Unimed Grande Florianópolis tem queda de médicos credenciados e clientes   - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Saúde suplementar13/02/2017 | 03h01Atualizada em 24/02/2017 | 17h49

Unimed Grande Florianópolis tem queda de médicos credenciados e clientes  

Unimed Grande Florianópolis tem queda de médicos credenciados e clientes   Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Clínica Tio Cecim se descredenciou Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Os reflexos da crise da Unimed Grande Florianópolis já são sentidos pelos usuários. A unidade, que é a primeira e maior operadora do sistema Unimed em Santa Catarina, perdeu 28,6 mil clientes em 2016, o que representa uma queda de 12,4% – perda acima da registrada nas operadoras do Estado, que terminou o ano com 1,7% a menos do total de 1, 5 milhão de clientes. A unidade acumula 13% do total de beneficiários catarinenses e nos anos anteriores vinha crescendo acima da média estadual.

Essa primeira queda da Unimed Grande Florianópolis desde 2011, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é impulsionada pela crise econômica do país e por dificuldades internas. A unidade da Capital tem uma dívida de R$ 126 milhões, fechou a unidade de pronto-atendimento do bairro Trindade em 2016, está prestes a fechar um hospital em São José e tem tido descredenciamento de médicos – entre 2013 e 2016 a queda de profissionais foi de 10%.

As mudanças no atendimento geraram superlotação em algumas clínicas conveniadas, que têm dificuldades em atender a demanda. A Clínica Tio Cecim, credenciada há 20 anos ao plano, por exemplo, encerrou o contrato por conta da reclamação dos usuários – cerca de 1,5 mil consultas por mês eram realizadas através do convênio.

– A Unimed era o nosso principal parceiro, 55% dos nossos usuários eram do plano. Reduziu muito o atendimento, mas voltamos a ter qualidade. Não tínhamos estrutura para a demanda crescente, as mães ficavam duas horas esperando para atendimento. Todo dia tínhamos que responder reclamação – explica o pediatra e diretor técnico Cecim El Achkar, cooperado da Unimed desde 1981, e que junto com 19 profissionais da clínica, se descredenciou no ano passado. 

O pediatra diz que o espaço atende outros 10 convênios. A Unimed, segundo ele, era a que pagava menos e a remuneração aos médicos estava abaixo do mercado.

Desde 2013, a Unimed Grande Florianópolis apresenta queda gradativa no número de médicos cooperados. De 1.806 caiu para 1.619 em 2016, número menor de médicos do que a cooperativa tinha em 2010. No ano passado, 42 médicos deixaram de atender pelo plano. 

O cirurgião pediátrico Maurício Pereima, cooperado há 25 anos, pondera que por ser uma cooperativa, a remuneração dos profissionais sofre os impactos da situação interna da operadora. Ele destaca que antes ela era o convênio que mais bem remunerava, mas hoje, com os descontos, fica abaixo dos demais.

– Ela está fazendo retenção neste mês, por exemplo, de 30% no valor dos honorários dos médicos para ajudar a cobrir o déficit – diz. 

Cooperativa diz que não houve prejuízos à qualidade

O presidente do Conselho de Administração da operadora, Théo Bub, reforça que o pagamento da dívida será feito com a venda do Hospital Unimed, em São José. A instituição, que responde por cerca de 10% das internações dos pacientes do plano na região, está em fase de negociação e a expectativa é de finalização do negócio até abril. A diretoria estuda fechar parceria com o Hospital Infantil Joana de Gusmão, já que ficará sem UTI pediátrica na Grande Florianópolis.

O fechamento está sendo acompanhado de perto pelo Ministério Público de SC. A 33ª Promotoria de Justiça, que atua na área da saúde, abriu inquérito civil para acompanhar a venda e verificar possíveis prejuízos no atendimento.
Sobre a queda de usuários, Bub atribui à crise econômica do país:

– Trabalhamos muito com planos de saúde empresariais, com a crise econômica que o país está enfrentando houve uma fuga do sistema Unimed ou porque passaram a não pagar mais plano de saúde ou porque mudaram para planos mais baratos.

O superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), Luiz Augusto Carneiro, lembra que no país houve redução de 1,4 milhão de usuários em 2016, que foi puxada, principalmente, pela retração dos postos de trabalho com carteira assinada, já que 66% dos planos no país são empresariais.

