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Investigado por terrorismo21/04/2017 | 13h38Atualizada em 21/04/2017 | 13h51

Quem era o responsável pelo ataque a Paris na noite de quinta-feira

Vizinhos de Karim Cheurfi, morto durante confronto, dizem que o atirador foi "marcado pela prisão" e havia declarado sua vontade de matar policiais

Quem era o responsável pelo ataque a Paris na noite de quinta-feira FRANCK FIFE/AFP
Foto: FRANCK FIFE / AFP
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Karim Cheurfi, de 39 anos, que matou um policial no Champs-Élysées em Paris na quinta-feira à noite, era reincidente, obcecado com a ideia de atacar policiais, mas não era conhecido como um islâmico radicalizado. Cheurfi foi morto em uma troca de tiros com os policiais.

— Aqui, todo mundo o conhecia. Era alguém que havia perdido a razão, cujo psicológico foi realmente afetado — revelou, sob condição de anonimato, um vizinho de Cheurfi do bairro de Chelles, subúrbio a nordeste de Paris. 

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O homem disse conhecê-lo há mais de vinte anos.

— Suas ações, reações, a maneira de andar, sua atitude eram totalmente descompensadas, como se tivesse vindo de Marte — acrescenta.

Nascido em 31 de dezembro de 1977 em Livry-Gargan, outra localidade da região parisiense, foi preso em 23 de fevereiro depois de declarar a um colega, em dezembro, querer "matar policiais em retaliação ao que estava acontecendo na Síria", ter feito contatos para comprar armas e facas, uma câmera e máscaras online. Após sua detenção, foi libertado por falta de provas, de acordo com uma fonte próxima à investigação. Desde março, porém, Cheurfi era alvo de uma investigação por terrorismo, de acordo com essas fontes.

O atirador, sem ocupação conhecida, já havia passado várias vezes pela justiça, por roubos e três tentativas de assassinato. Em fevereiro de 2005, foi condenado a 15 anos de prisão por tentar matar um estudante que usava uma braçadeira da polícia e o irmão do mesmo.

O caso aconteceu em 2001: Karim Cheurfi, dirigindo um carro roubado, fugia após bater em um outro veículo. Armado com um revólver, feriu gravemente os dois irmãos que tentavam persegui-lo. Dois dias depois, tentou matar um outro policial.

Ódio contra a polícia

Libertado da prisão em julho de 2013, voltou a ser condenado em 2014 por roubo, agravado a quatro anos de prisão, mas foi finalmente colocado em liberdade condicional em 2015.

De acordo com uma fonte próxima à investigação, Cheurfi não apresentou sinais de radicalização na detenção.

— Ele foi marcado pela prisão, mas não marcado pela religião — considerou Mohammed, de 21 anos, que vive em um edifício perto do pavilhão onde Karim Cheurfi morava com a mãe. — Ele tinha um ódio pela justiça e pela polícia (...), que pode ter explodido ao sair da prisão.

Após ser colocado em liberdade condicional, não voltou a criar a problemas. 

— Ele conseguiu fazer com que esquecessem um pouco dele — diz uma fonte policial.

Seu ataque no Champs-Élysées foi reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), mas a reivindicação é questionável, já que a organização forneceu o nome de guerra de um jihadista belga chamado de "Abu Yussef o belga". Mesmo assim, uma mensagem manuscrita em defesa do "Daesh" (sigla do EI em árabe) foi encontrada perto do corpo do atirador, e um Alorão em seu carro.

Na vizinhança, Karim Cheurfi não é descrito como um homem radicalizado que poderia gravitar na nebulosa jihadista salafista.

— Ele não sabia nem usar um controle remoto, quanto mais acessar a internet e entrar em contato com o Daesh, imagino que não! — brinca Salim.

Abdel, outro vizinho de 23 anos, concorda: 

— Ele tinha ódio da polícia, da França. Ele foi marcado pela prisão. Mas associá-lo ao Daesh é bobagem.

O homem não era conhecido por ter qualquer prática muçulmana. 

— Costumo ir à mesquita, eu nunca o vi — disse Salim.

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*AFP

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