Excesso de cobrança teria sido motivo para alunas sabotarem água de professora em Jaraguá do Sul - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Educação08/09/2017 | 21h06Atualizada em 08/09/2017 | 21h56

Excesso de cobrança teria sido motivo para alunas sabotarem água de professora em Jaraguá do Sul

Fato ocorreu Escola Municipal Padre Alberto Jacobs

Excesso de cobrança teria sido motivo para alunas sabotarem água de professora em Jaraguá do Sul Salmo Duarte/A Notícia
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Quatro alunas de uma escola municipal de Jaraguá do Sul admitiram ter misturado comprimidos à água de uma professora da classe. As meninas, com idade entre dez e 11 anos, estudam na Escola Municipal Padre Alberto Jacobs, no bairro Tifa Monos. Além das substâncias, elas também teriam enchido uma garrafa de água da docente, em uma das ocasiões, com água da privada. Para a diretora da unidade, Carla Fabiane de Medeiros Grutzmacher, esse tipo de situação jamais foi presenciada por ela.

O fato veio à tona na última terça-feira, quando um colega da classe das alunas teria contado a história para a mãe dela. A garota teria tido uma desavença com outra menina e, por isso, resolveu contar o fato. A mãe a obrigou a falar sobre o caso na escola. No final da aula, por volta das 11h30, a direção da unidade mandou bilhetes para os pais de toda a turma, solicitando uma reunião extraordinária. Um boletim de ocorrência também foi registrado.

A reunião contou com a participação dos pais, de um representante da Secretaria Municipal de Educação e da Polícia Militar. Após a assembleia, a diretora questionou individualmente as envolvidas sobre a motivação do fato. Segundo Carla, as crianças não souberam informar o porquê de terem colocado remédio na água da professora. Entretanto, em determinados momentos, relataram que a "professora cobrava demais dos alunos".

— Eu também perguntei se elas tinham visto isso em algum lugar ou se tiveram o incentivo de alguém mais velho. Mas não teve algo que instigou essa situação. Foram elas mesmas — declarou.

A diretora não soube precisar há quanto tempo as garotas colocavam remédio na água, mas afirmou que a situação teria ocorrido, no mínimo, três vezes. As alunas faziam uma espécie de revezamento: em uma ocasião, encheram a garrafa de água da professora com água da privada; em outra, adicionaram saliva; e em outras, misturaram medicações ao líquido. Os remédios usados — fosfato de codeína (medicamento para dor que pode causar sonolência) e omeprazol (usado para problemas gástricos) — seriam de uso da mãe de uma das alunas.

A diretora também explicou que as crianças não tinham a dimensão dos atos cometidos, nem a intenção de prejudicar a saúde da professora. Elas disseram, durante as conversas com a direção, que a intenção "talvez fosse que a professora cochilasse em aula e parasse um pouco de falar".

— Elas não imaginaram as consequências disso. Se a professora pegasse o carro e os remédios fizessem efeito, ela poderia bater, por exemplo. Elas não pensaram no depois — contou.

Advertência e suspensão

De acordo com Carla, a professora ficou chocada quando descobriu a situação e está muito abalada com o ocorrido. Em certa ocasião, a docente relatou ter sentido gosto diferente na água, mas nunca desconfiou que as alunas pudessem sabotar o líquido. Após a constatação do fato, ela continuou ministrando normalmente as aulas. Na segunda-feira, ao retornar à escola, a professora irá decidir se continuará dando aula para a turma.

Já as alunas receberam uma advertência e suspensão de dois dias das atividades escolares. Segundo a diretora, a expulsão das estudantes não foi cogitada porque a situação precisa ser resolvida e não transferida para outra unidade. Mesmo perplexa com a atitude das meninas, a diretora ressaltou que o espanto ao descobrir a sabotagem foi ainda maior porque a classe onde as garotas estudam tinha acabado de finalizar o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd).

Para a docente, o projeto é de grande importância na escola e ajuda os estudantes a separarem as condutas corretas das erradas. A escola aguarda o posicionamento do Conselho Tutelar de Jaraguá do Sul para encaminhar as alunas para acompanhamento psicológico. A professora também será conduzida pelo município para o programa de saúde ocupacional.

Secretário diz que é preciso ter cautela

Para o secretário de Educação de Jaraguá do Sul, Rogério Jung, o fato é novo e isolado. Conforme ele, nunca houve a ocorrência de um acontecimento desta natureza no tempo em que está à frente da secretaria. O município está fornecendo todo o suporte para a professora e também para as alunas envolvidas.

Segundo Jung, o município trabalha junto à direção da escola planejando ações que enfatizem o respeito interpessoal. Além disso, também estão previstas conversas com profissionais que demonstrem o mal que a água contaminada pode trazer às pessoas.

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— As medidas que são cabíveis a nós, estamos fazendo. Mas tomando muita cautela, por se tratar de crianças menores e também para proteger a professora que está muito abalada — afirmou.Ele salientou que a professora não relatou nenhum mal-estar ou problema de saúde decorrente da ingestão da água contaminada. Para ele, essa situação evidencia a dificuldade da educação no País. O problema não seria a falta de estrutura das unidades de ensino, mas, sim, a responsabilidade indevida que é atribuída às escolas.

— A escola tem o papel de ensinar. E o que gente nota é a carência dos alunos com os seus pais e a educação que deveria vir de casa. Muitos pais estão terceirizando a educação dos seus filhos.

Para Jung, a falta de acompanhamento e de atenção dos pais dentro de casa reflete nos problemas ocorridos nas salas de aula. A diretora da escola corrobora com a opinião do secretário. Carla observa que muitas crianças procuram nos professores e diretores um ponto de apoio, um colo que não encontram dentro do lar.

— Às vezes, as crianças batem à nossa porta pedindo apenas um colo, um abraço. Nós fazemos essa parte que não cabe a nós, mas que é o único meio que eles têm para se apoiar. Isso é muito triste — completa.

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