Moradora de Navegantes faz campanha para que macaco-prego criado como filho volte para casa - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Mais que um pet01/09/2017 | 12h29Atualizada em 03/09/2017 | 16h51

Moradora de Navegantes faz campanha para que macaco-prego criado como filho volte para casa

Edna Brasil não tem certificado de origem de Kyle, apreendido pela Polícia Militar Ambiental após fuga. Abalada, ela contou sua história nas redes sociais 

Moradora de Navegantes faz campanha para que macaco-prego criado como filho volte para casa Facebook/Reprodução
Foto: Facebook / Reprodução

O macaquinho-prego Kyle, seis anos, é o xodó da família de Edna Brasil, moradora de Navegantes. Depois que seus filhos saíram de casa, ela passou por uma depressão e um câncer, e o bichinho, que ela trata como filho, deu um novo sentido a sua vida. Só tem um problema: Edna ganhou o animal de um conhecido quando ele tinha apenas cinco meses, e ela não tem o  certificado de origem emitido pelo Ibama e, portanto, o criava em situação irregular.

Há cerca de dois meses, Kyle saiu de casa e, após fugir de alguns cachorros na rua, foi parar em uma escola. A diretora chamou a Polícia Militar Ambiental, que apreendeu o bichinho. Desde então, Edna desesperou-se e vem tentando mobilizar apoiadores por meio das redes sociais. Um texto em que ela pede ajuda vem sendo compartilhado em grupos de WhatsApp e também no Facebook.

— Eu sempre tive paixão por macaco-prego, sempre achei lindo e dizia que eu teria um macaquinho um dia. Kyle é como uma criança. Ele sempre viveu assim, eu o criei igual a um bebê. Era acostumado com carinho e cuidado, dormia comigo na cama, tinha alimentação equilibrada — conta Edna.

Depois da apreensão, Kyle foi transferido para o único Centro de Triagem da Fauna Silvestre (Ceta) de Santa Catarina, que fica no Parque Estadual do Rio Vermelho, na Capital. A dona chegou a ir até o local na tentativa de vê-lo de perto, mas ele estava em uma jaula separada da dos outros macaquinhos por causa da adaptação.

— Eu chamei por ele: filho, Kyle! Quando ele ouviu minha voz ele abriu um berreiro, gritava, esperneava e balançava a grade. Me desesperei mais ainda. Até então, tinha pensado que talvez ele tivesse me esquecido. Mas quando cheguei lá e vi que ele também está com saudades, voltei chorando até Navegantes. Eu só quero ele bem. Esse é meu interesse, saber que ele está feliz. Já eu, não sei se vou superar — emociona-se.

Um macaquinho de macacão Foto: Facebook / Reprodução

O caso chegou até a advogada animalista Renata Fortes, que a atende voluntariamente. Ela conta que o tratamento que Kyle recebia foi elogiado e que conversou com o veterinário do animal, que confirmou que ele faz acompanhamento periódico. No Ceta, foi informada de que Kyle não entraria em nenhuma programa de reestabelecimento na natureza por seu nível de socialização com seres humanos.

— Ele não desenvolveu as capacidades que necessita para viver na vida selvagem. Então seu destino seria continuar no Ceta ou ser encaminhado para zoológico. Claro que ninguém pode ter animal silvestre sem procedência, mas essa norma não pode violar o direito animal que ele tem, que é ter um tratamento livre de sofrimento e crueldade. Cada caso é um caso, e o dele tem particularidades. Seu afastamento da família pode levá-lo até a um quadro depressivo — explica a advogada. 

Kyle dorme com Edna na cama e é tratado como filho Foto: Facebook / Reprodução

Para Adriana Nunes, coordenadora de fauna da Fatma, a Polícia Militar Ambiental apenas cumpriu o dever legal no resgate do macaco e a preocupação deve ser com a legalidade, e não com questões de envolvimento da pessoa que criou o animal. O órgão compartilha a gestão do Ceta em SC junto com a PM Ambiental.

le está recebendo cuidados de biólogos e veterinários, e tendo a saúde avaliada. C

omo é um centro de triagem, a gente busca instituições, centros de primatas ou zoológicos que possam receber os animais, mas nesse caso ainda não se sabe o que será feito por ser recente. O ó

rgão ambiental vai cumprir o que está previsto na legislação, m

as 

a pessoa tem o direito de entrar com o pedido através da justiça

 — esclarece Adriana. 



A advogada concorda que a Polícia Militar Ambiental agiu de forma correta mas entende que, pelas circunstâncias do caso, ele deve voltar a viver com Edna.

— Não é como um animal que foi retirado da floresta e ficou na mão de traficantes. Ele vem de uma situação que era boa para ele, apesar de não ser a ideal para a fauna silvestre. Ele é uma vítima de uma situação que, em sua origem, já é irregular. Mas agora a gente tá focando no bem estar dele e acredita que o judiciário vai ser sensível à causa — espera a advogada.

Moradona de Navegantes está abalada após apreensão de animal  Foto: Facebook / Reprodução

Afinal, pode ter animal silvestre em casa?

Tâmara Barreto, analista ambiental responsável pelo núcleo de fauna do Ibama de Santa Catarina, explica que a única forma de ter um animal silvestre em condições regulares é se ele for adquirido por comerciante (loja) ou criador comercial autorizado pelo Ibama ou pela Fatma - que, desde 2011, é quem emite os registros em SC.

— A gente recomenda às pessoas que querem comprar um animal silvestre que peguem os dados da empresa, loja ou criador, liguem para o Ibama ou Fatma e confiram, por meio do CNPJ, se ele é autorizado. É um cuidado importante — salienta.

Antes de 2015, a única prova de que o animal estava regularizado era a nota fiscal da compra. Agora, deve ser emitido um certificado de origem. Basta entrar no site do Ibama munido da nota para emitir o documento que prova a regularidade do animal.

Para quem está na ilegalidade, a orientação é entregar o animal ao órgão ambiental - as entregas voluntárias não são consideradas infração. Caso o animal seja apreendido pela Polícia Militar Ambiental, o proprietário vai ser processado e deverá pagar uma multa de R$ 500 por espécime, ou R$ 5 mil caso o animal estiver na lista de espécies ameaçadas.

Já para quem quiser começar um criadouro de animais deve conferir as normas vigentes junto ao Ibama e solicitar a autorização de manejo - vale ressaltar que a matriz, ou seja, o animal que vai se reproduzir, deve também ser adquirido de um criador já registrado.

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