Morre Ramiro Gregorio, ícone do rádio catarinense, em Joinville - Geral - Jornal de Santa Catarina

Versão mobile

Obituário13/07/2017 | 09h43Atualizada em 13/07/2017 | 12h20

Morre Ramiro Gregorio, ícone do rádio catarinense, em Joinville

O radialista tinha 82 anos e era responsável pela implantação de várias emissoras na região Norte e Nordeste de Santa Catarina


Seu último grande projeto foi a criação da rádio Joinville Cultural, emissora educativa ligada ao setor cultural da Prefeitura de Joinville Foto: Cristiane Serpa / Agencia RBS

Morreu na manhã desta quinta-feira, 13 de julho, o radialista Ramiro Gregório da Silva. Ele tinha 81 anos e estava no Hospital da Unimed, em Joinville. Natural de Pomerode quando o município ainda pertencia à Blumenau, Ramiro tinha atuação forte em rádios de todo o Estado. Seu último projeto foi a implantação da rádio educativa Joinville Cultural, um sonho antigo de ter uma emissora de rádio mantida pelo órgão público responsável pela cultura da cidade. 

Ramiro era casado desde 1956 com Lola Rossi da Silva, com quem teve duas filhas: Marlise e Lucienne, e tem dois netos: João Guilherme e João Gabriel. 

Segundo a filha, Marlise, Ramiro estava internado há uma semana na UTI do Hospital da Unimed. Diagnosticado há cerca de cinco anos com Alzheimer, ele morreu por insuficiência renal, um agravante da doença degenerativa. O velório ocorrerá na capela 4 da Borba Gato a partir das 16h30 e o enterro será às 10 horas de sexta-feira, também no Cemitério Municipal de Joinville. 

Marlise conta que há uma parede do apartamento em que vivia totalmente ocupada por quadros com homenagens e títulos recebidos ao longo dos 60 anos de carreira como locutor, jornalista e pela vida na política. Entre todas, a radiodifusão sempre foi a grande paixão.

— Ele acordava, comia, respirava e dormia rádio. A vida dele era fazer rádio e correr atrás da perfeição — relembra a filha.   

Ramiro deixou a cidade natal e mudou-se para Curitiba aos 17 anos, onde viveu as primeiras experiências em rádio, como narrador de textos comerciais. Na realidade, ele se mudara para a capital paranaense em busca de trabalhos e conseguiu vaga como office-boy na Companhia de Cimento Portland Rio Branco, e, depois, como arquivista na Importadora Americana. Nos fins de semana como frequentava os programas de auditório nas rádios PRB-2 e Guairacá, fez amizade com o locutor e conseguiu alguns espaços para aprender o trabalho de narrador.

 Em entrevista para o jornal A Notícia em 2012, ele recordou aquele período.

— Eu tinha uns 17, 18 anos, e isso aconteceu assim: eu achava muito bacana o trabalho em rádio, ia para a rádio Jaraguá, que era a única em Jaraguá do Sul, e ficava do lado de fora mesmo. Mas achava maravilhoso o trabalho dos locutores, dos cantores que se apresentavam ao vivo... — contou.

Quando voltou para Santa Catarina, foi morar em Jaraguá do Sul e passou a comandar a programação musical da rádio que havia inspirado o início de sua carreira. Depois, passou por emissoras de Indaial, Blumenau, Gaspar e Brusque até se fixar em Joinville, a convite do amigo de profissão Jota Gonçalves.

Em Joinville, cidade que escolheu para viver com sua família, foi o responsável por instalar e administrar as rádios Cultura AM e a Difusora, ainda na metade do século 20; e pelo projeto e implantação das rádios educativas Joinville Cultural e Rádio Udesc — esta, a primeira rádio educativa de Santa Catarina. 

Integrou também a equipe da Rádio Colon AM, como redator e comunicador, foi acionista e superintendente da Rádio Difusora AM e, simultaneamente, das Rádios Guarujá e Antena 1, em Florianópolis. Foi secretário de turismo de Joinville e de Barra Velha, onde implantou a rádio Aquarela.

O radialista Paulo Marttini, que atuou ao lado de Ramiro nos últimos anos de sua carreira na implantação das rádios Udesc, Aquarela e Joinville Cultural, lembra que ele era um perfeccionista em sua paixão pela radiodifusão, sempre dedicado a oferecer a melhor experiência para o ouvinte. 

— Ele era muito exigente nas questões técnicas, administrativas e artísticas. Não sossegava até que o som estivesse muito bom, a ponto de ligar à uma da manhã e dizer "estou ouvindo um ruído no fundo, vocês não acham?" — recorda Paulo.

O radialista conta que há cerca de duas semanas, Ramiro visitou a rádio Joinville Cultural. Ainda que o Alzheimer tenha começado a levar suas memórias, ele ainda pode se emocionar com os elogios e agradecimentos dos funcionários da emissora educativa que ajudou a fundar. 

— Foi como uma despedida — comenta Paulo — Ele me ensinou tudo o que sei sobre radiodifusão. Dizia que tínhamos que ser educados porque entrávamos na casa das pessoas sem pedir licença, por isso precisávamos falar com zelo e comunicar muito bem. Era muito exigente, mas sempre ensinava todos os funcionários.  

Ramiro foi responsável pela cobertura, em 1969, do concurso de Miss Universo em Miami, nos Estados Unidos, acompanhando a blumenauense Vera Fischer, que representava o Brasil. Na mesma viagem, acabou acompanhando e narrando para os catarinenses sobre a subida da Apollo 11 e a chegada do homem na Lua, que ocorreu no dia seguinte ao Miss Universo. 

Entre os prêmios e títulos recebidos, está o de Cidadão Honorário de Joinville, Cidadão Benemérito de Barra Velha, Troféu Assis Chateaubriand e Medalha do Mérito Anita Garibaldi.

Siga Santa no Twitter

  • santacombr

    santacombr

    Santa"O corte de despesas é o caminho para o país crescer", disse Henrique Meirelles na Fiesc https://t.co/RopkDeryEE #LeiaNoSantahá 1 horaRetweet
  • santacombr

    santacombr

    SantaPedro Machado: Meirelles é visto com bons olhos pelo mercado, mas só isso não basta https://t.co/vJtxZhOyYC #LeiaNoSantahá 6 horas Retweet
Jornal de Santa Catarina
Busca