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Economia15/07/2017 | 03h00Atualizada em 15/07/2017 | 03h00

Portos em Santa Catarina fecham semestre com retração média de 1%

Fechamento das operações por condições climáticas e perda de cargas para outros terminais estão entre os fatores que explicam a queda

Portos em Santa Catarina fecham semestre com retração média de 1% Lucas Correia/Agencia RBS
Complexo de Itajaí teve os melhores números para o período Foto: Lucas Correia / Agencia RBS

Apesar de um bom começo de ano para o comércio exterior catarinense, que fechou o primeiro semestre com alta de 19% nas exportações e 16% nas importações, os reflexos ainda são tímidos para o setor portuário do Estado. Em média, os terminais tiveram saldo negativo de 1% na movimentação frente ao mesmo período do ano passado. 

O saldo positivo de três dos quatro portos foi insuficiente para deixar o resultado no azul. Vítima da oscilação cambial, que prejudicou principalmente a venda de soja e milho para o exterior, Imbituba, no Sul do Estado, calcula queda de 10% na movimentação. Além disso, o mau tempo, que levou o complexo portuário em Itajaí a suspender as operações por cerca de 20 dias entre maio e junho, também contribuiu para frear o avanço da movimentação.

Em Imbituba, no comparativo com os primeiros seis meses do ano passado, o total movimentado registrou queda de cerca de 232,7 mil toneladas, uma redução de 10% sobre 2016, o pior desempenho entre os portos catarinenses. Na outra ponta, o complexo de Itajaí teve os melhores números para o período, com alta de 3% na movimentação geral. 

Os trabalhos de dragagem para a recuperação da profundidade do complexo, que recuperaram o calado e, consequentemente, do aumento de volume de cargas movimentadas pelos navios, é um dos fatores citados para explicar o crescimento.

— Observamos que houve um crescimento da tonelagem média transportada pelos navios na ordem de 9% em junho e que só foi possível pelo fato de estarmos realizando a dragagem. Mesmo com os berços comerciais do porto público estando interditados, devido à recuperação de um de seus berços, a própria APM Terminals teve um acúmulo de 7% de crescimento nas cargas de contêineres — diz o superintendente do Porto de Itajaí, Marcelo Werner Salles.

Alta no Norte catarinense

Os portos de Itapoá e São Francisco do Sul, no Norte do Estado, tiveram alta de 2% e 1% respectivamente. Em Itapoá, o número recorde na movimentação de contêineres durante o mês de junho foi substancial para o resultado positivo do semestre. Já em São Francisco do Sul o crescimento de 1% é resultado, principalmente, dos embarques de vergalhões de aço, que tiveram alta de 95%.

— A exportação de siderúrgicos teve aumentos consideráveis e isso denota que a nossa economia está mesmo reagindo. O que realmente pesou foi a exportação do milho, impactada pela oscilação do câmbio — avaliou o presidente do Porto de São Francisco do Sul, Arnaldo S. Thiago. 

Expectativa de retomada na segunda metade de 2017 

Se a previsão de tempo bom nos próximos meses se concretizar, possibilitando o desafogamento de cargas impedidas de sair dos portos entre maio e junho, os próximos meses devem fechar positivos para os portos catarinenses. Para Hilda Maria de Souza Rebello, especialista em Gestão Portuária e coordenadora do programa de pós-graduação em Gestão, Internacionalização e Logística da Univali, a movimentação extra vai impactar nos números gerais no Estado, resultando em crescimento no segundo semestre em SC. 

A projeção de bom desempenho também reverbera entre as administrações dos portos no Estado. A expectativa é de que a movimentação no litoral catarinense, principalmente nas importações, acompanhe a boa fase nacional. Entre os portos, Imbituba, que desde junho está credenciada para receber navios asiáticos, espera dobrar o número de contêineres com a nova linha. Itajaí também aposta no retorno dos serviços da Ásia no segundo semestre. 

— A retomada das obras do berço 3, a previsão de concluir os trabalhos até o final deste ano, a conclusão da dragagem de profundidade do canal, retorno da linha Ásia, obras de recuperação do berço 1 da APM Terminals... Todos esses itens são indicativos de que iremos alavancar e aumentar a capacidade de movimentação de cargas, resultando num segundo semestre muito produtivo — projeta o assessor de direção do Porto de Itajaí, Heder Cassiano Moritz.

Itapoá também aposta em obras de expansão. Até maio do ano que vem, a operação deverá abranger 100 mil metros quadrados de pátio e 170 metros de píer. As novas dimensões terão capacidade adicional para movimentar até 1,2 milhões de TEUs. São Francisco do Sul também fará melhorias estruturais. Está previsto, além de obras de dragagem no canal de acesso, o asfaltamento e a reforma dos berços e do pátio.

— Também vamos procurar acelerar os processos licitatórios — diz o presidente Arnaldo S.Thiago. 

Dagmara Spautz: engrenagens importantes

Problemas pontuais ajudaram a manter em baixa os resultados dos portos catarinenses no primeiro semestre, afetados pela retração nas importações no complexo de Itajaí. O primeiro deles foi a falta de entendimento com os caminhoneiros transportadores de contêineres, em março, que levou a cenas improváveis: cargas congeladas que entraram nos portos através de liminares judiciais, transportadas com escolta da polícia.

Quem não quis apelar para a Justiça encontrou outro caminho: o Porto de Paranaguá (PR), que recebeu boa parte das cargas catarinenses que tinham prazo apertado para chegarem ao destino. Os contêineres voltaram a Santa Catarina ao fim da greve, mas o setor de exportação de carnes, o mais prejudicado pela paralisação, deixou o alerta para o risco do Estado perder cargas definitivamente para o porto vizinho.

Entre maio e junho, o maior complexo portuário de Santa Catarina, em Itajaí, sofreria um novo revés com o fechamento causado pela forte correnteza _ resultado das cheias no vale _ que levou a um prejuízo milionário. Navios foram desviados para outros portos e muitas cargas, de novo, foram parar no Paraná.

Há meios de prever e de controlar entraves como os que os portos do Estado enfrentaram nos últimos meses, que precisam ser discutidos. E é imprescindível agilidade nas obras de nossos acessos portuários. Sob o risco de perdermos um dos principais motores de nossa economia.

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