Corpo de Bombeiros registra aumento no número de incêndios em Blumenau - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Perigo22/09/2017 | 21h17Atualizada em 22/09/2017 | 21h25

Corpo de Bombeiros registra aumento no número de incêndios em Blumenau

Tempo seco traz alerta para incêndios e queimadas na cidade

Corpo de Bombeiros registra aumento no número de incêndios em Blumenau willian bastos/Arquivo Pessoal
Foto: willian bastos / Arquivo Pessoal

O tempo seco e a estiagem em Santa Catarina nos últimos meses reduziram o nível dos rios, atrapalham o abastecimento de água no Estado, podem causar complicações respiratórias em algumas regiões e também, com gravidade, tornam o ambiente propício para incêndios e queimadas. O fogo se alastra mais facilmente e as áreas desmatadas ficam extremamente sensíveis ao movimento rápido e destruidor das chamas. Só em 2017 até ontem já foram, pelo menos, 242 incêndios registrados pelo Corpo de Bombeiros de Blumenau, um número que chama a atenção dos combatentes e mostra como o ano tem sido mais vulnerável a esse tipo de acidente do que 2016.

Somente no primeiro semestre deste ano os bombeiros atenderam cerca de 25% a mais de incêndios e queimadas em relação ao mesmo período do ano passado. É o quarto tipo de ocorrência mais registrado pela corporação neste ano.

Os números se intensificaram nos últimos meses, de pouca chuva e baixa umidade, e a relação é direta:

– Com certeza o tempo seco torna mais perigoso. Em Blumenau temos muitas queimadas em matas médias e rasteiras, com samambaias, que queimam muito rápido e onde o fogo se alastra com muita velocidade. Moradores colocam fogo em lixo, folhas etc, e não conseguem controlar as chamas, criando um princípio de incêndio – avalia o sargento Dorval Zeferino, do núcleo de comunicação do Batalhão do Corpo de Bombeiros de Blumenau, ressaltando que nesta época do ano é muito perigoso queimar entulho ou folhas sem os devidos cuidados.

::: Setembro é o mês mais seco em Blumenau nas últimas três décadas

Outro dado destacado pela corporação é o volume de incêndios intencionais na cidade, estimado em 40% do total. Não são necessariamente incêndios criminosos, mas aqueles em que a ação humana foi determinante, como no caso do lixo queimado em terrenos baldios que acaba se alastrando ou ocorrências em casas abandonadas, onde usuários de drogas acabam por descuido iniciando focos de incêndio.

Especialistas reforçam necessidade de cuidado total

Ambientalista e colunista do Santa, Lauro Bacca pontua que o clima sempre teve períodos de chuva e de seca, mas que esses fenômenos têm ficado mais intensos graças a fatores como aquecimento global e desmatamento. Alguns exemplos, ainda que mais distantes, podem ser os furacões recentes do Caribe. O tempo seco, com baixa umidade, combinado a ações humanas como a drenagem de zonas úmidas e sobretudo as queimadas de folhas em terrenos, agrava o risco de incêndios de vegetação nesta época do ano.

– Aqui na região esse comportamento melhorou um pouco, mas o brasileiro de modo geral é piromaníaco. E isso é muito perigoso, se surgir um pé de vento o fogo pode se espalhar para um terreno ou morro. Em uma situação como essa, em locais de vegetação mais seca, todo cuidado é pouco – frisa, lembrando que a maioria dos incêndios de vegetação tem como causa a ação do homem e que para resolver esse problema é preciso educação, fiscalização e tolerância zero na punição por parte das autoridades.

A bióloga Luciane da Rocha, professora do curso de Engenharia Ambiental da Univali, confirma que o tempo seco favorece o problema dos incêndios em vegetação. O problema, lembra, é mais comum em regiões como a Centro-Oeste, em que a umidade tradicionalmente é baixa, mas agora, por uma situação pontual vivida na região Sul, também está sendo enfrentada por aqui. Na meteorologia, o período é explicado pelos bloqueios atmosféricos, que desviam as frentes frias para o oceano e impedem a incidência de chuva. No entanto, a professora reforça a interferência de outros fatores como o aquecimento global e das águas dos oceanos nas mudanças climáticas.

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