Lauro Bacca: Experiências no mundo natural trazem grandes benefícios - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Opinião01/12/2016 | 07h01

Lauro Bacca: Experiências no mundo natural trazem grandes benefícios

Que as pessoas estão vivendo em espaços cada vez menores não apenas em apartamentos mas também em casas, onde os espaços de grandes quintais vão se tornando raridade, não é mais novidade. Áreas livres, tais como um campinho de várzea para jogar uma pelada, também vão rareando na proporção direta do adensamento urbano.

As crianças e jovens da atualidade são desestimuladas e até proibidas de frequentar um parque ou área natural ou preferem mergulhar os olhos no celular, iPad e similares. Os pés descalços desapareceram dentro dos tênis da atual geração. Pais morrem de medo que os filhos saiam e se aventurem na natureza e isso até é em parte compreensível, dada a realidade da segurança, atualmente muito diferente em relação às gerações anteriores. Até mesmo as escolas temem levar seus alunos para perto da natureza.

“Escolas, abram suas portas para a vida!”, bradava a saudosa professora Lúcia Sevegnani no livro Biodiversidade Catarinense (2013). “Levem seus estudantes para fora em bem planejados passeios ou experiências de observação; levem ao museu, ao parque, à praia, à floresta, aos campos e aos terrenos baldios; se algum imprevisto ocorrer, ele é tão educativo quanto a experiência de sair; pais, permitam que seus filhos saiam, há mais perigos dentro de uma casa com a internet que num passeio pela floresta – para o bem de seus filhos, não queiram processar a escola nem pedir indenizações absurdas!”.

Lúcia não chegou a conhecer o livro do estadunidense Richard Louv, que já vendeu quase um milhão de exemplares. Na obra, o autor argumenta que se corre enorme risco de se criar uma geração sob prisão domiciliar protetora, configurando o que ele chama de Transtorno de Déficit de Natureza, com consequências que passam pela obesidade, dificuldade de concentrar-se, não desenvolvimento pleno dos sentidos, deficiência de vitamina D, problemas psicológicos e emocionais.

Os japoneses já demonstraram por que o contato com a natureza faz bem. Agora, novas pesquisas, afirma o Dr. Louv, tendem a apontar para uma direção: experiências no mundo natural parecem trazer grandes benefícios para a saúde psicológica e física e para a capacidade de aprendizado de crianças e adultos. O verde pode estar ali ao lado, na própria escola, mas, quanto mais verde, melhor. Isso ajuda as crianças a aprender e ter confiança em si mesmas, reduzir os sintomas de déficit de atenção e hiperatividade, acalmá-las e ajudar a se concentrar. Com tanta opção de verde em nossa região, o que estamos esperando?

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