Daniela Matthes: "Calçadas e reflexões" - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Opinião03/07/2017 | 09h43Atualizada em 03/07/2017 | 09h43

Daniela Matthes: "Calçadas e reflexões"

"Era um capítulo esperado. Não só a calçada, mas o asfalto também está cedendo"

No início de junho, quando a chuva fez o rio transbordar e encharcou os barrancos, uma calçada perto de onde moro, que estava com uma rachadura que aumentava gradativamente há meses, caiu. Ali era o caminho seguro para quem segue em direção ao Parque Ramiro pela Rua Almirante Tamandaré. Era um capítulo esperado. Não só a calçada, mas o asfalto também está cedendo.

Com um buraco que convida pedestre desavisado a tomar banho no ribeirão da Velha, logo colocaram fitas e cavaletes em ambos os lados da calçada. A sinalização sumiu dias depois. Desde então, vinha pensado no risco sempre que entrava na rua onde moro, onde começa a calçada. A vida corrida me fez esquecer por dias de ligar para a Defesa Civil e pedir a nova sinalização.

No cotidiano de acontecimentos não datados, as coisas se confundem. Como jornalista que adora uma planilha de Excel, peço perdão pela imprecisão. Pois dias depois, quando chegava em casa já no início da noite, uma grande blitz ocorria naqueles arredores, quase em frente ao início da calçada-armadilha. Pensei: bom, eles estão aqui do lado, vão recolocar a sinalização. Mas a passagem continuou livre.

Lutando contra minha memória, consegui ligar para a Defesa Civil. A atendente do plantão disse que não poderia fazer nada. Passou um contato de celular do plantonista. Ele garantiu que pediria à Guarda de Trânsito que sinalizasse no mesmo dia. Era um domingo de sol, certeza de movimento no parque e nas ruas. Quem passou por ali de manhã no dia seguinte, não viu fita sequer.

Não se trata de um lugar escondido, de pouco movimento. Está próximo do principal (único?!) parque da cidade. Fica a poucos metros do batalhão da Polícia Militar, da Vila Germânica, do Corpo de Bombeiros.

Na segunda-feira pela manhã da semana passada ainda imaginei que só sinalizariam quando alguém caísse sem discrição. No início da tarde do mesmo dia uma pessoa despencou e, depois um resgate nada simples, foi levada para o hospital com o tornozelo quebrado. Poderia ter sido pior. Agora há sinalização respeitável no local.

Com o desenrolar acima não pretendo apontar culpados com dedo em riste. É um convite à reflexão de nossos papéis. Uma pena que proatividade sirva apenas para ganhar pontos em programas de avaliação pessoal em empresa privada. Se nós, cidadãos, bem como os funcionários públicos, tivéssemos o hábito da proatividade (que no meu caso poderia ter acontecido antes, admito), estaríamos bem melhor enquanto sociedade. Ganharíamos todos.

...

Declarar-se homossexual num país em que no ano passado 343 pessoas foram mortas de forma violenta por conta da orientação sexual é um ato de coragem. Ao usar a tribuna da última sessão da Câmara para afirmar-se homossexual e refletir sobre a questão, o vereador Bruno Cunha dá um passo importante. Ainda que discorde de alguns pontos do discurso, ouvir esse tipo de fala numa Casa que excluiu qualquer possibilidade de discussão de gênero dentro do Plano Municipal de Educação, que não tem nenhuma cadeira ocupada por uma vereadora e lota o auditório para receber deputado federal misógino e homofóbico, dá alguma esperança de contraponto no Legislativo municipal. 

 
 

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