Polícia investiga suposto caso de agressão a professor em escola de Itajaí - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Educação30/08/2017 | 16h41Atualizada em 30/08/2017 | 19h18

Polícia investiga suposto caso de agressão a professor em escola de Itajaí

Violência foi registrada no começo de agosto e veio à tona após caso em Indaial. Professor diz que pais de alunos foram os autores

Em meio aos debates sobre o caso da professora em Indaial que levou um soco de um aluno, veio à tona a história de um professor que diz ter sido agredido por pais de estudantes em Itajaí no começo do mês.

A agressão teria acontecido durante uma reunião na escola — no bairro Cordeiros — quando pais foram questionar o professor de História sobre as notas baixas dos filhos, estudantes do nono ano.

O professor conversou pessoalmente com a equipe da NSC TV, mas disse que foi orientado a não gravar entrevista. Segundo ele, o clima na reunião começou a ficar difícil quando falou aos pais que a responsabilidade da nota baixa também era deles, já que não acompanhavam a vida escolar dos filhos. Foi aí que começou a discussão. O professor relata que foi agredido por pelo menos cinco pais. Ele ficou com ferimentos na cabeça e no pescoço.

Ainda de acordo com o relato do educador, na hora da reunião a turma estava com outro professor, que interrompeu a aula pra ajudar.

— Um pai foi pra cima e os outros foram também. E aí o professor de inglês entrou no meio e separou — contou uma aluna.

O caso ocorreu no dia 4 de agosto. Segundo o professor, no dia letivo seguinte ele foi transferido para outra unidade escolar. A Secretaria de Educação de Itajaí não quis comentar o caso. O professor registrou boletim de ocorrência na delegacia e fez exame de corpo de delito.

— O exame de corpo de delito, o laudo pericial, atestou de fato que houve lesão, razão pela qual há materialidade em tese de algum crime a ser investigado pela Polícia Civil. Vai ser apurado crime de lesão corporal leve — disse o delegado Rafael Lorencetti.

Tanto nesse como no caso da professora de Indaial, na semana passada, as agressões foram físicas. Mais frequente ainda são as agressões psicológicas, que resultam na readaptação dos professores — quando eles passam a exercer outra função por não terem mais condição física ou psicológica de atuar em sala de aula. É o caso de Valdecir Ulisses Rosa, professor de Geografia. Ele diz que há 10 anos entra em pânico quando fica diante dos alunos. Toma remédios controlados para transtorno bipolar e depressão.

— A falta de respeito é o que mais acontece nas escolas. Os alunos, eles não querem estudar. Então o professor tem que forçar pro aluno querer alguma coisa. E nesse forçar a gente se desgasta muito — desabafa o Valdecir.

Para a doutora em Educação Valéria Silva Ferreira, falta respeito da sociedade em geral pelos professores:

— As crianças são só reflexo disso. Quando a política não respeita, quando há toda a questão das condições de trabalho e de salário dos professores, ele vai perdendo o respeito social.

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