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Crise na saúde29/08/2017 | 12h53Atualizada em 29/08/2017 | 14h13

Ex-diretor do Hospital Infantil de Florianópolis nega que tenha pedido para deixar o cargo

Carlos Schoeller, exonerado na segunda-feira, rebate declaração do secretário da Saúde Vicente Caropreso

Ex-diretor do Hospital Infantil de Florianópolis nega que tenha pedido para deixar o cargo Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS
Diário Catarinense
Diário Catarinense

Exonerado da direção do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, o médico Carlos Schoeller rebateu o secretário da Saúde Vicente Caropreso e negou que tenha deixado o cargo por vontade própria. Ele gerenciava o hospital há quase três anos.

— Eles me saíram. Até porque critico muito a administração da saúde e fazia tempo que vinha denunciado essa falta de material no Hospital Infantil — declarou em entrevista ao Jornal do Almoço, da NSC TV.

Nos últimos meses, Schoeller enviou cartas para a Secretaria da Saúde comunicando oficialmente a falta de materiais básicos e tornando públicas as dificuldades da administração. São pelo menos 109 tipos de materiais básicos falando, conforme o ex-diretor — até sem papel higiênico a unidade chegou a ficar.

O médico também afirmou não acreditar que o secretário Caropreso possa cumprir a promessa de normalizar a situação do Joana de Gusmão em uma semana:

— Acho que o secretário não está falando a verdade. É impossível (resolver em uma semana), até porque os processos em licitação não estão feitos. Não acredito que consiga e se conseguir, vou dar os parabéns pra ele.

A Secretaria da Saúde reafirmou que Schoeller solicitou a exoneração e encaminhou um documento assinado por ele em que consta o pedido. Questionado pela reportagem do Diário Catarinense, o médico também repetiu que não partiu dele a iniciativa, e sim que foi "convidado" a pedir a exoneração.

Confira a da entrevista do ex-diretor à repórter Mayara Vieira, da NSC TV:

Como foi a saída da direção depois de quase três anos?
Foi uma saída não inesperada, porque já fazia tempo que eu vinha denunciando essa falta de material aqui no Hospital Infantil. Não pra imprensa, mas internamente eu era um dos grandes reclamadores nas reuniões de saúde. Até que chegou um ponto que não teve mais como segurar, até porque os funcionários levantaram isso, os médicos, o corpo clinico começou a cobrar e aí vazou pra imprensa e eu dei as declarações verdadeiras, as certas. Eu nunca faltei com a verdade em relação a isso.

Oficialmente, o pedido pra sair veio do senhor...
Eles me saíram. Até porque eu critico muito a administração da saúde. Eles não conversam um com o outro lá dentro. Eles me perguntaram segunda-feira e pediram de novo a relação de materiais que já vinha sendo mandada há mais de três meses. Então eu não sei o que que acontece lá que é tudo perdido. E essa relação de materiais eu quero salientar que não se restringe ao Infantil. Ela acontece em todos os outros hospitais. O Celso Ramos e o Regional de São José estão com uma falta tão grande ou pior que a nossa, mas eles não estão mais realizando cirurgias eletivas praticamente nenhuma. Mas isso não veio a publico porque não foi denunciado. E a falta de materiais não vai ser só para agora. Eu temo pelo futuro, porque não há dinheiro, os fornecedores não estão entregando. Eu espero que as coisas melhorem. Eu sugeri ao governador na outra semana que ele veio aqui que fizesse o repasse para a Associação de Voluntários para que ela agilizasse essa compra. Esse repasse não foi feito, mas a associação decidiu bancar esse R$ 200 mil. Mas isso é paliativo, vai durar pouquíssimo tempo. E não fui eu que tomei a decisão de encerrar as eletivas, foram os próprios médicos. Decisão soberana do corpo clínico. Eles que decidiram não mais fazer eletivas sob o risco de colocar criança em risco.

O secretário Caropreso na coletiva de segunda-feira disse que em uma semana a situação do Infantil será normalizada. É viável?
Eu acho que o secretário não está falando a verdade. É impossível até porque os processos de licitação não estão feitos. Eu não acredito que consiga e se conseguir vou dar os parabéns para ele. Nós temos um tomógrafo funcionando mais ou menos, nós temos uma UTI com só oito leitos ativados, tudo isso foi conseguido com o esforço do grupo de pessoas do Infantil. O governo não contribuiu, ele construiu a UTI, o Centro Cirúrgico, mas nós os ativamos. Foram vendas de canecas, foram jantares, agora a secretaria foi ausente nesse momento, está numa situação que infelizmente não tem dinheiro e o governador parece não ter muito respeito pela saúde da população, então é uma situação crítica. Eu até fico contente que o Infantil esteja com essa repercussão porque eu espero sinceramente que isso solucione.

Então essa declaração de resolver o problema em uma semana, na prática, não é possível?
Se declararem estado de emergência na saúde e fizerem compras diretas, aí pode normalizar o abastecimento. Caso contrario, é tempo burocrático. Os R$ 200 mil que a Associação de Voluntários doou vão durar muito pouco tempo. São materiais caros, são 109 itens e essa situação é complicada porque o secretário assumiu há pouco e ainda não tem o conhecimento total da secretaria. Muitas substituições foram feitas e esse período de adaptação é uma coisa muito complicada, então eles não conhecem um hospital que é uma coisa extramente complexa e lida diretamente com vidas. Não lida com dinheiro, com compra, com caixa. Se tem um paciente lá em cima e tem que operar, eu não quero saber se o Estado não fez a licitação do fio de sutura, tem que ter o fio de sutura. Eu alertei diversas vezes por escrito, até que não deu mais e eu tive que falar para a imprensa o que estava acontecendo. Espero honestamente que a minha atitude não seja tomada como crítica ao doutor Vicente (Caropreso) e ao governador, nós sabemos que está todo mundo em crise. Mas a saúde merece mais atenção.

A Associação de Voluntários já vinha prestando socorro ao hospital. Esses R$ 200 mil já não poderiam ter sido liberados antes da suspensão das eletivas?
A associação nos informou que estava sem dinheiro. Então, esses R$ 200 mil nos surpreendeu até, porque a gente não tem controle do caixa da associação, que é uma entidade que presta apoio ao Hospital Infantil. Devem ter tirado de alguma reserva, de algum fundo. E mesmo que a associação seja uma entidade muito forte, infelizmente não vai ter perna para segurar. Não é o problema da falta imediata, de eu botar 10 fios cirúrgicos agora, o problema é a continuidade. o problema é que nós chegamos a um ponto que nem a quarta linha de fio cirúrgico existe mais no hospital.

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