Falta de manutenção acentua riscos da Serra Dona Francisca, entre Joinville e o Planalto Norte de SC - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Trânsito06/02/2017 | 07h33

Falta de manutenção acentua riscos da Serra Dona Francisca, entre Joinville e o Planalto Norte de SC

Rodovia conhecida por curvas perigosas foi palco de 13 mortos em 2016, muitas por causa da imprudência

Falta de manutenção acentua riscos da Serra Dona Francisca, entre Joinville e o Planalto Norte de SC Salmo Duarte/Agencia RBS
Falta de roçada está entre os problemas Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Conhecida pelas curvas sinuosas e uma vista exuberante, a Serra Dona Francisca (SC-418) está com problemas por causa da falta de manutenção. Os ajustes precisam ser feitos para diminuir o risco de acidentes na rodovia que liga Joinville ao Planalto Norte e que já foi palco da maior tragédia rodoviária de Santa Catarina. Durante a manhã da última sexta-feira, a reportagem de “AN” circulou pela estrada e registrou vários pontos em que a vegetação cobria as placas de sinalização, postes quebrados e guardrails danificados.



O maior problema está no trecho mais sinuoso da rodovia, onde placas de contagem regressiva para curvas, sinalizações que apontam subida e descida íngremes, velocidade permitida e avisos sobre o uso de freiomotor estão cobertas pela vegetação. O bloqueio acontece nos dois sentidos da rodovia, dificultando a visão dos motoristas. Alguns pequenos buracos também precisam ser tapados no decorrer das pistas.


Confira o que tinha mudado na Serra Dona Francisca um ano após acidente

Outros problemas de infraestrutura são visíveis em alguns trechos da serra. Na última curva antes do mirante, para quem segue no sentido ao Planalto Norte, um guardrail está danificado após ter sido atingido por um veículo. Mais à frente, outro está quebrado. A iluminação também precisa de manutenção porque há postes quebrados, sem lâmpadas ou suporte para elas.


A sinalização, a iluminação e os investimentos estruturais são de responsabilidade do Departamento Estadual de Infraestrutura. O superintendente regional, Ademir Machado, admite os problemas, mas afirma que o orçamento do Estado ainda não foi liberado para que seja possível realizar as melhorias.

– Temos que repor as defensas que os caminhões quebraram. Também estamos aguardando as podas de árvores e já solicitamos para fazer os consertos na iluminação porque roubaram o cabeamento de fios elétricos.

Outra obra prevista por Machado é a reposição do mirante, que foi embargado por apresentar risco à segurança dos visitantes. De acordo com o superintendente regional, o Deinfra está solicitando o projeto, que ainda não tem data para ser executado.

Órgão diz que manutenção tem sido feita
A Agência de Desenvolvimento Regional (ADR), responsável pelas roçadas e por fechar os buracos, informa que o último contrato de manutenção de rodovias de Joinville totaliza R$ 394 mil e inclui melhorias em diversas rodovias. Os valores foram aplicados no decorrer do ano de 2016 e os serviços, executados pela empresa Techno Pavimentação e Construção de Rodovias EPP, vencedora da licitação. Por meio de nota, a ADR garante que uma série de serviços foi feito nas rodovias em dezembro.

Sobre a SC-418, afirma que houve operação tapa-buraco até o quilometro 15 e que a roçada foi feita em dezembro. A agência diz que ainda fará algumas melhorias – sem especificar quais – até o quilômetro 34 da Serra Dona Francisca. Como esses últimos serviços são remanescentes de 2016, agora a ADR prepara um novo contrato para o ano de 2017, mas ainda não há previsão de data do lançamento da nova licitação.

Mudanças profundas ainda não passam de idéias
Após o acidente com um ônibus que matou 51 pessoas e deixou outras oito feridas em março de 2015, na maior tragédia rodoviária da história de Santa Catarina, autoridades políticas e empresariais se reuniram para pensar em melhorias para a rodovia. O objetivo era fazer mudanças para que os riscos de acidentes diminuíssem. No entanto, quase dois anos se passaram e nada foi feito.

Naquela época, foram discutidas ideias para criar áreas de escape nas principais descidas, abrir mais pistas onde fosse possível para ajudar na ultrapassagem de caminhões lentos, além de proibir o trânsito de veículos pesados, com cargas perigosas e de passageiros. Segundo Ademir Machado, tudo ficou apenas nas ideias porque seria um projeto grande e de valor bastante elevado.

– Foi feito aquilo que foi possível ser feito de imediato, como o reforço das defensas, as placas, a sinalização, as tachas e tachinhas na pista – conta.

427 acidentes e 13 mortes em 2016
A última morte ocorrida na rodovia foi na última sexta-feira, decorrente de um acidente envolvendo três carros e uma moto. Chovia, um carro perdeu o controle e invadiu a pista contrária, matando o motociclista.

Segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMRv) só em janeiro, foram quase 50 acidentes, acima da média mensal de 2016 (quase 36 ocorrências). Em todo o ano passado a mesma rodovia teve registro de 427 acidentes, com 736 veículos envolvidos, 297 feridos e 13 mortes. 

O comandante do posto de Campo Alegre, sargento Sandro Ludovico Moecke, diz que a rodovia é perigosa, mas que o principal ponto é a imprudência.

– Foram colocadas faixas termoplásticas no chão para os motoristas diminuírem a velocidade na região do Rio do Júlio, mas se chover podemos colocar uma viatura lá porque vai acontecer acidente. É certeza – exemplifica.

Na avaliação dele, a SC-418 está em bom estado e bem sinalizada, apesar de haver pequenos ajustes a serem feitos. Segundo o sargento, o trabalho do Deinfra e da ADR é ingrato porque não há como controlar o mato em uma rodovia com 99 quilômetros de extensão.

– Com o nosso tempo chuvoso e quente, em 15 dias o mato está o dobro do que estava antes de roçar – afirma.

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