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Transporte individual10/01/2017 | 07h01

Uber é aprovado por usuários no primeiro mês de operação em Blumenau

Motoristas e usuários analisam serviço que completou um mês de atividades em Blumenau

Uber é aprovado por usuários no primeiro mês de operação em Blumenau Patrick Rodrigues/Agencia RBS
Carros do serviço de transporte começaram a circular na cidade em 9 de dezembro Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Fonte de renda para os motoristas, opção mais econômica aos usuários, concorrente desleal na visão dos taxistas. Assim é o polêmico Uber, que completou um mês de operação em Blumenau ontem. Entre motoristas e clientes, o serviço permanece com avaliação cinco estrelas, como aquela nota máxima que os condutores desejam receber após a corrida. O engenheiro Wilson Brueckheimer, 29 anos, já perdeu as contas de quantas vezes usou os carros do aplicativo de transporte de passageiros nesse mês e é só elogios quanto ao serviço.

A cordialidade e a atenção dos motoristas, que segundo Wilson dificilmente burlam as leis de trânsito, são alguns dos diferenciais citados por ele, que já havia usado o serviço em cidades como Florianópolis e Brasília. O único ponto negativo foram as duas vezes em que não havia carros disponíveis. Em uma das ocasiões ele recorreu ao táxi e em outra desistiu do passeio. A distância das corridas varia, mas o valor costuma ficar na casa dos R$ 12 – nas contas dele, metade do que seria cobrado na contagem dos taxímetros. A partir deste mês ele pensa até em deixar o carro mais vezes na garagem e usar o Uber para ir ao trabalho:

– A facilidade para pagamento é uma das principais vantagens. Cheguei a pegar Uber só com a chave de casa, sem me preocupar em pagar no dinheiro. Além disso, quando chamo já aparece a foto do motorista, a placa do carro, tem mais segurança.

A simpatia com o serviço continua nas redes sociais. Em uma publicação do Santa no Facebook, usuários disseram aprovar o serviço e também citaram vantagens como cordialidade dos motoristas, valores menores e facilidade no pagamento.

Se quem usa está satisfeito, quem recebe o valor das corridas recebe os passageiros com um sorriso ainda mais largo. Um motorista do Uber ouvido pelo Santa conta que fez 450 viagens nesse primeiro mês, quase todas dentro da cidade – apenas duas foram para outros municípios. Se a margem de lucro não é muito alta, o jeito é rodar bastante para ganhar no volume. Ele chega a fazer jornadas longas, das 14h às 22h em dias normais e das 18h até a madrugada quando há eventos.

Muitas corridas se limitam ao Centro, mas em horas menos movimentadas os motoristas vão a bairros como Escola Agrícola, Velha e Garcia para que quem chame o aplicativo em regiões mais distantes tenha carros disponíveis – a dificuldade para conseguir carros nos bairros foi uma queixa dos usuários neste primeiro mês. Nada que freie a empolgação do motorista.

– Penso em investir em um carro mais luxuoso, prestar um concurso público e continuar no Uber nas horas vagas – planeja, já de olho em uma possível chegada à cidade do Uber Black, a versão gourmet do serviço.

Primeiras rusgas com taxistas
O aplicativo Uber não confirma o número de condutores por cidade. Informalmente, porém, os motoristas estimam que haja cerca de 60 carros habilitados. Como uma corrida pela Rua Bahia, os caminhos do Uber também exigem desvios dos obstáculos. Outro condutor do Uber ouvido pelo Santa alega que o primeiro mês foi vantajoso, mas que algumas corridas não compensam pela distância até o local de partida e, em outros casos, usuários têm dificuldades para operar o aplicativo. Outra preocupação é a relação com taxistas, que começa a ficar menos amistosa.

– Já tivemos casos de motoristas perseguidos, abordados, ameaçados, dizendo que somos clandestinos – revela. As situações foram levadas ao jurídico do Uber.

Apesar dos episódios, o motorista quer converter o carro para gás, permanecer no Uber e aproveitar um possível aumento de passageiros em fevereiro:

– Vamos começar a ver como será o Uber quando voltarem as aulas.

Falta de regulamentação ainda causa impasse
Se para motoristas e usuários o primeiro mês de Uber foi doce como uma balinha, nos pontos de táxi o serviço é visto com menos simpatia. Celso Luis Bordignon trabalha há três anos em um ponto da Rua Antônio da Veiga e afirma que neste início de mês a procura diminuiu com a chegada do Uber, principalmente nas corridas à noite, com clientes mais jovens. Trabalhando há dois meses em um ponto da Rua Marechal Deodoro, Enoc Amorim de Oliveira afirma que sentiu uma diminuição na procura, mas que a concorrência do Uber não chega a preocupar. Um dos motivos pode estar justamente no preço.

– Eles não vão a corridas em todos os bairros e os valores praticados são muito baixos. Se não equilibrar os valores vai afastar os motoristas porque os custos são altos e o lucro acaba sendo baixo – analisa.

Apesar das opiniões dos taxistas, o presidente da Coopertaxi, Cláudio Koch, diz que não é possível afirmar se houve impacto na procura por táxis. Ele pretende continuar em busca de medidas em defesa do serviço de táxi.

– É difícil avaliar porque a gente não gosta de comparar uma coisa legal com outra ilegal. Estamos aguardando a prefeitura voltar das férias coletivas para ver o que é possível fazer – diz.

O presidente do Seterb, Carlos Lange, afirma que até o momento não houve reclamações de taxistas e que a situação do Uber em Blumenau não mudou nesse último mês. Os agentes seguem orientados a não autuá-los. Questionado se o serviço opera de forma legal ou ilegal em Blumenau, Lange afirma que o serviço funciona em diversas cidades do mundo e que, embora careça de regulamentação, até aqui não tem causado nenhum dano.

– Na realidade, é uma atividade desprovida de regulamentação do setor público. É um contrato particular, algo que não temos controle. Nesse aspecto, estamos acompanhando decisões já proferidas pelo Judiciário em outras cidades, principalmente em Florianópolis – afirma.

O presidente da Câmara de Vereadores de Blumenau, Marcos da Rosa (DEM), afirma que o debate sobre o Uber não entrou na pauta do Legislativo em 2016, mas que pode ser discutido com audiência pública e até um eventual projeto de regulamentação a partir de fevereiro, quando recomeçam as sessões.

JORNAL DE SANTA CATARINA - Blumenau

 
 

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