Nove a cada mil crianças apresentam uma cardiopatia congênita  - Geral - Jornal de Santa Catarina

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A nova batida de Laura 08/07/2017 | 09h40Atualizada em 08/07/2017 | 13h43

Nove a cada mil crianças apresentam uma cardiopatia congênita 

Mesmo que a criança cresça sem sintomas, cardiopatia acarreta graves problemas de saúde ao longo dos anos

Nove a cada mil crianças apresentam uma cardiopatia congênita  Salmo Duarte/Agencia RBS
Médico Carlos Henrique Gori Gomes, cirurgião cardiovascular, explica os procedimentos da cirurgia  Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS
Gabriela Florêncio
Gabriela Florêncio

gabriela.florencio@an.com.br

Mesmo que Laura mantivesse uma rotina normal, a cardiopatia acarretaria graves problemas de saúde ao longo dos anos. De acordo com o cirurgião cardiovascular, Carlos Henrique Gori Gomes, com o passar do tempo o coração da menina ficaria cansado, fazendo com que as tarefas mais simples, como tomar banho, fossem difíceis de serem realizadas. Ela começaria a ficar debilitada e o seu rendimento diminuiria ao extremo.

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A DSAV é uma cardiopatia que nasce com a pessoa e é caracterizada pelo hiperfluxo pulmonar, ou seja, acontece um aumento no volume de sangue enviado para o pulmão. Essa fuga é permitida por causa de um defeito na abertura das duas válvulas do coração e ocorre do lado esquerdo para o lado direito do órgão.

– Ainda que o problema dela seja pequeno, toda cirurgia é de risco. Qualquer falha no decurso do procedimento (desde o acompanhamento pré até o pós-operatório) pode comprometer todo o processo – salienta.

Segundo o médico, ainda que a chance de cura em cardiopatia não seja alta, a qualidade de vida do paciente aumenta significativamente após o procedimento. Para Gomes, o diagnóstico precoce é fundamental para que o problema possa ser corrigido logo nos primeiros meses de vida do bebê e para que aumente a chance de cura.

– A cada mil crianças nascidas, nove apresentam uma cardiopatia congênita. Por isso é essencial que seja feito o acompanhamento do coração desde a gestação até depois do nascimento, por meio do teste do coraçãozinho – completa.

Laura foi uma das crianças nas quais a diagnose não ocorreu nem no período gestacional e nem no pós-parto. Depois de quase dois anos da primeira suspeita do sopro, a menina foi encaminhada para a cirurgia cardíaca no Hospital Infantil de Joinville. Em junho deste ano, mãe e filha viajaram mais de 500 quilômetros – de Chapecó até a cidade do Norte de SC – para que a criança ganhasse uma nova batida para seu coração.

As duas foram internadas na unidade hospitalar um dia antes do procedimento cirúrgico. Mesmo com a iminência da operação, a garotinha não perdeu a calma. Constantemente trocava olhares cúmplices com a mãe, enquanto prestava atenção no médico cirurgião, que explicou de forma lúdica o processo.

– Imagine uma casa de quatro cômodos, o coração também tem quatro câmaras: dois átrios e dois ventrículos. Nessa casa tem uma sala e uma cozinha em cima (átrios) e dois quartos embaixo (ventrículos). Existem quatro paredes dividindo essa casa: entre a cozinha e um quarto e entre a sala e outro quarto tem uma porta. No coração tem as duas válvulas, que deveriam ser assim, mas na Laura essa emenda das quatro paredes não existe – explica.

Longe da menina, o cirurgião chamou apenas Adriane entre os corredores do hospital para esclarecer, de forma prática, sobre o passo a passo da cirurgia e os possíveis riscos.

– Eu cuido muito dela, doutor. Ela é tudo para mim. Me ajuda.

– Pode ficar tranquila, mãe, que vou cuidar como se ela fosse minha filha – disse Gomes.

Sintomas
Principais sintomas das cardiopatias congênitas:
- Apatia;
- Falha no desenvolvimento, criança ganha pouco peso e altura;
- Bebê extremamente gemente (chora demais);
- Sudorese;
- Não consegue mamar direito porque cansa;
- Falta de ar;
- Pele roxa ou pálida;
- Desmaios frequentes;
- Palpitação.

 
 
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