"Quem sabe o papa Francisco possa ajudar a melhorar o zelo com a saúde pública dos catarinenses" - Geral - Jornal de Santa Catarina

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opinião29/08/2017 | 19h51Atualizada em 29/08/2017 | 20h06

"Quem sabe o papa Francisco possa ajudar a melhorar o zelo com a saúde pública dos catarinenses"

Repórter especial do DC comenta o atual cenário nos hospitais sob gestão do Governo do Estado de Santa Catarina  

A saúde em Santa Catarina vai mal das pernas. A realidade trôpega parece como a de um paciente que chega grave na emergência, é levado para a UTI e agora está em coma. Pacientes com câncer são avisados de que a emergência do Cepon vai fechar, pais informados de que cirurgias eletivas estão suspensas no Hospital Infantil Joana de Gusmão, pessoas ostomizadas sem sequer receber a bolsa coletora para armazenar fezes e urina. Equipamentos quebrados, exames suspensos; prateleiras vazias, falta de medicamentos; fechamento de leitos, pacientes em macas.

Diante dessa situação dramática, o Conselho Superior do Ministério Público instaurou inquérito civil contra o governador Raimundo Colombo e o secretário Vicente Caropreso. O objetivo é apurar responsabilidades pelas dívidas dá área, que de acordo com a própria secretaria passam dos R$ 780 milhões. Paralelo a isso, outra ação do MP, porém, na área da infância. O promotor Benhur Poti Botiolo, da 10ª Promotoria da Infância, na Capital, instaurou inquérito civil a respeito da suspensão das eletivas no Hospital Infantil. Afinal, são 2 mil cirurgias em meninos e meninas que têm prioridade no atendimento de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Toda essa situação sinistra fez lembrar de uma história que ouvi ontem na mercearia pertinho de casa. Dois homens conversavam e um deles contava que tinha ido com a esposa pegar remédio no posto de saúde. A mulher foi ao banheiro, mas não conseguiu secar-se do xixi: não tinha papel higiênico. Teve também que abanar as mãos ao vento. Não havia papel toalha.

A bolsa voltou tão vazia como foi. Os remédios para controle da pressão alta estão em falta. Bem-humorado, o amigo brincou:

– Vai te queixar para o bispo, vai...

Pelo visto a situação na saúde é tão dramática que nem o bispo consiga dar jeito. Quem sabe a saída seja fazer como Eduardo Cunha. É, ele mesmo, o ex- presidente da Câmara Federal, preso e condenado a mais de 15 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas na Lava Jato. No "Recurso ao Papa", Cunha quer se livrar da prisão. Quem sabe Francisco possa ajudar a melhorar o zelo com a saúde pública dos catarinenses. Representante de Deus na terra – como acreditam os católicos – talvez o Papa consiga fazer o que os representantes do povo não conseguem.

*Ângela Bastos é repórter especial do Diário Catarinense, reconhecida como Jornalista Amiga da Criança pelo UNICEF e pela ANDI - Comunicação e Direitos e vencedora do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos

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