Novo Plano Diretor de Blumenau serve de norte para o crescimento da cidade na próxima década - Geral - Jornal de Santa Catarina

Versão mobile

Desenvolvimento04/08/2017 | 21h18Atualizada em 10/08/2017 | 15h04

Novo Plano Diretor de Blumenau serve de norte para o crescimento da cidade na próxima década

Confira como a cidade planeja a ocupação para os próximos 10 anos e as diretrizes de cada bairro blumenauense


Melhor ocupação da região central e expansão para o Norte são pontos projetados para Blumenau Foto: Kako Waldrich / Divulgação

Qual a Blumenau que você quer para os próximos 10 anos? Como cada região do município pode melhorar? O que seu bairro precisa? Se falta espaço nas áreas mais populosas, para onde a cidade deve crescer? As respostas para estas perguntas, embora possam parecer subjetivas, existem e são determinadas por lei. É para ordenar esses e outros aspectos do município que existe o plano diretor, documento que norteia a ocupação de solo, a infraestrutura e o crescimento da cidade. Revisado, por lei, a cada 10 anos, o Plano Diretor de Blumenau para a próxima década será apresentado e votado com a comunidade pela última vez no domingo, em uma conferência no Teatro Carlos Gomes, às 8h, que vai analisar tudo o que foi elaborado desde 2015 em quase 50 audiências públicas e com a participação da comunidade, técnicos e representantes dos mais variados setores.

Esta nova revisão do plano traz alguns pontos inéditos à visão da cidade, conforme explica a arquiteta Stephanie Louise Haeffner Nascimento, técnica da secretaria de Desenvolvimento Urbano e coordenadora da análise. Ele deve passar a conversar com todos os planos municipais que a prefeitura de Blumenau concluiu nos últimos anos, como de Cultura, Turismo, Saneamento e Mobilidade. Antes, esses pontos estavam previstos dentro do plano diretor, com algumas diretrizes. Agora, o documento servirá de norte para a execução dos projetos específicos de cada área.

– Em 2006 foi feito o melhor com o que se tinha. Hoje temos muito mais dados, planos municipais, novos diagnósticos da cidade. Portanto era a hora de mudar o plano diretor e abordar outras questões, como expandir o macrozoneamento – explica a arquiteta, citando o novo mapa das divisões da cidade.

O novo macrozoneamento de Blumenau possui 10 divisões e marca uma nova visão do território do município. É tido por especialistas como um dos grandes avanços da revisão. Por ele, é possível analisar o crescimento que a cidade deve ter nas próximas décadas. Em tons de rosa as áreas de ocupação urbana: mais escuro o Centro, onde há pouco espaço sobrando e é preciso consolidar a ocupação, e em tom mais claro bairros ao redor que cresceram na última década e podem melhorar com mais infraestrutura, cuidando para evitar a sobrecarga. Já em amarelo estão as áreas de urbanização controlada, para onde a cidade pode crescer, mas ainda falta estrutura.

– O mapa vai guiar as obras do município nos próximos anos também, otimizando a infraestrutura que a cidade já tem. Pois tem que ir primeiro com a estrutura, depois com as pessoas. Então é um planejamento de investimentos. Não vale, por exemplo, planejar novas vias em uma área que não é prioridade de adensamento agora – pondera Haeffner.

>>> Clique aqui e confira o novo mapa de macrozoneamento de Blumenau <<<

Diagnóstico traz diretrizes para todos os bairros

Além do mapa de macrozoneamento, outro material produzido durante a revisão do plano diretor que deve nortear o que será feito em Blumenau nos próximos 10 anos é o diagnóstico dos bairros. Todos as 35 subdivisões da cidade tiveram a infraestrutura e as características analisadas em quase 70 páginas de um dos cadernos montados pela equipe que atua na revisão. Mais do que elencar o que cada bairro tem ou não, o material aponta o que deve ser feito em cada um deles na próxima década, com diretrizes que envolvem a geração de empregos em bairros que carecem de vagas formais, melhorias no transporte público, no saneamento, no abastecimento de água, na malha viária etc.

Trata-se de um trabalho inédito que foi construído durante as audiências públicas em cada bairro, onde os moradores levantaram as reivindicações da comunidade e, o que era possível prever na lei, foi adicionado ao diagnóstico. Questões pontuais, como buracos nas vias ou iluminação pública, não faziam parte do escopo do plano diretor.

Navegue pelo mapa abaixo e confira as diretrizes de cada bairro:

Novas divisões no mapa agradam especialistas

De 2006 para cá, quando foi feito o último plano diretor, Blumenau passou por um evento que mudou toda a forma como o município é avaliado. A tragédia de 2008 deixou cicatrizes vistas até hoje e fez toda a cidade – que antes olhava para o rio e ribeirões – passar a olhar também para os morros. E é por isso que a revisão do documento este ano traz uma imagem completamente nova em relação ao cuidado ambiental e geológico, como não poderia ser diferente. As manchas vermelhas no mapa de Blumenau na região Sul, que representam o risco geológico, estão presentes no novo macrozoneamento e dão uma visão importante sobre a ocupação do solo.

– Definir áreas é fundamental para não aumentar essa bomba relógio em Blumenau. Mudanças climáticas e crescimento populacional precisam ser considerados. Disciplinar a cidade, o crescimento dela, é fundamental. Regiões como Garcia, Velha e Bom Retiro são corredores estreitos formados por rochas relativamente novas e danificadas. Não se pode estimular o crescimento nessas áreas e, mais que isso, o poder público precisa incentivar a preservação. Desestimular a venda de terrenos para construção na região Sul e incentivar a criação de RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio Natural) – explica o geólogo Juarês José Aumond.

Além das áreas de risco geológico, o novo mapa prevê regiões com risco de inundação (Fortaleza e Itoupava Norte, por exemplo), relevância ambiental (tanto na parte rural da cidade quanto na região urbanizada) e até bairros com relevância cultural, como a Vila Itoupava ou o Centro histórico.

Como diretor da Associação Catarinense de Preservação da Natureza (Acaprena) e membro dos conselhos de Planejamento (Coplan) e da Cidade de Blumenau (Conciblu), o arquiteto e urbanista Leandro Ludwig participou ativamente do processo da revisão e avalia de forma positiva as mudanças feitas no plano diretor:

A revisão do plano indicou que Blumenau tem muitas áreas livres e vazios urbanos que podem ser ocupados na região central. São espaços subutilizados que podem ser adensados. A expansão para o Norte traz impactos insustentáveis tanto para a mobilidade quanto para o meio ambiente, para desenvolver uma cidade sustentável é fundamental compactar e otimizar o uso do solo e as infraestruturas – destaca, incentivando o uso melhor do solo da cidade a partir do novo mapeamento feito.

Siga Santa no Twitter

  • santacombr

    santacombr

    SantaCão terapeuta leva conforto a velórios em Balneário Camboriú https://t.co/vKSN8Tr4RH #LeiaNoSantahá 5 horas Retweet
  • santacombr

    santacombr

    SantaDagmara Spautz: Cão terapeuta leva conforto a velórios em Balneário Camboriú https://t.co/jxmboyGlTw #LeiaNoSantahá 5 horas Retweet
Jornal de Santa Catarina
Busca