Falta de balizamento noturno no Aeroporto Quero-Quero, em Blumenau, compromete procedimentos de resgate e saúde  - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Aviação06/07/2017 | 07h33Atualizada em 06/07/2017 | 07h33

Falta de balizamento noturno no Aeroporto Quero-Quero, em Blumenau, compromete procedimentos de resgate e saúde 

Investimento de R$ 1,5 milhão é necessário para permitir pousos e decolagens no local após o pôr do sol

Falta de balizamento noturno no Aeroporto Quero-Quero, em Blumenau, compromete procedimentos de resgate e saúde  Patrick Rodrigues/Agencia RBS
À noite pousos e decolagens não são permitidos no Quero-Quero. Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

São pontualmente 17h40min de um dia comum de inverno no Vale do Itajaí. O sol sai de fininho e o crepúsculo se aproxima lentamente, diferente de outras épocas do ano quando a escuridão tarda a chegar. Na BR-470, como de costume – infelizmente, é claro –, um grave acidente ocorre no limite entre Gaspar e Blumenau. Há vítimas feridas e outras presas às ferragens no aguardo pela chegada do resgate enquanto os intermináveis minutos dentro do veículo acidentado se passa. O Corpo de Bombeiros então aciona o helicóptero Arcanjo, ideal para a ocorrência já que as pistas da rodovia federal estão completamente interditadas e o deslocamento por terra demoraria preciosos instantes que podem salvar vidas. A aeronave, porém, não pode deixar o Aeroporto Quero-Quero: sem balizamento noturno – sistema de iluminação que define claramente pista e zona de pouso – os envolvidos na colisão ficarão sem o rápido atendimento pelo ar.

Essa situação embora hipotética é o principal argumento dos Bombeiros quanto à importância de se instalar o equipamento em Blumenau. Sem ele, todas as operações com o Arcanjo – e qualquer outra aeronave que queira utilizar a estrutura – ficam restritas entre o nascer e o por do sol.

– Em períodos como o que estamos agora há um tempo útil mais curto para utilizar o Arcanjo, diferente do verão, por exemplo, quando o sol se põe mais tarde. Isso sem contar outros serviços como o deslocamento inter-hospitalar por avião, feito entre Samu e Bombeiros, que envolve o transporte de órgãos. Sem balizamento, às vezes é preciso pousar em Navegantes e nesses casos cada minuto é importante. Não se pode perder tempo – argumenta o tenente Jair Pereira dos Santos Júnior, do Corpo de Bombeiros.

Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Em uma situação inevitável, por exemplo, em que o resgate do acidente demorou e a chegada ao Quero-Quero só pode ocorrer durante a noite, a aeronave poderia pernoitar no Hospital Santa Isabel – que tem heliponto homologado –, mas isso desencadeia outro problema: compromete a chegada de órgãos para transplante em um grande efeito dominó que impacta vidas. O médico intensivista Joel de Andrade, da SC Transplantes, aponta a importância de Blumenau para questões que envolvem doação de órgãos – o Santa Isabel realiza 60% dos transplantes no Estado – como principal fator motivador para o balizamento noturno do Quero-Quero.

– Tanto a doação quanto o transplante de órgãos são procedimentos que ocorrem espremidos, apertados dentro de uma logística que é cruel. O fato de se poder decolar e aterrissar no período noturno em Blumenau representa uma grande folga operacional. Assim é fácil perceber o impacto do balizamento – comenta Andrade.

Investimento de R$ 1,5 milhão resolveria
 o problema no aeroporto de Blumenau

Ontem a Secretaria Nacional de Aviação Civil devolveu à prefeitura de Blumenau o projeto do balizamento, orçado em torno de R$ 1,5 milhão. Foram solicitadas algumas pequenas adaptações que serão feitas ainda durante este mês por técnicos do município. A articulação em Brasília é feita pelo deputado federal João Paulo Kleinübing (PSD), porém, embora as tratativas junto à pasta já estejam adiantadas, o valor deve apenas ser empenhado neste ano, para que Blumenau possa utilizá-lo no ano que vem.

Para lideranças do Vale do Itajaí, a instalação do balizamento noturno do Quero-Quero é um passo pequeno – mas importante – para o sonho da expansão do aeroporto para voltar a receber voos comerciais, como ocorreu até a década de 1990 – lembra do Fokker 50 da empresa Tam? Para Cesar Wolff, ex-presidente da OAB na cidade e coordenador do Comitê em Prol do Aeroporto Regional de Blumenau (Copraer Blumenau) – entidade recém-criada para cobrar melhorias no local –, a estrutura pode se tornar uma referência para Santa Catarina.

– O comitê vai reunir informações, olhar os anseios da comunidade, os desejos de quem usa o aeroporto e também para que possa cobrar do poder público um projeto viável imediatamente e também a médio e longo prazo. Outras cidades que têm seus aeroportos regionais já estão operando e Blumenau está muito próximo de receber um belo equipamento, quem sabe até com voos comerciais – destacou em entrevista à RBS TV.

– Fazer o balizamento noturno e garantir segurança no sítio aeroportuário (área que engloba o aeroporto) são condições essenciais para a expansão do aeroporto no futuro – complementa o ex-prefeito de Blumenau e maior entusiasta pelo Quero-Quero, Felix Theiss.

Recentemente a prefeitura de Blumenau iniciou o estudo para a concessão do Quero-Quero e, embora incipiente – como antecipou o colunista Pedro Machado na edição de 4 de julho –, a ideia é uma outra possibilidade para tomar a operação comercial no local. Para que o aeroporto possa voltar a receber esse tipo de voo, terá, além de instalar o balizamento noturno: homologar toda a pista – hoje apenas 1.080 dos 1.450 metros são regularizados junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac); adaptar a entrada da Rua Franz Volles; construir um novo terminal de passageiros; criação de um centro administrativo para o aeroporto e garantir uma poda regular de árvores em morros próximos. Um passo de cada vez, é claro.

 
 

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