Lideranças partidárias de SC defendem cautela em relação às delações da Odebrecht - Geral - Jornal de Santa Catarina

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DELAÇÕES13/04/2017 | 22h00Atualizada em 13/04/2017 | 22h04

Lideranças partidárias de SC defendem cautela em relação às delações da Odebrecht

Parlamentares evitam prever cenários para a política estadual em 2018

Que as delações da Odebrecht já sacudiram as estruturas da política em Santa Catarina, ninguém duvida. Mas algumas das principais lideranças partidárias no Estado pregam que ainda é cedo para projetar cenários ou arriscar quem sairá ganhando e quem sairá perdendo com os desdobramentos da Lava-Jato. Nas palavras do deputado federal e presidente estadual do PMDB, Mauro Mariani, as notícias dos últimos chegaram como um "tsunami" no meio político. 

Uma das consequências imediatas das investigações, diz o deputado, é o impacto na agenda política. Segundo Mariani, a presidência da Câmara Federal já convocou a base aliada para uma reunião na terça-feira como forma de garantir quórum em Brasília. Em relação às eleições do ano que vem, o deputado reforça a instabilidade do cenário para evitar qualquer previsão. 

—No Brasil de hoje você não consegue prever o que acontecerá em uma semana. Imagina, então, em um ano. O cenário político está muito instável, as coisas mudam a cada semana - avalia.

Deputado federal pelo PP e presidente do partido no Estado, Esperidião Amin também considera grande o impacto das delações nas políticas catarinense e nacional. No entendimento do parlamentar, a situação fragiliza o Congresso em meio às votações das reformas política e da previdência, além da recuperação fiscal dos Estados, porque os relatores dos projetos estão sob investigação.

Amin, no entanto, entende que a dimensão das consequências vai depender do rumo das investigações.

—Há o joio e o trigo. Inquérito por corrupção passiva, ativa ou lavagem de dinheiro é uma coisa. Inquérito por falsidade ideológica eleitoral tem outra natureza, outro rito de prescrição. Politicamente tudo é importante, mas com o tempo haverá nítida distinção destas questões do ponto de vista penal — analisa.

O presidente da Assembleia Legistativa de Santa Catarina (Alesc), Silvio Dreveck (PP), defende que é preciso ter cautela antes de inocentar ou acusar nomes políticos com base apenas em delações. A sequência dos trabalhos na Assembleia, garante o deputado, será garantida nos próximos dias, incluindo a liberação de projetos que tratam de concessões.

—A Alesc vai dar sequência aos trabalhos e penso que o governo também. O Estado não pode ter prejuízo. Isto é uma delação. Qualquer julgamento precipitado pode ser ruim para um lado e para o outro. Nada melhor que esperar o julgamento dos fatos — aponta.

O deputado estadual e presidente do PSDB em SC, Marcos Vieira, também adota discurso moderado ao tratar das delações.

—A gente recebe informações de todos os lados sobre quem teria envolvimento, depois ouvimos que os delatores são contraditórios em suas delações. De outra parte, as pessoas negam. Somos favoráveis às investigações, mas não posso julgar antecipadamente — pondera. 

A reportagem tentou contato com o líder do PSD no Estado, deputado Gelson Merisio, mas não teve sucesso. O presidente do PT em SC, Cláudio Vignatti, também foi procurado, mas disse ter voltado recentemente de viagem e ainda buscava se informar sobre as delações.

O QUE DIZEM

Silvio Dreveck
, presidente da Alesc e deputado estadual pelo PP
"É muito cedo para qualquer avaliação. São citações de um delator. Não posso ter qualquer avaliação desse cenário porque já vimos muitos fatos em que houve citações e as pessoas depois conseguiram provar o contrário. A Alesc vai dar sequência aos trabalhos e penso que o governo também".

Mauro Mariani, deputado federal e presidente estadual do PMDB
"Arriscar qualquer prognóstico agora é bobagem. O que mais precisamos é serenidade, está tudo muito radicalizado. As pessoas que devem explicação à sociedade o terão de fazer. No Brasil de hoje você não consegue prever o que acontecerá em uma semana. Imagina, então, em um ano. O cenário político está muito instável, as coisas mudam a cada semana".

Esperidião Amin, deputado federal e presidente estadual do PP
"Há o joio e o trigo. Inquérito por corrupção passiva, ativa ou lavagem de dinheiro é uma coisa. Inquérito por falsidade ideológica eleitoral tem outra natureza, outro rito de prescrição. Politicamente tudo é importante, mas com o tempo haverá nítida distinção destas questões do ponto de vista penal. O impacto é grande e as consequências vão depender da natureza da tipificação penal do que aconteceu".

Marcos Vieira, deputado estadual e presidente estadual do PSDB
"A gente recebe informações de todos os lados sobre quem teria envolvimento, depois ouvimos que os delatores são contraditórios em suas delações. De outra parte, as pessoas negam. Somos favoráveis às investigações, mas não posso julgar antecipadamente".

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