Empresas do Vale do Silício se opõem ao decreto anti-imigração de Trump - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Estados Unidos06/02/2017 | 12h11Atualizada em 06/02/2017 | 12h22

Empresas do Vale do Silício se opõem ao decreto anti-imigração de Trump

Documento assinado por 97 representantes da indústria tecnológica diz que a decisão "inflige um dano significativo aos negócios americanos, à inovação e ao crescimento"

Empresas do Vale do Silício se opõem ao decreto anti-imigração de Trump nicholas kamm/AFP
Foto: nicholas kamm / AFP
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Dezenas de empresas tecnológicas, incluindo a Apple, Facebook, Google, Microsoft e Twitter, apresentaram um documento à Justiça dos Estados Unidos contra o decreto anti-imigração do presidente Donald Trump. Entregue à Corte de Apelações, no domingo, o documento sustenta que o decreto "inflige um dano significativo aos negócios americanos, à inovação e ao crescimento".

A ação apoia um processo em curso contra o decreto, cuja aplicação foi suspensa no sábado. A lei impedia o ingresso nos Estados Unidos de imigrantes procedentes de sete países de maioria muçulmana.

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Os diretores das gigantes da tecnologia já havia se manifestado contra o decreto de Trump, que proibia durante 120 dias a entrada nos Estados Unidos de cidadãos do Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen.

O texto foi assinado por 97 representantes da indústria tecnológica, que contrata milhares de imigrantes, e argumenta que o decreto prejudica o recrutamento e a manutenção de pessoal talentoso, ameaça as operações de negócios e dificulta a capacidade das empresas de atrair investimentos para os Estados Unidos.

Na noite de sexta-feira, o juiz federal James Robart ordenou a suspensão da ordem executiva emitida pelo presidente Trump de proibir a entrada de refugiados e cidadãos dos sete países citados. Robart bloqueou o decreto liminarmente, enquanto estuda em sua totalidade o recurso de amparo apresentado pelo procurador-geral do estado de Washington, Bob Ferguson.

— A Constituição prevaleceu hoje — manifestou Ferguson, após a sentença. — Ninguém está acima da lei, nem mesmo o presidente — acrescentou.

A Casa Branca considerou a sentença "escandalosa". Trump classificou de "ridícula" a decisão do juiz.

"A opinião desse suposto juiz, que, basicamente, priva o nosso país de sua polícia, é ridícula e será revertida!", afirmou o presidente americano em uma série de tuítes.

"Quando um país não pode dizer quem pode e quem não pode entrar e sair, principalmente por motivo de segurança, é um grande problema!", publicou o presidente americano no Twitter, menos de 12 horas depois do anúncio da decisão judicial.

"É interessante que alguns países do Oriente Médio concordam com a proibição. Sabem que, se for autorizada a entrada de certas pessoas, será morte e destruição!", escreveu ainda.

Já no sábado, o Departamento de Estado interpôs uma demanda ante a Corte de Apelações para restabelecer imediatamente as medidas, no entanto o tribunal rejeitou, no domingo, a retomada do decreto.

A decisão do juiz Robart é, até o momento, a de maior alcance, embora outros juízes federais de vários Estados também tenham tomado decisões contra o decreto de Trump.

Tecnicamente, a sentença significa que, por enquanto, qualquer um com visto válido tem acesso permitido ao país. Recursos similares foram apresentados na Califórnia, Virgínia e em Nova York.


 
 
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