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Setembro amarelo21/09/2017 | 20h26Atualizada em 21/09/2017 | 20h26

Mapa dos suicídios no Brasil coloca Santa Catarina em alerta

Os estados da região Sul registram 23% do total de casos no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde

Camila Kosachenco e Diário Catarinense

camila.kosachenco@zerohora.com.br

Ao desmembrar o primeiro Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil, divulgado nesta quinta-feira (21) pelo Ministério da Saúde, a região Sul fica nitidamente em destaque. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná respondem por uma taxa de 23% dos casos. Considerando que os Estados detêm somente 14% da população nacional, o número é preocupante. 

– No Sudeste, são registrados 38% dos suicídios, mas a região representa 42% da população. Assim, o risco é menor no Sudeste do que Sul, onde há um aglomerado importante, que pode estar associado à cultura dessa área – observou Fátima Marinho, diretora do departamento de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do ministério. 

 Entre 2011 e 2015, as maiores taxas de óbito por suicídio foram registradas nos estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Mato Grosso do Sul que apresentaram, respectivamente, 10,3, 8,8 e 8,5 óbitos por 100 mil habitantes. 

 Segundo dados divulgados pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC), em 2016, 2.990 catarinenses tentaram o suicídio e 603 foram a óbito. Em 2015, foram registradas 2.909 tentativas de suicídio e 598 óbitos. 

— Precisamos conhecer essa triste realidade para podermos desenvolver ações e atitudes para prevenção do suicídio, que é um grave problema de saúde pública no estado e em todo o país — alerta Eduardo Macário, diretor da Dive. 

Um dos alertas do boletim é a alta taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foram registradas média de 8,9 mortes por 100 mil nos últimos seis anos no país. A média nacional é 5,5 por 100 mil. Também chamam atenção o alto índice entre jovens, principalmente homens, e indígenas. O diagnóstico inédito vai orientar a expansão e qualificação da assistência em saúde mental no país.   

Entre os fatores de risco para o suicídio estão transtornos mentais, como depressão, alcoolismo, esquizofrenia; questões sociodemográficas, como isolamento social; psicológicos, como perdas recentes; e condições clínicas incapacitantes, como lesões desfigurantes, dor crônica, neoplasias malignas. No entanto, tais aspectos não podem ser considerados de forma isolada e cada caso deve ser tratado no Sistema Único de Saúde conforme um projeto terapêutico individual. 

Assistência salva vidas 

Uma das metas do Ministério da Saúde é reduzir a mortalidade por suicídio em 10% até 2020. O índice foi acordado no Plano de Ação em Saúde Mental, lançado em 2013, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o qual o Brasil é signatário. 

Expandir a atuação dos Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) está na agenda estratégica da pasta para diminuir os números. De acordo com o boletim, locais que contam com esse serviço têm queda de até 14% no risco de suicídio. Também está no horizonte do órgão ampliar o atendimento em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV). Tornar gratuita a ligação para esta instituição é uma das medidas que devem ser tomadas em oito Estados, incluindo Santa Catarina, a partir do dia 30 deste mês. 

Além disso, os serviços públicos de saúde mental de Santa Catarina contam com 99 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em diversos municípios e diferentes modalidades, e mais 23 estão em fase de implantação. 

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