OEA não consegue fechar acordo sobre crise na Venezuela - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Cancún19/06/2017 | 23h20

OEA não consegue fechar acordo sobre crise na Venezuela

Os chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) não conseguiram, mais uma vez, chegar a um consenso sobre a declaração a respeito da crise política na Venezuela.

Em uma reunião em Cancún, no México, realizada em paralelo à Assembleia Geral desse organismo, os chanceleres puseram para votação um novo texto que havia sido discutido ao meio-dia, mas não conseguiram reunir os 23 votos - de 34 delegações - necessários. Houve 20 votos a favor, oito abstenções e cinco contra.

A sessão aconteceu na ausência da Venezuela, depois que sua chanceler, Delcy Rodríguez, retirou-se em protesto.

O projeto de declaração pede ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que reconsidere sua convocação para uma Assembleia Constituinte, que garanta o respeito aos direitos humanos e que trave um diálogo com a oposição mediado por um grupo de países.

Outra proposta apresentada por países caribenhos - que indicava a solução da crise do país sul-americano era um assunto de caráter interno - obteve 14 votos contra, oito a favor e 11 abstenções.

A Comunidade do Caribe (Caricom) propôs que a solução da crise seja "interna" e "baseada em um diálogo" entre governo e oposição, enquanto Peru, Canadá, Estados Unidos, México e Panamá sugeriram a criação de um "grupo de contato" para acompanhar a negociação.

Os ministros das Relações Exteriores abriram uma rodada de debate para determinar os próximos passos a seguir.

Esse encontro acontece antes da sessão de abertura da Assembleia Geral da OEA, em Cancún.

- Reações -

A chanceler Delcy Rodríguez, que se retirou logo no início da sessão, comemorou a falta de acordo.

"Saímos vitoriosos da Organização dos Estados Americanos (...). Agradeço as posições em defesa da Venezuela", disse Rodríguez ao canal estatal venezuelano VTV.

"Encerramos mais uma etapa, uma batalha a mais que representa uma honra para os povos que levamos à defesa da Venezuela".

"É muito triste", disse Michael J. Fitzpatrick, chefe da delegação dos Estados Unidos, antes de se pronunciar a favor de uma proposta do chanceler mexicano, Luis Videgaray, de manter a reunião de consulta aberta.

"Enquanto formos incapazes de chegar a um acordo, nas ruas de Caracas e de outras cidades da Venezuela, hoje mesmo a violência e a repressão continuam", afirmou Videgaray.

Guatemala, que presidiu a sessão, retomou a proposta mexicana e determinou que fosse declarado um recesso das consultas para retomá-las uma vez que se chegar a consensos pela via diplomática. Não se falou em datas.

"Esperamos continuar com o diálogo como organização e como Estado-membro (...). Continuamos estendendo a mão ao povo e ao governo da Venezuela na busca de uma solução pacífica e democrática" para a crise, acrescentou Fitzpatrick.

Deputados venezuelanos da oposição presentes na sede, onde aconteceu a sessão, acusaram a OEA de não ter conseguido saldar sua dívida com a Venezuela e reivindicaram que o debate seja retomado na terça-feira (20), na Assembleia Geral.

"A Assembleia pode retomar o tema venezuelano e aprovar essa resolução por maioria simples, por 18 votos. Hoje reuniram 20 votos", disse o deputado William Dávila aos jornalistas.

Luis Florido, também representante da oposição venezuelana, lamentou que "enquanto transcorria a sessão dois jovens venezuelanos estavam sendo assassinados".

O secretário-geral da OEA, o uruguaio Luis Almagro, alegou que discutir a situação na Venezuela "não é intervenção", porque "a defesa da democracia é um princípio essencial (do organismo)".

Questionado na entrevista coletiva sobre a possibilidade de que o caso seja retomado pela Assembleia, Almagro pediu "paciência", pois os objetivos em política internacional "às vezes demoram, mas vão ser cumpridos".

Mesmo que se chegue a um acordo, Almagro se mostrou cauteloso quanto a uma solução rápida para a crise venezuelana.

"Esse processo tampouco vai ser concluído hoje, ainda que tenhamos uma resolução muito forte. O tema na Venezuela vai continuar, porque a crise na Venezuela tampouco vai parar hoje", insistiu esse ex-chanceler uruguaio.

Os trabalhos da Assembleia Geral seguem até quarta-feira. A abertura aconteceu com a presença do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto.

* AFP

 
 

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