Bub garante que, apesar da queda de beneficiários, não houve prejuízos à qualidade e que a unidade já conseguiu melhorar o tempo de resposta de atendimento de procedimento, por exemplo. Antes, demorava em média de 10 a 15 dias para um pedido de exame de mais complexidade, hoje está em quatro dias.

– Neste um ano de gestão conseguimos economizar em despesa administrativa cerca de R$ 35 milhões e conseguimos crescer em faturamento bruto 10%. Estamos caminhando contra a corrente da crise que existe no Brasil inteiro – diz. 

Longa espera por consultas é a principal consequência

O principal impacto das mudanças na vida do usuário é a dificuldade para marcar consultas e obrigação de trocar de médico, nos casos em que o profissional que o acompanhava tenha deixado o plano. Foi o que aconteceu com a empresária Andréia Oliveira Sandri Coelho, 45 anos. Ela precisou de uma consulta de urgência com um neurologista no fim do ano passado e só havia agenda para dali alguns meses. Resolveu recorrer a uma consulta particular para resolver o problema. A ginecologista que a acompanhava parou de atender pelo plano, assim como a pediatra da filha. 

– Muitos médicos não trabalham mais com o plano. Tu pagas uma mensalidade por mês e ainda acaba tendo que pagar particular ou tendo que optar por um médico que não conhece.

Andréia mudou de plano de saúde Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

A insatisfação aliada à necessidade de cortar custos, levou Andréia a trocar o plano de saúde da empresa, que no total conta com 16 usuários. 
Em algumas das principais clínicas de Florianópolis, a média de espera para uma consulta fica em torno de dois meses. A reportagem tentou marcar consulta com ginecologista na Clínica Santa Helena e com um ortopedista de coluna na SOS Ortopedia na primeira semana deste mês e só havia data disponível no final de março. Já na Unicardio, só conseguiu consultas com cardiologistas para o mês de abril e na Ultralitho Centro Médico, o endocrinologista só tem agenda em junho.

– Tem algumas especialidades em que há dificuldade de agendamento, quando o número de profissionais da área é pequeno, não vale a pena para eles entrar em convênio algum – justifica o presidente da Unimed Grande Florianópolis, Théo Bub. 

Ele acrescenta que cada vez que um cliente procura atendimento e não consegue, deve procurar a Unimed Grande Florianópolis. Caso não consiga algum prestador, a operadora autoriza a consulta particular.

O aposentado Erico Neves, 70 anos, junto com a esposa, Lígia Helena, pagava cerca de R$ 800 pelo plano de saúde mais básico da Unimed Grande Florianópolis. Há três anos desistiram do convênio que tinham há 20 anos. Resolveram colocar em uma poupança parte do que gastavam com plano de saúde para cobrir as consultas particulares, que giram em torno de 
R$ 300. Em algumas ocasiões, também recorrem a consultas e exames em unidades de saúde do SUS. 

– Precisei de uma consulta com cardiologista e não tinha vaga. Se pagasse, tinha no dia seguinte. Agora telefono e no outro dia já somos atendidos – conta o morador de Florianópolis.

Conceito no Reclame Aqui cai de 6,36 para 4,97

Em dezembro de 2016 foram registradas um total de 20 reclamações contra a cooperativa à ANS. Em setembro do mesmo ano foram 31, já em janeiro 21. As queixas de consumidores no site Reclame Aqui sobre a operadora se mantiveram no mesmo patamar entre 2015 e 2016, com 110 e 111 reclamações. Porém a nota dada pelo consumidor – que vai de 0 a 10 – apresentou queda de 6,36 para 4,97. A reputação, elaborada pelo portal, que leva em consideração a nota do consumidor, índice de resposta da empresa e solução, caiu de ótimo para bom. 

O presidente da Associação Catarinense de Medicina, Rafael Klee de Vasconcellos, acredita que a crise afeta o setor nacionalmente, mas na região catarinense a crise da operadora respinga em toda cadeia de saúde:

– Tem que fechar a torneira, aumentar a contribuição dos profissionais e, é claro, que alguma forma de repercussão na qualidade do serviço vai acontecer. O [descredenciamento] é um movimento que já acontecia, mas é acelerado neste momento. Outros médicos vão vir, mas o que a gente perde muitas vezes são bons profissionais, sequência de tratamento, o paciente acaba sendo afetado também, assim como toda a cadeia – diz.

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