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Atenção24/01/2017 | 11h36Atualizada em 24/01/2017 | 15h34

Santa Catarina registra quatro casos suspeitos de febre amarela

Amostras foram encaminhadas para análise em São Paulo. Três pacientes estiveram em Minas Gerais e um em Mato Grosso

Santa Catarina registra quatro casos suspeitos de febre amarela Divulgação/Fiocruz
SC não registra casos de febre amarela em humanos desde 1966, conforme a Dive/SC Foto: Divulgação / Fiocruz

Nas duas primeiras semanas deste ano SC contabiliza quatro casos suspeitos de febre amarela. Três pacientes com casos investigados estiveram em Minas Gerais e um em Mato Grosso. No ano passado inteiro foram registrados seis casos suspeitos, todos foram descartados. O Estado ainda não tem confirmação da presença do vírus dentro de seu território. As amostras foram enviadas para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e resultados devem sair em 15 dias. 

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC) informa que os casos suspeitos apresentam quadro estável e sintomas leves e estão sendo acompanhados pelos serviços de saúde.

Apesar de Santa Catarina não registrar casos de febre amarela em humanos desde 1966 - último caso foi no Oeste de SC - a vacinação contra a doença é indicada para 100% da população dos 162 municípios catarinenses que integram a Área com Recomendação de Vacina contra Febre Amarela (ACRV). Veja a lista completa neste link

O Estado conta com 72 mil doses da vacina disponíveis em salas de imunização. No ano passado, foram aplicadas 125,7 mil doses em catarinenses. 

O superintendente em Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Fábio Gaudenzi, explica que a grande preocupação é a reintrodução do ciclo em área urbana, com transmissão pelo Aedes aegypti - o mesmo mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya. Atualmente, o Brasil tem registros apenas de febre amarela silvestre. Os últimos casos de febre amarela urbana (transmitida pelo Aedes aegypti) foram registrados em 1942, no Acre.

— Sempre acaba tendo o risco de virar um ciclo urbano, porque o que importa é a presença do Aedes aegypti. Por exemplo, você foi a qualquer lugar do país e se expor ao vírus e volta para uma cidade que tenha Aedes aegypti, então pode completar o ciclo e começar o desenvolvimento da doença nas cidades. Você tem a circulação do vírus em área de mata, então o risco existe — destaca o superintendente.

Ele reforça a gravidade da doença. Em Minas Gerais, Estado mais afetado pela doença, foram 58 casos confirmados e 31 mortes neste ano. Diante disso, Gaudenzi destaca a importância de monitoramento dos macacos que funcionam como uma espécie de termômetro da doença. O registro de animais doentes ou mortos indica que a febre amarela pode estar presente e que há riscos para as pessoas. Por isso, ao encontrar um macaco morto, atropelado ou então doente é importante chamar imediatamente o serviço de saúde do município e não tocar ou se aproximar do animal. As amostras do animal são encaminhadas para análise. 

Quem deve se vacinar

Todos os moradores dos 162 municípios catarinenses que integram a Área com Recomendação de Vacina contra Febre Amarela (ACRV) e todas as pessoas que residem ou viajam para regiões silvestres, rurais ou de mata de qualquer um dos 3.530 municípios brasileiros considerados ACRV. Essas cidades são localizadas em todos os estados das regiões Norte e Centro Oeste; em Minas Gerais e no Maranhão e em alguns municípios do Piauí, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Quem ainda não é vacinado e pretende viajar para essas áreas deve procurar um posto de vacinação pelo menos 10 dias antes da viagem.

As duas doses da vacina febre amarela fazem parte do Calendário Nacional, sendo o esquema vacinal uma dose aos 9 meses de idade com reforço aos 4 anos. Para pessoas de 2 a 59 anos, a recomendação é de duas doses. Assim, a proteção está garantida para o resto da vida. Idosos, gestantes e lactantes devem ser avaliados previamente por médicos antes de serem vacinados.

Brasil já registra 34 mortes confirmadas pela doença

Em balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira foram contabilizados 421 casos suspeitos de febre amarela no país, sendo 87 mortes em quatro estados e o Distrito Federal. Do total, 357 permanecem em investigação, 63 foram confirmados e um descartado. Das 87 mortes notificadas, 34 foram confirmadas e 53 permanecem em investigação. Os casos foram registrados em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo e Distrito Federal.

Minas Gerais é o estado com o maior número de registros até o momento. Foram 58 casos confirmados e 31 mortes. O Espírito Santo confirmou um caso e uma morte. A Bahia notificou sete casos da febre amarela, sendo que seis permanecem em investigação e um foi descartado. Não há registro de mortes. O estado de São Paulo confirmou três mortes por febre amarela, em três municípios paulistas. 

Sintomas
Os sintomas iniciais são febre alta de início súbito, sensação de mal estar, dor de cabeça, dor muscular, cansaço, calafrios, náuseas e vômitos. Quando a doença evolui para a forma grave, há aumento da febre, diarreia, reaparecimento dos vômitos, dor abdominal, icterícia (olhos amarelados, semelhante à hepatite), manifestações hemorrágicas (equimoses, sangramentos no nariz e gengivas) com comprometimento dos órgãos vitais como fígado e rins. 

Se a pessoa se deslocou nos últimos 15 dias para áreas com recomendação de vacina para febre amarela, exerceu alguma atividade em área de mata (ecoturismo, pesca, desmatamentos, etc.) e apresentou alguns dos sintomas mencionados acima, deverá procurar o mais rápido possível as Unidades de Saúde municipais (postos de saúde e equipes de saúde da família). A investigação, o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento serão realizados pela rede pública de saúde. 

Sobre a doença
A febre amarela é uma doença infecciosa viral aguda, transmitida por mosquitos, presente em países da África e das Américas Central e do Sul. A transmissão pode ocorrer de duas formas: silvestre e urbana. Mas se trata de uma só doença. 

Na forma de transmissão silvestre, os vetores são os mosquitos Haemagogus e Sabethes, que mantêm a circulação do vírus entre os macacos, podendo, também, transmitir ao homem, caso esteja nesse ambiente sem estar vacinado. Na forma de transmissão urbana, o veículo do vírus é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue, da febre do chikungunya e da zika.

Clique aqui e confira os municípios de Santa Catarina que integram a Área com Recomendação de Vacina

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