PF deflagra operação contra irregularidades no Ministério da Agricultura em Santa Catarina  - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Produtos adulterados16/05/2017 | 08h40Atualizada em 16/05/2017 | 15h25

PF deflagra operação contra irregularidades no Ministério da Agricultura em Santa Catarina 

Segundo as investigações, fiscais e diretores favoreceram ao menos duas empresas suspeitas de adulterar pescados importados da China

PF deflagra operação contra irregularidades no Ministério da Agricultura em Santa Catarina  Luiz Souza/RBS TV
Agentes da Polícia Federal em Itajaí nesta terça-feira Foto: Luiz Souza / RBS TV
Diário Catarinense
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A Polícia Federal (PF) cumpriu na manhã desta terça-feira 37 mandados judiciais em sete cidades de Santa Catarina. A operação, batizada de "Fugu", apura irregularidades feitas por diretores e fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na região do Vale do Itajaí. Segundo as investigações, servidores que atuavam na inspeção de pescados favoreceram ao menos duas grandes companhias suspeitas de adulterar quimicamente os produtos para elevar o peso dos alimentos. 

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De acordo com a PF, a suspeita é de que as importações dos pescados eram desviadas dentro de frigoríficos na cidade de Itajaí. Além dos 20 mandados de busca e apreensão, a polícia cumpriu 12 de busca pessoal. Outros cinco são relacionados à suspensão cautelar do exercício das funções públicas. A ação ocorre em Florianópolis, São José, Balneário Camboriú, Itajaí, Navegantes, Blumenau e Jaraguá do Sul. 

Durante as investigações, que já duram nove meses, foram obtidos documentos indicando que as empresas comercializavam pescados importados da China modificados. No processo de venda, peixes das espécies Panga, Merluza e Polaca do Alasca tinham adição de água e produtos químicos no interior, que entre outros efeitos elevava o peso e o valor dos produtos. A técnica aplicada nos alimentos é conhecida como oversoaking.

PF cumpre mandado de busca e apreensão em um apartamento no centro de Florianópolis nesta manhã Foto: Nain Campos / Agência RBS

Na Capital do Estado, perto das 8h a polícia fazia diligências em um edifício no centro da cidade. Ao menos três agentes entraram em um dos apartamentos e saíram do local com malotes de documentos. A informação preliminar passada pelos agentes é de que o apartamento visitado pela PF pertença a um funcionário do Mapa em SC. Na superintendência do Ministério da Agricultura, ninguém foi encontrado para falar sobre as investigações.  

Ao menos 16 pessoas já foram indiciadas na investigação – auxiliada também por funcionário do Mapa em Brasília. Os denunciados devem responder por associação criminosa, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, prevaricação, importação, venda e entrega de produto alimentício adulterado.

Nome da operação

Fugu é uma espécie de peixe chamada no Brasil de Baiacu, conhecido como uma das mais venenosas do mundo. No Japão, onde é tradição consumi-lo, somente cozinheiros com licença do governo local podem prepará-lo. O fígado do peixe é o ponto onde se concentra a tetrodoxina, o veneno que ataca o sistema central dos predadores da espécie. Para esse tipo de contaminação não há antídoto. No Japão, os cozinheiros são proibidos de jogar o fígado do Fugu no lixo comum devido à quantidade de veneno que contém nele.

Sindicato de auditores fiscais diz apoiar operação

Por meio de nota oficial, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) informa que apoia a operação da PF. Segundo o texto, a ação envolve "indicações políticas em superintendências do Ministério da Agricultura". O Anffa destaca a importância das investigações para a punição de possíveis casos de corrupção e a garantia da segurança alimentar dos brasileiros.

O sindicato termina a nota informando que os auditores "estiveram reunidos com o ministro da Agropecuária, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Blairo Maggi, no dia 10 de maio, novamente defendendo o pleito da meritocracia e a troca das indicações por servidores com comprovação de capacidade técnica, entre outros atributos. No entanto, o pedido foi negado pelo ministro. O Anffa reforça que continuará em busca da meritocracia como forma de combate à corrupção".

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