"Não existe busca por características que não estejam na família", diz diretor científico de banco de sêmen  - Geral - Jornal de Santa Catarina

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Fertilidade02/09/2017 | 06h17Atualizada em 02/09/2017 | 10h06

"Não existe busca por características que não estejam na família", diz diretor científico de banco de sêmen 

 José Roberto Alegretti diz que famílias costumam procurar pais com padrão genético semelhante ao de seu núcleo familiar

"Não existe busca por características que não estejam na família", diz diretor científico de banco de sêmen  divulgação/divulgação
Foto: divulgação / divulgação

A aquisição de amostras seminais de doador, seja ele nacional ou estrangeiro, deve sempre ser solicitada pelo médico que acompanha os pacientes. Geralmente são profissionais associados com clínicas de reprodução assistida existentes no país. A observação é de José Roberto Alegretti, biólogo e diretor científico de um banco de sêmen americano com franquia no Brasil. Pesquisa da Anvisa mostra que procura por esperma de homens estrangeiros crescer 2.625% nos bancos de sêmen brasileiros. Confira a entrevista concedida por e-mail:

O que leva pessoas a buscarem um banco de sêmen?
As pessoas são movidas pelo desejo de terem filhos. Os bancos são procurados por casais que possuem uma infertilidade masculina grave, casais homoafetivos femininos e mulheres solteiras que desejam uma gestação.

Como uma pessoa interessada deve proceder?
A aquisição de amostras seminais de doador, seja ele nacional ou estrangeiro, deve sempre ser solicitada pelo médico que acompanha os pacientes. Geralmente são profissionais associados a clínicas de reprodução assistida existentes no país.

Futuros papais e mamães sempre se preocupam com a saúde do filho que vão gerar. Há segurança quanto a isso?
Sem dúvida é uma grande preocupação. Os bancos de sêmen no Brasil e no mundo seguem regras rígidas de seleção e controle. São realizados exames sorológicos para HIV, hepatite, sífilis, por exemplo. Além da pesquisa das doenças genéticas mais comuns. Os doadores passam por um processo de triagem com exames físicos, médico e psicológico. 

Tem também a questão da genética, ou seja, histórico de doenças na família...
Sim, também existe uma pesquisa da família do doador com avaliação de doenças. Somente após todos esses exames estarem dentro de um padrão de normalidade as amostras são disponibilizadas para os pacientes.

O relatório da Anvisa deixa claro o interesse por doadores brancos, enquanto por negros, por exemplo, não chega a 1%. O que o senhor acredita que isso signifique?
Temos que interpretar esses dados com cuidado. Os pacientes sempre buscam pessoas semelhantes a eles, não existe busca por características que não estejam na família. O Brasil possui forte miscigenação, o que resulta em famílias com diferentes características. Assim, muitas vezes, por utilizarem doadores de outro país, algumas características não são 100% iguais, e o casal necessita abrir mão de algumas características que julguem menos importantes. Não podemos dizer que existe uma tendência de importar amostras de pessoas com um fenótipo muito diferente dos pacientes que buscam um doador, com relação à população negra que foi citada, que segue na mesma linha dos casais de origem asiática ou latina. Ressalto que os pacientes são encaminhados pelas clínicas de reprodução e estas possuem públicos muito diversos. Ainda mais: todos os processos de importação passam pela análise prévia da Anvisa, somente com a anuência da agência é que são importados.

Existe um perfil dos brasileiros interessados?
O perfil está relacionado aos casais que buscam as clínicas de reprodução no país. Atualmente existem cerca de 160 clínicas no Brasil, sendo a maioria delas na região Sudeste. O relatório demonstra que cerca de 80% das amostras foram importadas para o Estado de São Paulo.

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