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Segurança05/09/2017 | 05h26Atualizada em 05/09/2017 | 10h12

Entenda as possíveis razões para a quinta onda de atentados em SC

Fontes policiais revelam o que pode ter motivado a sequência de crimes

Entenda as possíveis razões para a quinta onda de atentados em SC Tiago Ghizoni/Diário Catarinense
Foto: Tiago Ghizoni / Diário Catarinense

Há uma série de fatores que aparecem nas investigações policiais como possíveis motivações da onda de ataques a policiais, prédios da segurança e incêndios contra viaturas em Santa Catarina. Grande parte das hipóteses entrelaça fatos no sistema prisional, onde estão os líderes das duas facções criminosas que agem no Estado, segundo apurou a reportagem com fontes policiais.

A partir dos áudios interceptados e das mensagens entre suspeitos, policiais acreditam que houve descontentamento por parte dos chefes do crime organizado com ações realizadas dentro dos presídios.

Já a cúpula da Secretaria de Segurança Pública (SSP) apontou provável revide das facções por situações que os criminosos consideram injustas e também o próprio combate ao crime organizado pelas polícias. Nos últimos meses, houve apreensões recordes de drogas em Santa Catarina – mais de 40 toneladas – e 17 mil prisões e apreensões, conforme a SSP.

— Pelas informações que a gente recebeu, há ligação com sistema prisional, algum problema de remoção de presos. Vejo que o Estado tinha que ter um controle maior, principalmente dos envolvidos com essas facções que se encontram em liberdade, ter mais informações e domínio dos possíveis autores — diz o deputado estadual e ex-delegado geral da Polícia Civil, Maurício Eskudlark (PR).

Para ele, a impunidade também é outro fator que motiva a sequência de crimes. Sobre os policiais e agentes penitenciários serem alvos da onda de atentados, o parlamentar afirma que os servidores ¿linha dura¿, que agem com rigor, são visados pelos criminosos.

No passado, outras ondas de atentados tiveram como origem denúncias de violência contra presos, transferências de chefes do crime organizado e mortes de criminosos em confrontos com a polícia, além de prisões e apreensões de drogas.

A apuração dos delitos é feita em sigilo pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Ex-diretor do Deap defende mais investigação

Antes de apontar fatores para a violência, o delegado aposentado da Polícia Federal e ex-diretor do Departamento de Administração Prisional (Deap), Roberto Schweitzer, afirma ser crucial defender a investigação para cessar os atentados o mais breve possível.

– É lógico que tem uma orquestração por trás disso, não se discute. O quê está levando a isso só a inteligência e a investigação vão definir. Não cabe ficar conjecturando agora, e sim ficar atento. As forças devem se colaborar uma com a outra e a população ficar atenta, ajudando, participando e repassando informação para proteger a si mesmo e a sua família – pontua Schweitzer.

Cinco suspeitas

Transferências de presos
Considerada uma forte hipótese para a revolta das facções. Há relatos que integrantes do 1º ministério da facção catarinense foram removidos da Penitenciária de São Pedro de Alcântara, o que a Secretaria da Justiça e Cidadania não confirma ou nega. Os detentos teriam sido levados para penitenciárias de Criciúma e Chapecó.
Dentro da penitenciária, há relatos de que comparsas da facção imaginaram que as transferências pudessem ter sido para presídios federais, o que acirrou os ânimos e gerou ordens para ataques. No sistema prisional, ir para presídio federal é considerado o maior castigo ao preso, pois nessas unidades há regime rigoroso de visitas e isolamento, além da distância física que prejudica o contato com familiares e advogados.
A Penitenciária de São Pedro de Alcântara é conhecida entre os presos como ¿torre SPA¿ e, no passado, foi chamada de QG (quartel-general) da facção catarinense.

Abuso em prisões
No começo de agosto, um vídeo mostrando a ação do grupo tático de intervenções do Departamento de Administração Prisional no presídio de Blumenau repercutiu nas redes sociais. Na época, o Estado avalizou a operação, mas houve críticas contra possível excesso por parte dos agentes. O fato é que a postura de repressão contra detentos tem histórico de problemas nas cadeias catarinenses e motivou outras duas ondas de atentados, em 2012 e 2013, a mando da facção de SC. Após a repercussão das imagens, a polícia detectou ordens de violência ordenadas por presos e, por isso, houve alerta dos setores de inteligência na primeira quinzena de agosto, mas não com tanta intensidade a ponto de prever que haveria série de crimes.

Aniversário de facção paulista
Em agosto, seria ¿aniversário¿ de fundação da facção paulista que também age em Santa Catarina. Essa possibilidade foi cogitada no começo dos atentados, mas logo perdeu força diante das pistas que levaram à autoria do grupo criminoso criado no Estado.

Duelo entre grupos faccionados
Tanto a facção catarinense quanto a de SP estariam por trás da violência em um objetivo comum: mirar os servidores da segurança por causa do trabalho policial e prisional. As duas quadrilhas travam confronto há dois anos em SC e há chance de ataques pontuais de cada organização criminosa sem comando único. No país, há casos em que o bando paulista ordenou mortes de agentes e policiais.

Apreensão de drogas e prisões
Tese divulgada pelo secretário-adjunto da Segurança Pública, Aldo Pinheiro D¿Ávila. O número 2 da pasta afirma que as facções estão insatisfeitas com o trabalho policial. Foram apreendidas 42 toneladas de maconha, cocaína, crack, entre outras substâncias ilícitas nas rodovias federais catarinenses. Também é expressiva em 2017 a quantidade de prisões e apreensões no Estado: 17 mil, conforme a Secretaria de Segurança.

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