"Minha luta não terminou aqui", diz vereadora que levantou suspeitas de esquema em Camboriú - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Plano Diretor07/07/2017 | 03h00Atualizada em 07/07/2017 | 18h57

"Minha luta não terminou aqui", diz vereadora que levantou suspeitas de esquema em Camboriú

Servidores de Camboriú, Ilhota, Guaramirim, Itajaí, Bombinhas, Lages, Penha e Tijucas teriam agido ilegalmente em mudanças no plano diretor

A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que teve seus principais desdobramentos em Camboriú, apura a obtenção de vantagens por parte de políticos e servidores públicos em troca de emendas que beneficiariam empresários do ramo da construção civil. O ponto de partida foi o depoimento da vereadora de Camboriú Jane Stefenn, que em dezembro de 2015 procurou o Gaeco para denunciar negociações de vereadores envolvendo o plano diretor da cidade. A reportagem do Diário Catarinense conversou com a vereadora.

O que levou a senhora a denunciar esse esquema?

A minha angústia de ver que nada acontecia. Nós procuramos muito o Ministério Público, não havia resultado. A votação (do plano diretor) já estava marcada, e nada acontecia. A gente não conseguia parar a votação. Dias antes eu tive a escolha de procurar pelo Gaeco e ter, pelo menos, a última tentativa. Fiz as denúncias, consegui uma prova na época que foi muito importante, para que fosse autorizado esse processo, e tive de presente antes da segunda votação que a juíza tirasse o plano diretor da casa. Só tenho a agradecer que a Justiça esteja sendo feita, que as coisas estejam sendo esclarecidas, e principalmente, que essa denúncia sirva de lição. 

De que forma acontecia o esquema?

Era um grupo, depois eu tive inclusive depoimento de um dos vereadores que recebeu também oferta. Um grupo chamado plano diretor. As negociações, as reuniões eram sempre movimentadas, tinha essas especulações — "Por que você não faz parte do grupo? Pensa em você, pensa na sua família". E a coisa estava muito escancarada. A cidade ia ser prejudicada. Ouvi de um colega como seria, que ele receberia um valor na segunda votação e outro quando derrubassem o veto do Executivo. Aí ficou comprovado.

Que valor era esse?

Eram R$ 20 mil, mas a negociação até onde se sabia ultrapassava, era muito dinheiro. Escutei que chegava a R$ 100, 200 mil. 

A senhora tem algum receio?

Medo a gente tem, mas eu acho que se a nossa coragem não superar o medo a nossa cidade não muda, o Estado não muda, a política não muda. Ser honesto é um dever, ter coragem é uma escolha. Mas se não tivermos coragem não muda nada, nada acontece. 

E a sua vida política, como fica? A senhora acredita que vai ser beneficiada por isso?

Se vai me favorecer politicamente, eu não sei. Medo? Assustada? Estou, se dissesse que não estaria mentindo. Minha luta não terminou por aqui.

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