Países pobres não deveriam seguir recomendação de ingerir menos gorduras, diz estudo - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Revisão30/08/2017 | 13h15Atualizada em 30/08/2017 | 13h21

Países pobres não deveriam seguir recomendação de ingerir menos gorduras, diz estudo

Explicação é que essa diminuição aumentaria o consumo de carboidratos

Países pobres não deveriam seguir recomendação de ingerir menos gorduras, diz estudo freeimages/divulgação
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A recomendação geral de reduzir o consumo de gorduras pode ser contraproducente nos países de rendas baixa e média, já que pode levar a um aumento da ingestão de carboidratos, menos saudáveis do que se acreditava, segundo um novo estudo divulgado nesta terça-feira (29).

As autoridades de saúde da maioria dos países, assim como a ONU, recomendam limitar o consumo de alimentos gordurosos e que as frutas e verduras tenham um maior peso em nossa alimentação. Mas nos países pobres, reduzir as gorduras pode levar a consumir mais carboidratos - como batata, arroz e pão -, porque as frutas e verduras são mais caras, segundo os autores do artigo publicado na revista médica The Lancet.

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— A tendência atual de promover dietas pobres em gorduras ignora o fato de que a alimentação da maioria das pessoas nos países de rendas baixa e média é muito rica em carboidratos, algo que parece estar ligado a uma pior saúde — disse Mahshid Dehghan, pesquisadora da Universidade McMaster de Ontário (Canadá) e diretora do estudo.

Ao mesmo tempo, um relatório paralelo, também publicado na revista, conclui que as recomendações dos países ricos - apoiadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) - sobre o consumo de cinco porções de frutas e verduras por dia poderiam ser reduzidas perfeitamente para três nas nações pobres, uma quantidade mais viável economicamente.

Resultados comprovados

Ao longo de sete anos e meio, os autores fizeram um acompanhamento de 135 mil voluntários de 18 países em todo o mundo, com entre 35 e 70 anos de idade. Aqueles que cobriam ao menos 3/4 das suas necessidades energéticas diárias com carboidratos tinham um maior risco de morte prematura (28%) que o resto.

Além disso, aqueles que seguiam uma dieta rica em gorduras (35% do consumo energético) tinham um risco menor de morte prematura (23%) do que aqueles que ingeriam uma baixa quantidade de gorduras (11% do consumo).

— Contrariamente à crença popular, um aumento do consumo de gorduras está associado a um menor risco de morte prematura —, disse Mahshid.

Fenômeno da menor mortalidade é "inexplicável"

Os autores consideraram as gorduras saturadas, como a carne e os produtos lácteos, assim como as mono e polinsaturadas (óleos vegetais, azeite de oliva, peixes, frutas secas). Excluíram as gorduras "trans" dos alimentos processados porque "há provas claras de que são prejudiciais à saúde", afirmou Dehghan.

Na dieta mais saudável, 50-55% das calorias provém de carboidratos e 35% de gorduras, segundo os autores, que apresentaram o estudo no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que é realizado esta semana em Barcelona, Espanha. As recomendações gerais atuais - baseadas principalmente em estudos na Europa e Estados Unidos - estabelecem um consumo energético baseado em 50-65% de carboidratos e menos de 10% de gorduras saturadas. O estudo estabeleceu uma dieta média no mundo de 61% de carboidratos, 23% de gorduras "boas" e 15% de proteínas.

Mas esta média varia segundo as regiões, e na China, sul da Ásia e África os carboidratos representam 67, 65 e 63%, respectivamente. Na América do Sul, a porcentagem é de 57%. O estudo analisou, além disso, os vínculos entre a dieta e as doenças cardiovasculares, que matam cerca de 17 milhões de pessoas no mundo por ano.

Mas apesar de um regime abundante em carboidratos e pobre em gorduras ter sido associado a um maior risco de morte prematura, os cientistas não determinaram nenhum risco estatístico relacionado com ataques do coração e outros acidentes cardiovasculares.

Portanto, "a relação estabelecida (no estudo) entre as dietas ricas em carboidratos e o aumento da mortalidade não provém de causas cardiovasculares" e é por enquanto "inexplicável", segundo Dehghan.

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