PMDB), que teria conseguido a nomeação do assessor para o cargo comissionado na diretoria. A investigação apura se em algum momento Jucélio recebeu valores em sua conta bancária que seriam destinados, na verdade, ao vereador Gonçalves.

Ao ser questionado se o afastamento foi uma decisão da Casa para dar tranquilidade a ambas as partes durante a investigação, o presidente Rodrigo Fachini (PMDB) disse que o pedido partiu do diretor há cerca de uma semana, e que desta forma ele poderá se dedicar integralmente a "este episódio".

Para o lugar dele, foi nomeada a servidora de carreira, Ana Maria de Carvalho, sem ligações políticas, acrescentou o presidente. A reportagem entrou em contato com a Câmara de Vereadores e com advogados que defendem outros investigados na Blackmail para conseguir contato com o ex-servidor, mas não conseguiu localizá-lo até o fechamento da matéria.

A Operação Blackmail tem duas frentes de ação que vão gerar duas denúncias distintas à Justiça. Uma delas, chamada de núcleo 2, é a que envolve o parlamentar Gonçalves e, agora, o ex-diretor. Os investigadores querem saber se procede a suspeita de que Gonçalves tenha praticado tráfico de influência, recebendo recursos para interceder em favor de um empresário de São Paulo que teria interesse em ingressar no serviço público de estacionamento rotativo, e em favor de outro empresário, com imóvel embargado na cidade.

Como o suposto recebimento de valores não teria acontecido apenas de forma direta à Gonçalves, também de forma indireta, por meio de conta de terceiros, acrescenta-se a investigação por lavagem de dinheiro. O vereador chegou a ser preso preventivamente no último dia 8 e foi solto na noite de quarta-feira, porém, permanece impedido de voltar às atividades no Legislativo por decisão judicial.

Ação coordenada

O ex-vereador Juarez Pereira (Solidariedade) faz parte da outra frente de investigação, chamada de núcleo 1, a que deu origem à Blackmail quando a ouvidoria do município (telefone 156) recebeu denúncia contra o fiscal da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) Júlio César da Silva. A investigação apura se houve formação de organização criminosa para recebimento de vantagens indevidas durante o exercício da função do fiscal.

A suposta organização criminosa seria formada por Júlio César da Silva, a filha dele, Ana Carolina de Medeiros da Silva, e o namorado dela, Maurício de Lima Lopes, além do ex-vereador Juarez .

A irmã do fiscal, Elaine, também é investigada e chegou a ser presa preventivamente, sendo liberada na noite de quarta-feira. Os demais permanecem no Presídio Regional de Joinville. O advogado de Pereira, Oraclides da Silva Pacheco, informou nesta sexta-feira que vai reiterar o pedido de revogação de prisão do cliente.

:: Vereador João Gonçalves e irmã de fiscal são soltos

Entre as práticas que os investigadores apuram se são verdadeiras estão situações que se assemelham a uma peça de teatro. Primeiro, o fiscal Júlio visitaria o estabelecimento comercial e informaria a existência de irregularidades. Não faria a interdição do local, mas aplicaria a multa, sem colocar esta ação no sistema da Prefeitura. Um tempo depois, o ex-vereador, em campanha, passaria pelo estabelecimento pedindo votos e aproveitaria para se colocar à disposição em caso de qualquer necessidade.

Diante desta abertura, o comerciante acabaria por expor o problema e, imediatamente, o então candidato ligaria para o fiscal, simulando desconhecê-lo, e intercederia em favor do comerciante, mas também recomendaria a contratação da empresa de contabilidade da filha do fiscal, sem que o comerciante soubesse do parentesco, para que regularizasse a situação.

Ao ser ouvido pelo Ministério Público, Pereira negou qualquer ação ilícita e, para seu advogado, ficou clara a inocência do cliente.

Em janeiro deste ano, Juarez foi exonerado da Prefeitura, onde ocupava o cargo de coordenador 1 na Secretaria de Infraestrutura Urbana (Seinfra) desde setembro de 2013. Na época, foi aberta sindicância que culminou com a exoneração do cargo motivada por desvio de conduta, informou o prefeito Udo Döhler, sem dar mais detalhes.

A NOTÍCIA

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