Nova campanha defende teste de detecção de hepatite C para todos os pacientes acima de 40 anos  - Geral - Jornal de Santa Catarina

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doença silenciosa04/09/2017 | 06h06Atualizada em 04/09/2017 | 19h21

Nova campanha defende teste de detecção de hepatite C para todos os pacientes acima de 40 anos 

Estimativas do Ministério da Saúde apontam que 1,5 milhão de brasileiros têm a doença mas não sabem

Nova campanha defende teste de detecção de hepatite C para todos os pacientes acima de 40 anos  Salmo Duarte/Agencia RBS
Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Uma doença silenciosa e que pode evoluir para uma cirrose ou um câncer de fígado e levar à morte. Essa é a descrição da hepatite C, que só em 2016 registrou 1,1 mil casos em Santa Catarina. Especialistas acreditam que esse número possa ser ainda maior, já que estimativas do Ministério da Saúde apontam que 1,5 milhão de brasileiros têm a doença mas não sabem. Para diagnosticar precocemente e aumentar as chances de cura, a Sociedade Brasileira de Infectologia e de Hepatologia lançaram uma campanha para que médicos de todas as especialidades solicitem o exame aos pacientes com mais de 40 anos.

Até então, o teste para diagnóstico, que é gratuito e tem no SUS, era solicitado quando algum exame acusava alteração das enzimas do fígado. Mas o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Sergio Cimerman, alerta que em cerca de 30% dos casos isso não acontece. Para ele, o ideal seria incluir o teste anti-HCV no rol dos exames dos check-ups gerais, como o de colesterol. 

– É uma doença silenciosa, não poupa idade ou raça. Então temos que avançar no diagnóstico precoce. A gente tem que buscar esse paciente para evitar uma morte daqui 30 anos, já que os sintomas demoram a aparecer.

Tratamento tem 95% de cura com diagnóstico precoce

O foco da campanha é para pacientes acima de 40 anos, pois até 1993 não havia testes da doença e controle rígido dos bancos de sangue, então quem fez alguma transfusão antes disso tem possibilidade de estar contaminado com o vírus. Além disso, há alguns anos eram utilizadas seringas de vidro em hospitais, o que também ajudou na disseminação da doença. Doentes renais crônicos, pacientes com diabetes tipo 2, com HIV, usuários de drogas, quem tem tatuagem e piercing também são considerados grupos de risco, explica Edmundo Pessoa Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia. Ele acrescenta que a hepatite é a causa de 25% das mortes por câncer de fígado. 

– A maioria das pessoas se contamina e não sabe, menos de 20% têm a forma aguda, outros são doentes crônicos e vão descobrir a doença mais tarde.

O especialista diz que atualmente o tratamento, que é gratuito, tem 95% de taxa de cura, mas é fundamental que tenha um diagnóstico precoce:

– A médio prazo, o objetivo é erradicar a doença. Mas a gente precisa encontrar esses pacientes que têm a doença e não sabem. Aí, a gente trata, cura e elimina um foco de infecção.

Região Sul tem a maior concentração de casos

Enquanto no Brasil são registrados 13,3 casos de hepatite C a cada 100 mil habitantes, na região Sul essa taxa sobe para 26,6 – a mais alta entre as regiões. No Nordeste, por exemplo, são apenas 2,9 casos. Para Edmundo Pessoa Lopes, essa diferença é resultado do sistema de notificações, ainda pouco preciso em alguns locais:

– É relacionado à distorção do sistema de notificação, em alguns Estados esse sistema é mais eficaz. Mas tem muita falha, tem mais de uma notificação para o mesmo doente e a coisa não funciona como deveria funcionar. 

Dulce Castro Quevedo, gerente da Vigilância das DST/AIDS e Hepatites Virais da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC, diz que o Estado tem trabalhado para aumentar o diagnóstico precoce, através dos testes rápidos, o que aumenta o número de detecção das hepatites. 

Dados do Boletim Epidemiológico 2017 do Ministério da Saúde apontam que, do total de casos notificados entre 2000 e 2015, cerca de 52% desconheciam a possível causa de infecção, que geralmente se concentram no uso de drogas com compartilhamento de seringas contaminadas, transfusão de sangue e relações sexuais desprotegidas. Para Dulce, um dos principais desafios é informar a população sobre as formas de transmissão para então reduzir o número de casos.


Fonte infográficos: Boletim Epidemiológico 2017 do Ministério da Saúde.


* A repórter viajou a São Paulo para o lançamento da campanha a convite da companhia biofarmacêutica AbbVie

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