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Criciúma Construções10/07/2017 | 03h30Atualizada em 10/07/2017 | 03h30

Um terço das obras paradas após crise de construtora é regularizado 

Do 92 empreendimentos afetados, oitavo prédio da Criciúma Construções será entregue após recuperação judicial

Um terço das obras paradas após crise de construtora é regularizado  Guilherme Hahn/Especial
Casal Franscini Gavasso da Luz Cruz e Maurício Zilli Cruz finalmente pôde mudar para apartamento comprado em 2009 Foto: Guilherme Hahn / Especial

Em recuperação judicial desde 2015, a Criciúma Construções conseguiu repassar aos compradores um terço das obras abandonadas após entrar em crise. No próximo mês, completam-se três anos da primeira ação contra a empresa, que já foi considerada a maior do setor no Sul do país. Os problemas da construtora se intensificaram em 2014. Na época, 92 empreendimentos estavam abandonados em várias regiões de Santa Catarina, além de 8,8 mil clientes prejudicados e dívidas trabalhistas. 

O plano de recuperação foi aprovado pelos credores em dezembro do ano passado, mas desde que assumiu, em 2015, o foco do gestor judicial Zanoni Elias é regularizar o que já foi vendido e repassar aos compradores. Os clientes assumem o empreendimento e contratam outra construtora para terminar a obra. Segundo ele, quase um terço dos empreendimentos já estão com os moradores.

— Já estávamos trabalhando no plano mesmo antes da aprovação e, de lá para cá, já conseguimos equalizar e antecipar ações previstas no documento. Na esfera trabalhista, já pagamos boa parte da ação do sindicato e também algumas autônomas, tendo pago R$ 6,5 milhões aos trabalhadores – explica Elias.

Trinta unidades, entre prédios, casas geminadas e loteamentos, já estão regularizados e não dependem mais da empresa. Porém, 34 estão pendentes, sem incorporação ou sem nenhum sinal de obra, porém com unidades já vendidas.

Moradores começam a ocupar obra concluída

Nas próximas semanas, o oitavo prédio concluído, Jardim dos Lírios, começa a receber moradores. A obra possuía seguro por ser financiada pela Caixa. Após quatro anos de espera, Josiane Santana Portal e Felipe Casagrande estão ansiosos para se mudar.

— Teve muita gente que perdeu tudo, então é um alívio muito grande. Nas próximas semanas estamos vindo para cá. Assim que der, já vamos começar a nossa vida nova – projeta Felipe.

Recém-casados, em 2012 eles financiaram o apartamento no bairro Cristo Redentor, em Criciúma, para começar a vida juntos. Com o atraso, o casal foi morar no porão da casa dos pais de Felipe. Nesse meio tempo eles tiveram um filho.

— Quando a gente via tudo no chão, que não andava, dava um desespero. O apartamento é de um quarto pois não tínhamos filho ainda, mas não tem problema, o importante é a chave na mão e começar a vida nova — comemora Josiane.

Pelo menos 8,8 mil pessoas prejudicadas

A estimativa da nova gestão da empresa é de que pelo menos 4 mil compradores tenham o caso resolvido ou encaminhado junto à construtora dentro dos 30 empreendimentos já regularizados e repassados. Ao todo, pelo menos 8,8 mil pessoas foram lesadas pela Criciúma Construções e outras três empresas do grupo, que possuem uma dívida de aproximadamente R$ 750 milhões. 

Em agosto do ano passado, reportagem do DC mostrou que entre os prédios inacabados estava o Edifício Dolário dos Santos, em Criciúma. O residencial fica no Centro e possui 105 apartamentos e 14 salas comerciais. Para concluir os 18% restantes da obra, os compradores ratearam R$ 1,5 milhão e pagaram a outra empresa. Até quem já estava com o imóvel quitado, como o casal Franscini Gavasso da Luz Cruz e Maurício Zilli Cruz, precisou pagar para não perder o que já havia investido.

— Cada comprador desembolsou cerca de R$ 20 mil para terminar a obra, mas pelo menos conseguimos nos mudar. Entregamos a casa da praia e o apartamento que tínhamos para comprar esse, então foram noites em claro pensando que poderíamos ter perdido tudo – relembra  Franscini.

O prédio já possui alvará do Corpo de Bombeiros e aguarda o Habite-se da prefeitura para os moradores conseguirem a escritura. O dinheiro que o casal havia separado para mobiliar parte do imóvel foi gasto para concluir as obras, mas agora eles e o filho Luiz Felipe, de 13 anos, organizam pouco a pouco o novo lar.

— Compramos em 2009 com previsão de entregar em 2012. Foram anos pagando aluguel, quase R$ 1 mil por mês contando o condomínio, mas agora passou – comemora.

Associações buscam documentos

Representantes das associações de moradores, principalmente dos prédios em resolução ou que ainda não têm o terreno regularizado, têm procurado a Divisão de Planejamento Físico e Territorial da prefeitura de Criciúma em busca de informações. O Executivo diz que quer facilitar o acesso aos documentos necessários, para que mais famílias possam resolver a situação.

A orientação é que representantes de cada associação procurem o setor e levem a documentação que tiverem disponíveis. Boa parte dos registros de obras da Criciúma Construções se perderam nos dois incêndios que atingiram o paço municipal em 2015, e por isso é preciso unir as informações para agilizar os processos.

História da empresa 

2003 - Com 10 anos, a empresa tem 45 projetos, entre lançamentos e obras.

2006 - Encerrou 2005 com 508 unidades entregues, sendo 390 no segundo semestre. Além de marcar presença em sete cidades, avança em outras regiões.

2009 - Tinha 1,2 mil funcionários em 2009, mas encontra dificuldade para mão de obra. Prioridade é o Norte do Estado, onde avalia 50 terrenos.

2011 - Reclama da qualidade da mão de obra. Diz que vários bancos liberam crédito imobiliário, mas que o problema está na falta de trabalhadores. Projeta para o próximo ano um crescimento de 50% a 60%.

2013 - Projeção de um edifício comercial no centro de Joinville, além de investimentos na região sul da cidade. Projeta investir R$ 100 milhões na cidade do Norte do Estado. Tem 2 mil funcionários.

2014 - Começam a chegar relatos no Ministério Público de falta de entrega de obras. Em maio, promotores abrem o primeiro inquérito para apurar as denúncias de clientes.

2015 - O empresário Rogério Cizeski e Ramon Geremias, diretor financeiro da construtora, são presos em operação do MP realizada em abril. Eles foram soltam dois meses depois. A empresa entra em recuperação judicial. Em maio, o gestor judicial Zanoni Santos Elias assume o negócio com a missão de recuperar a Criciúma e quitar a dívida com clientes e trabalhadores.

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