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Finanças pessoais04/07/2017 | 06h00Atualizada em 04/07/2017 | 06h00

Especialistas dão dicas para saber se está na hora de morar sozinho

Pesquisa nacional mostra que um quarto das pessoas que foram morar sós estão no vermelho

Especialistas dão dicas para saber se está na hora de morar sozinho Leo Munhoz/Agencia RBS
Débora voltou a morar sozinha há sete meses Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Uma das metas do início da vida adulta é sair de baixo das asas dos pais e ter o próprio canto para chamar de seu - um importante passo para conquistar a privacidade e a independência tão sonhadas. Mas morar sozinho exige mais do que disposição para assumir tarefas do lar: há de se ter um bom planejamento financeiro para vencer as contas mensais e lidar com imprevistos como consertos e taxas extras no condomínio.

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 25% das pessoas que moram sós estão atualmente no vermelho, incapazes de honrar seus compromissos. Por outro lado, 41% estão no zero a zero, ou seja, não falta nem sobra dinheiro. Somente 23% estão no azul - e 11% não sabiam sua situação financeira ou não quiseram responder. Quase sete em cada 10 não possuem reserva financeira.

— Quem decide morar sozinho precisa prever qual será a despesa mensal em contas como aluguel, água, luz e internet. E saber que, provavelmente, terá de abrir mão de algum conforto — destaca o educador financeiro Adriano Severo.

Após dois anos casada, Débora Aline, 37 anos, voltou a morar sozinha. Há sete meses a auxiliar administrativo de Florianópolis tem que bancar sozinha as contas da casa e admite que o orçamento dá no limite:

— É apertado. O principal é ter coragem, porque não é fácil, tem as contas para pagar e às vezes fica "será que vai dar?". Mas gosto de morar sozinha, pela minha liberdade. Posso receber meus amigos e não divido o controle remoto com ninguém — brinca.

Débora diz que muitas vezes extrapola o que ganha e acumula algumas dívidas. Assim como oito em cada 10 pessoas entrevistadas pela pesquisa, ela admite não ter se preparado financeiramente para a mudança. O levantamento do SPC e CNDL mostra ainda que 34% afirmam que extrapolam o orçamento em alguns meses. A justificativa mais comum é não ter com quem rachar as despesas. 

Para o presidente da DSOP Educação Financeira, Reinaldo Domingos, um dos erros mais comuns é não se planejar e fazer um cálculo superficial de quanto vai gastar com aluguel, mas esquecer dos outros custos:

— Esses gastos dão quase o dobro do valor do aluguel, pois a pessoa tem que pagar luz, IPTU, condomínio, gás, internet, além dos intempéries de uma casa como torneira que não funciona. Se vai pagar R$ 1 mil de aluguel, teria que ganhar no mínimo R$ 4 mil para sobrar ainda para estudos e outros gastos como lazer. 

O primeiro passo, segundo o especialista, é colocar na ponta do lápis tudo o que teria que desembolsar. Feita a simulação é hora de ver se cabe no orçamento, sem esquecer de uma reserva para imprevistos, que deve ser de pelo menos três salários: 

— Tem que ver qual o propósito, por que a pessoa quer morar sozinho, afinal é uma grande responsabilidade e você passa a ter quase os custos totais de uma família.

 Dividir despesas é um caminho para fugir das dívidas

Lilian (esq.) optou por dividir as despesas do apartamento com Gabriella Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

A designer Lilian Borges Rau, 25 anos, nunca morou sozinha. Há cinco anos veio estudar na Capital e dividiu apartamento com duas meninas que conheceu na imobiliária. Agora, com emprego fixo e no apartamento comprado pelos pais, ainda opta por compartilhar a rotina e as contas:

— Foi principalmente para pagar as despesas do apartamento. O condomínio é muito caro, além disso nunca gostei de morar sozinha. 

Ela divide o apartamento com a recepcionista Gabriella Regina Santanna, 22 anos, que já morou sozinha por um ano, mas viu que não conseguia se manter sozinha.

Assim as duas conseguem economizar um pouco e ainda sobra para desembolsar para comer fora de vez em quando ou visitar os pais. A consultora financeira Cássia D'Aquino aponta que dividir as despesas é um dos caminhos para fugir das dívidas, mas alerta: é preciso encontrar pessoas com perfil responsável nos gastos e na gestão da casa, caso contrário, a má influência poderá até piorar a situação financeira.

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