Conheça o perfil das 16 escolas que estreiam o ensino médio integral para 1,5 mil alunos de SC - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Novo modelo15/02/2017 | 06h07Atualizada em 15/02/2017 | 14h57

Conheça o perfil das 16 escolas que estreiam o ensino médio integral para 1,5 mil alunos de SC

Maior desafio será conter a desistência de alunos e baixo índice de aprovação na maioria das unidades. Aulas começam nesta quarta

Conheça o perfil das 16 escolas que estreiam o ensino médio integral para 1,5 mil alunos de SC Felipe Carneiro/Agencia RBS
Professores da Escola Ivo Silveira, em Palhoça, fizeram mutirão durante a semana para deixar tudo pronto para a estreia  Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS
Cristian Edel Weiss
Cristian Edel Weiss

cristian.weiss@diario.com.br

A partir de hoje, 1.508 alunos do 1º ano do ensino médio entrarão na sala de aula às 7h30min, mas sairão apenas ao toque do sinal das 17h30min. As 16 escolas de 14 municípios selecionadas para participar do ensino médio em tempo integral em Santa Catarina terão o desafio de testar o novo modelo, que deve ser expandido para mais unidades a partir do ano que vem. O foco é tornar mais atrativo o ensino médio e dialogar com o cotidiano dos jovens. 

As disciplinas tradicionais são integradas de forma interdisciplinar no currículo, além da criação de aulas dedicadas a pesquisa, projetos de vida e desenvolvimento das chamadas competências socioemocionais, como criatividade, trabalho em grupo e resiliência, habilidades exigidas no mercado de trabalho e na vida adulta. Tudo para evitar os altos índices de reprovação e abandono, que chegaram a uma média de 40% e 12%, respectivamente, entre os alunos do 1º ano nas redes pública e privada de Santa Catarina em 2015. 

A escola com os índices mais desafiadores entre as 16 selecionadas é a Governador Ivo Silveira, no centro de Palhoça. A unidade é também a que tem o maior número de alunos e terá mais turmas de ensino integral: sete. No Censo Educacional 2015, a escola registrou uma das maiores taxas de abandono escolar no ensino médio (14,8%), impulsionada pela desistência dos alunos justamente no 1º ano, de 25,3%. A situação nesse quesito só é mais grave na escola Caetano Bez Batti, de Urussanga, que teve 41% de desistências no 1º ano. 

A Ivo Silveira ainda responde pela segunda mais baixa taxa de aprovação no início do ensino médio, de 47,4%, atrás somente da Coronel Ernesto Bertaso, de Chapecó, que teve apenas 46,8% dos alunos aprovados no 1º ano em 2015.

A assistente da direção da Ivo Silveira, Elizabete Pacheco Albino não escondia a apreensão ontem à tarde, durante os últimos preparativos para a recepção dos 210 alunos:

– Os professores estão trabalhando bastante para deixar tudo pronto. Além de contar com a competência da equipe para deixar em dia as questões pedagógicas ainda temos que dar conta da parte burocrática.

A escola ainda não definiu metas específicas, mas tem expectativas de que o novo modelo se torne mais atrativo. A procura da comunidade pelas novas turmas foi grande e gerou fila de espera. Os 17 professores efetivos já passaram por capacitação e quatro temporários estão sendo contratados para completar o time. Os primeiros cinco dias serão focados em integração e dinâmica com os alunos.

Todas as 16 escolas ficam em áreas urbanas. Além disso, conforme classificação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), são unidades classificadas como nível socioeconômico médio-alto e alto (numa escala de sete), frequentados por maioria de alunos de classe média. Com exceção da Ivo Silveira, que tem ocupação de 83%, e da São Vicente (71%), de Itapiranga, todas têm menos de 70% estudantes em relação à capacidade.

A diretora de Educação Básica da secretaria estadual, Marilene da Silva Pacheco, argumenta que a escolha foi feita com base em dois critérios: primeiro, os colégios demonstraram interesse em receber o programa; segundo, tinham infraestrutura e condições para abrigar as turmas.

O edital lançado no ano passado previa que até 30 escolas – desde que tivessem o mínimo de 120 alunos no 1º ano – poderiam participar. Mais de 20 se candidataram e, após discussão com diretores, gerências regionais de educação, professores e alguns pais, chegaram ao consenso de 16.

– São escolas que realmente quiseram e nas quais os professores e a comunidade escolar abraçaram o projeto – reforça Marilene.

Todas as turmas de 1º ano diurnas dessas escolas deverão ser em regime de tempo integral. Ainda assim, elas podem oferecer o modelo convencional para as turmas da noite. Essas turmas vão seguir até o 3º ano em tempo integral. No próximo ano, as escolas já oferecerão o 2º ano nesse formato. 

Até junho, deve sair edital para adesão das escolas em 2018 e novas unidades devem ser convidadas a participar. As escolas que ainda oferecem as séries finais do ensino fundamental terão de ter encerrar o ciclo nos próximos anos para focar no ensino médio.

Os alunos do 1º ano terão duas avaliações em 2017, em março e novembro, e nos próximos dois anos apenas no final do segundo semestre para avaliar o desempenho no novo modelo. 

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Elizabete afirma ainda que nem todas as estruturas da Ivo Silveira, em Palhoça, estão 100% adaptadas ao novo formato, principalmente para acomodar aos períodos de intervalo dos alunos. Ela cita, por exemplo, a falta de um espaço de convivência e descanso dos alunos. Outras escolas precisam ainda adaptar laboratórios ou de materiais como projetores, tablets, lousa digital ou equipamentos esportivos.

Segundo Marilene da Silva Pacheco, o Ministério da Educação assegurou repasse de R$ 3,5 milhões – cerca de R$ 2 mil por aluno – que serão destinados às 16 escolas para suprir as necessidades. 

– Como as escolas foram escolhidas por adesão, a gente sempre colocava como critérios uma infraestrtutura adequada para atender em tempo integral. Essas escolas têm as condições mínimas, salvo algumas exceções como laboratórios de informática ou computadores. Mas para iniciar o programa, elas têm plenas condições – afirma Marilene. 

Por outro lado, há escolas com estruturas mais modernas, como a Elfrido Cristino da Silva, no bairro São Vicente, em Itajaí, inaugurada na segunda-feira, e a Olga Fin Travi, em Guatambu, no Oeste, que recentemente recebeu instalações novas. 

Os professores efetivos já passaram por capacitação, mas terão ainda mais quatro ao longo do ano, organizada principalmente pelos institutos Ayrton Senna e Natura, parceiros do projeto. Professores contratados em caráter temporário passarão por formação na próxima semana. 

A expectativa é que os docentes tenham mais tempo para planejar as aulas e se dedicar aos alunos. Segundo Marilene, um professor de Língua Portuguesa ou Matemática, por exemplo, encarregado de 40 horas semanais de aulas, teria de dar conta de 10 a 12 turmas simultaneamente e hoje terá duas.

Leia também: 
Os cinco desafios da educação básica em Santa Catarina em 2017

Entenda o funcionamento do ensino médio integral em SC

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