Governador de SC se reúne com Sindicarne para avaliar impacto da Operação Carne Fraca no Estado - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Economia18/03/2017 | 19h15Atualizada em 18/03/2017 | 20h22

Governador de SC se reúne com Sindicarne para avaliar impacto da Operação Carne Fraca no Estado

Operação deflagrada na sexta-feira investiga esquema de propina para liberar produtos estragado para comercialização

Diário Catarinense
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O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, se reunirá na tarde desta segunda-feira com representantes do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne) e da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) para avaliar os impactos da Operação Carne Fraca no Estado. A informação foi dada pelo diretor-executivo do sindicato, Ricardo de Gouvêa, em entrevista à RBS TV e confirmada pela reportagem do DC com a assessoria do Executivo estadual. 

Segundo Gouvêa, o encontro deve focar, principalmente, nas consequências da investigação sobre a cadeira produtiva no Estado, como a estabilidade dos produtores, funcionários das empresas e transportadoras. 

Deflagrada na sexta-feira pela Polícia Federal, as revelações da operação mostram que empresas como BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, e JBS, dona das marcas FriBoi e Seara, maquiavam produto estragado para comercialização. Em Santa Catarina, foram cumpridos mandados judiciais no frigorífico Rainha da Paz, em Itajaí, e no Peccin Agroindustrial, em Jaraguá do Sul. Ambos têm sede no Paraná. Também houve busca e apreensões em Porto Belo e Balneário Camboriú, mas os alvos não foram divulgados.

Gouvêa criticou o modus operandi da Polícia Federal e do Ministério Público nesta operação. Segundo ele, o processo deveria ter sido feito "com mais responsabilidade", já que as duas empresas alvo da Carne Fraca no Estado são apenas filiais. O diretor-executivo ainda ressalta que, apesar de defender as investigações, os resultados abalaram o Estado, colocando em risco o emprego de famílias e o sustento de agricultores. Por nota, o Sindicarne e a Acav já haviam se manifestado na sexta-feira, pontuando que "os fatos apurados representam lamentáveis exceções dentro da cadeia produtiva".

Atualmente, SC é o maior exportador de frango e de carne suína do país. No primeiro bimestre, registrou crescimento de 23% no valor dos embarques ao exterior, o primeiro aumento para o período após dois anos de queda consecutiva. O frango é o principal produto da pauta de exportações catarinense, e a carne suína ocupa o terceiro lugar, atrás da soja. O Estado está, hoje, em plena negociação para ampliar a abertura de mercados para a proteína animal, entre eles o da Coreia do Sul.

Empresa de Jaraguá passará por auditoria

A Peccin Agroindustrial, em Jaraguá do Sul, passará por uma auditoria a partir desta segunda-feira. A inspeção, que será feita por pelo menos quatro fiscais, deve durar dois dias. A empresa, que está fechada, pode ter o registro de inspeção federal suspenso, dependendo do resultado da ação. O dono da indústria, que foi preso na sexta-feira, segue detido em Joinville e deve ser encaminhado para a superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, nos próximos dias.

Em entrevista à RBS TV, o superintendente Federal de Agricultura em Santa Catarina, Jacir Massi, garantiu que nenhum dos 248 fiscais que atuam no Estado estão envolvidos nas investigações da Operação Carne Fraca.

— Posso assegurar aos consumidores que as indústrias no Estado de SC produzem produtos confiáveis, com salubridade e que o serviço de inspeção é eficiente, efetivo e eficaz — declarou Massi ao repórter Douglas Márcio.

Confira a entrevista completa com Ricardo de Gouvêa, diretor-executivo do Sindicarne e da Acav

Qual o impacto da Operação Carne Fraca para a indústria catarinense?

Na verdade existe um trabalha de mais de 20 anos sendo feito, atestado por inúmeros países, uma qualidade enorme da nossa carne e uma divulgação, dessa forma como foi feita, ela tem um impacto, porque ela diminui, sem dúvida, a segurança do nosso consumidor e do nosso cliente lá fora.

Com relação às exportações, o que deve acontecer agora? Como serão as conversas daqui para frente?

O mercado externo deve, provavelmente, pedir algum esclarecimento ou satisfação ao Ministério da Agricultura, que eles se expliquem e mostrem a segurança e confiança que sem foi mostrada. Com as empresas vai ser o mesmo processo. Teremos que, novamente, mostrar essa segurança. Corremos o risco de, se eles não entenderem, sermos cortados ou suspensos. Se isso ocorrer, lamentavelmente, nós colocamos em risco milhares de empregos e produtores e transportadoras no país. Não precisava desse modus operandi.

Deve haver queda nas vendas e exportações?

Olha, a gente espera que não, porque temos a certeza de uma qualidade da carne. Estamos falando de alguns funcionários que fizeram uma besteira, que não representa todo o funcionalismo. Fala de 20 e poucos frigoríficos, isso não representa nem 3% dos abatedouros, isso depois de dois anos de trabalho na Polícia Federal. Temos a certeza que temos um bom produto e uma boa qualidade, vamos ver como reage o mercado nesse sentido.

De que forma o sindicato vai acompanhar esses desdobramentos?

Teremos uma reunião com o governador na segunda-feira. Ele também está preocupado com todo o impacto social, porque o econômico, sem dúvida, já aconteceu. Vamos ver como podemos trabalhar para não ter impacto social também, desempregos e outras coisas. Esperamos que a população confie e acredite que nós temos uma carne de boa qualidade. Santa Catarina, mais uma vez, não temos nenhuma empresa daqui envolvida diretamente nessa confusão.

E a empresa em Jaraguá do Sul?

Ela foi interditada. Essa empresa, o controle dela, é no Paraná. Aqui só tem uma filial e eles não são filiados ao sindicato. Das demais empresas nossas não teve nenhuma na lista. Inclusive, não há nenhum funcionário do Ministério da Agricultura em Santa Catarina envolvido. Acho que aqui, sem dúvida, existe uma cultura, há muitos anos, de um trabalho de qualidade.

É possível dizer que a carne que vai hoje para a mesa dos catarinenses é confiável?

Sem dúvida. Não tenho a menor dúvida. Eu compraria e compro a carne (das indústrias de SC) hoje sem o menor problema. Isso foi um ponto específico de pessoas que não tiveram a conduta correta. 

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