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Saúde pública11/02/2017 | 08h05

Pacientes do SUS faltam em um a cada cinco agendamentos em Blumenau

Não comparecimento em 20,5% dos horários marcados causa transtornos no SUS

Pacientes do SUS faltam em um a cada cinco agendamentos em Blumenau Patrick Rodrigues/Agencia RBS
Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Cerca de 82 mil pessoas não compareceram a algum exame ou consulta com especialista marcada em unidades da Secretaria de Saúde de Blumenau no ano passado. O número representa 20,5% dos cerca de 400 mil agendamentos feitos na rede pública em 2016.

A ausência dos pacientes ocorre em diversos procedimentos. O atendimento inicial em fisioterapia, por exemplo, registrou 25,75% de faltas, o que representa um custo de aproximadamente R$ 15 mil aos cofres públicos. Nas consultas de infectologia o índice chegou a 27%, um prejuízo de R$ 11 mil ao município.

O motivo das faltas é uma incógnita, pois não são justificadas pelos usuários. Segundo a secretária municipal de Saúde, Maria Regina de Souza Soar, há três consequências diretas para o problema: o profissional de saúde fica ocioso, a demanda reprimida e a fila de espera aumentam.

– Só quando o usuário avisa em tempo hábil que não vai comparecer é feita a substituição. As pessoas podem e devem avisar as unidades de saúde de sua referência, conforme recebem orientação na retirada da autorização – orienta.

Entre os sete Ambulatórios Gerais (AGs) de Blumenau, foram 8.177 faltas entre janeiro e dezembro de 2016 – 54,8% registradas em apenas duas unidades: 2.818 no AG Guilherme Jensen, na Itoupava Central, e 1.662 no AG Mário Jorge, na Fortaleza.

Um dos maiores índices de falta ocorreu nas endoscopias digestivas. No ano passado mil pessoas não compareceram ao horário marcado, o que representaria R$ 53 mil ao município. Outro exame que teve grandes números de ausências foi o de mamografia de rastreamento. Das 9 mil marcações, 16,45% das pacientes não compareceram, um custo em torno de R$ 66 mil. O exame com menor índice de ausência foi o de cateterismo cardíaco, com apenas 26 ausências.

A secretaria de Saúde esclarece que, em relação aos exames, o custo não significa um gasto, mas o quanto se deixou de arrecadar com o procedimento, caso ele fosse feito. Já em relação às consultas há gasto real, pois o profissional de saúde não é pago por produção e, sim, por hora trabalhada.

Fatores para as ausências
O não comparecimento em exames e consultas da rede pública de Saúde não é apenas uma realidade local, mas brasileira. A médica, docente da Furb e Mestre em Saúde e Meio Ambiente, Karla Ferreira Rodrigues, ressalta que em Blumenau não há pesquisas sobre o absenteísmo de usuários do SUS, mas cita um levantamento feito na Bahia, em 2012, em que pacientes justificaram as faltas após entrevista. Na grande maioria dos casos, as ausências estavam relacionadas a barreiras socioculturais – dentre elas a não liberação do trabalho, o fato de não ter com quem deixar as crianças ou outra pessoa doente aos seus cuidados e por fim, o esquecimento da data e horário do exame.

– Nossa realidade não é diferente do restante do país, para o caso das consultas devem prevalecer as condições sócio-culturais e no caso da atenção básica deve prevalecer a questão de organização da demanda por parte do serviço – ressalta Rodrigues.


Atendimentos podem ser reagendados
No Ambulatório Geral da Velha Grande há um balanço, feito mensalmente, com o número de faltas em exames pré-agendados no quadro de avisos. Segundo a diretora de Ações em Saúde de Blumenau, Andrea da Silva, responsável pelos ambulatórios gerais, o aviso é colocado em algumas unidades pela própria equipe e serve como alerta aos pacientes:

– É uma estratégia de apresentar no mural até para que todos percebam o quantitativo de atendimentos que não foram prestados porque não houve cancelamento. É preciso tentar trabalhar com a população esta questão da conscientização. Marcou, não tem condições de ir? Desmarca, avisa com tempo hábil – explica ao enfatizar que esta é uma luta que se tem dentro do SUS em todo o país.

Independentemente do motivo da falta, a consulta pode ser reagendada. Os casos são avaliados pela unidade solicitante e Central de Regulação e não necessariamente vão para final da fila, mas seguem um fluxo de avaliação do médico assistente e médico. O importante é que os usuários do sistema de saúde avisem com antecedência.

– As pessoas que não necessitam mais da consulta agendada ou que resolveram seu problema de alguma outra forma devem entrar em contato com a unidade de saúde e comunicar a desistência com antecedência mínima de 24 horas para que os funcionários possam reorganizar a agenda e chamar um novo paciente no lugar – informou a secretaria de Saúde, via assessoria de imprensa, ao confirmar que por conta da demanda profissional as confirmações de consultas e exames, via telefone, não ocorrem mais em Blumenau.


Os números

400 mil

marcações foram agendadas para 2016

318 mil
consultas e exames foram feitos

82 mil
agendamentos não foram cumpridos

20,5%
é o percentual de faltosos, segundo a secretaria de Saúde


Fonte: Secretaria de Saúde de Blumenau

JORNAL DE SANTA CATARINA - Blumenau

 
 

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