Mudança de horário das aulas noturnas causa descontentamento no Oeste de SC - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Educação20/04/2017 | 09h20Atualizada em 20/04/2017 | 09h25

Mudança de horário das aulas noturnas causa descontentamento no Oeste de SC

Cerca de 500 escolas estaduais são orientadas a iniciar aulas às 18h30min e encerrar até as 22h. Estudantes que precisam trabalhar temem prejuízo

Mudança de horário das aulas noturnas causa descontentamento no Oeste de SC Márcio Cunha/especial
Turmas começaram aulas com poucos alunos Foto: Márcio Cunha / especial
Cristian Edel Weiss
Cristian Edel Weiss

cristian.weiss@diario.com.br

O novo horário do ensino médio noturno em Santa Catarina, que foi antecipado em meia hora, para às 18h30min, tem gerado descontentamento em Chapecó. Em três escolas da cidade já ocorreram manifestações contrárias ao horário: Lara Ribas, Tancredo Neves e Marechal Bormann. Na Escola Marechal Bormann, onde estudam 165 alunos, segundo a direção, menos de 30 ingressaram na escola às 18h30 desta quarta-feira. Na turma de inglês do terceiro ano  de 22 alunos apenas três iniciaram a aula.

— Vai prejudicar o conteúdo, iria dar uma avaliação mas terei que adiar — afirmou a professora Cristina Costa, que também trabalha em outras duas escolas e chegou apenas cinco minutos antes de começar a aula.

Júlia Adriane Schebela, 16 anos, foi uma das que chegou no horário mas, no dia anterior, atrasou dez minutos por causa da lotação. Ela trabalha como estagiária num Centro de Educação Infantil Municipal no bairro Paraíso, longe do centro, larga do trabalho às 17h mas muitas vezes o ônibus passa só 19h30min.

— Dá tempo só de pegar um lanche – disse.

Sua colega Gisele Machado, de 18 anos, foi uma das que chegou no horário mas porque não está trabalhando no momento.

— A maioria está chegando na segunda aula – destacou.

Eric da Costa, 17 anos, que trabalha como pintor, chegou às 18h47min. Ele sai do serviço às 17h30min e precisa passar em casa para trocar a roupa suja e tomar banho. Depois caminha mais 40 minutos até a escola.

— Até pedi carona para meu pai mas não dá tempo de ele chegar do serviço e me levar — reclamou.

Um grupo de alunos ficou esperando no lado de fora da escola até as 19h, como forma de protesto.

— Quem consegue chegar antes está esperando como forma de mobilização – afirmou Douglas Mattes de Andrade, um dos coordenadores do movimento estudantil da escola.

Quando foi 19h, apenas 55 alunos ingressaram no colégio. Na turma que tinha três alunas, se somaram mais sete. Mas a maioria já saiu para ir num seminário que iria discutir a Reforma da Previdência e do Ensino Médio, no Sindicato dos Bancários. A assessora de direção da Escola Marechal Bormann, Terezinha Martins, disse que há um descontentamento geral com a mudança de horário, inclusive entre os professores. Ela afirmou que a maioria dos alunos não estão chegando no horário. A coordenara regional do Sinte, Elisabeth Maria Timm Seferein, disse que além do debate da noite desta quarta-feira, o sindicato dos professores vai  promover debates nas escolas. Ela afirmou que o transtorno é grande para uma diferença que pode dar apenas R$ 50 por mês para um professor que atua três noites, que seria a economia do Estado em evitar o adicional noturno com as aulas encerrando às 22h.

O presidente da União Municipal dos Estudantes Secundarias (UMES), Eduardo Mariuzza, disse que a iniciativa é um passo no desmonte do Ensino Médio noturno.

— Quem estuda à noite é porque tem que trabalhar, chega cansado, tem que pegar lotação e muitas vezes mora num bairro longe da escola; estamos preocupados que esse horário pode gerar aumento da evasão escolar – afirmou Mariuzza.

Ele afirmou que um documento mostrando essa realidade será encaminhado para o Governo do Estado e para o Ministério Público. Os estudantes também vão realizar outras mobilizações nas próximas semanas.

Entenda o caso

A Secretaria de Estado da Educação recomendou às cerca de 500 escolas com ensino noturno em Santa Catarina que antecipem o horário de início e término das aulas. Nas unidades em que os alunos entram às 19h, a orientação é de que passem a ingressar a partir das 18h30min, com saída prevista para em torno de 22h. Segundo o diretor de Gestão de Pessoas da secretaria, Valdenir Kruger, a medida – comunicada em ofício enviado às escolas no dia 21 de março – tem a ver com o fato de o governo do Estado não dispor ainda de uma normativa para regular o pagamento do adicional noturno a professores – recurso previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para trabalhadores urbanos, em que o valor da hora trabalhada tem acréscimo na jornada entre 22h e 5h.

*Colaborou Darci Debona

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