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Educação11/09/2017 | 07h00Atualizada em 11/09/2017 | 07h00

Prefeitura prevê desativar escola na Nova Rússia, em Blumenau

Custo alto por aluno motiva intenção de encerrar trabalho na Margarida Freygang

Prefeitura prevê desativar escola na Nova Rússia, em Blumenau Lucas Correia/Jornal de Santa Catarina
Foto: Lucas Correia / Jornal de Santa Catarina

Os dois filhos de Everton Rautenberg, de seis e oito anos, são a terceira geração da família a estudar na Escola Básica Municipal Margarida Freygang, na comunidade da Nova Rússia, no bairro Progresso, em Blumenau. Antes deles, o pai de Everton e ele próprio foram alfabetizados na mesma instituição, que em 2018 completa 80 anos. Completaria se estivesse viva. Isso porque no último dia 28 os pais dos alunos foram informados que a Secretaria de Educação pretende fechar a partir do ano que vem a unidade, que fica encravada entre o rio, o verde e as riquezas naturais da região.

A Secretaria de Educação informa que a escola tem hoje 16 alunos, sete no pré-escolar 2 e 3 e outros nove entre o 1º e 4º ano do ensino fundamental. A secretária Patrícia Lueders argumenta que dois motivos levaram à decisão de fechamento. Um deles seria o desejo de ampliar o currículo dos alunos. Hoje a instituição só funciona pela manhã e os alunos estudam em uma turma multisseriada. Na escola municipal Pedro II, onde os estudantes serão matriculados, poderão ter benefícios extras como biblioteca, sala multifuncional, fanfarra, atividades no contraturno e turmas de acordo com a série que frequentam.

O segundo motivo para a decisão de fechar a escola a partir de 2018 é econômico. Hoje nove servidores – sete do município e dois terceirizados – atuam na escola que tem 16 alunos. Patrícia garante que por causa dessa estrutura e do baixo número de alunos o custo mensal de um aluno na Margarida Freygang seria de R$ 3.316,45, enquanto nas unidades com mais alunos da cidade é cinco vezes menor, de R$ 658,79.

– O trabalho na escola hoje é de excelência, porém as crianças precisam ter acesso a um currículo ampliado – sustenta.

Acontece que os pais não ficaram muito contentes com a notícia do fechamento. O principal motivo é o trajeto de sete quilômetros que as crianças precisariam fazer. O município promete disponibilizar transporte gratuito, mas as estradas sinuosas da Nova Rússia e o risco de deslizamentos em dias de chuva deixam pais como Everton com medo. O fato de a decisão, segundo eles, não ter sido discutida com os pais também incomoda. Além disso, a história da escola, que foi construída em um terreno doado por um morador e conta com ajuda da população para manutenção, também torna a escola mais valiosa para a comunidade.

– Aqui eles têm sala de informática, horta, espaço para esportes, um bom ambiente e sem precisar percorrer de ônibus todo dia esse trecho que é muito perigoso, principalmente quando chove – defende o presidente da Associação de Pais e Professores (APP) da Margarida Freygang, Emerson Rautenberg, irmão de Everton e que também tem dois filhos na instituição.

A escola funciona em um imóvel antigo de madeira. A prefeitura diz que a decisão é definitiva, mas os pais ainda pretendem reverter a decisão. Para isso, tentam marcar uma reunião para o final de setembro e defendem uma reforma da escola, quer seria custeada com doações de entidades, e, depois disso, que a escola passe a oferecer também os anos finais do ensino fundamental, do 5º ao 8º ano. Assim, segundo Emerson, o número de alunos já chegaria perto de 40 considerando as crianças da localidade desta faixa etária, o que na visão dele poderia viabilizar a manutenção da escola.

Secretaria descarta novos fechamentos

Nas outras nove escolas em que ainda há turmas multisseriadas nada deve mudar no próximo ano. A razão é que cada unidade atende pelo menos 40 alunos, o que equilibraria melhor o custo por aluno. A Margarida Freygang é a única escola com fechamento previsto pela Secretaria de Educação. No início do ano, deslizamentos de terra durante uma chuva forte comprometeram os prédios da Escola do Campo Orestes Guimarães e o CEI Ricardo Manske, na Velha Grande. Nesses casos as unidades precisaram ser fechadas apesar de não estarem no planejamento da secretaria. Os alunos da escola foram transferidos para a Conselheiro Mafra e os da creche passaram a estudar no CEI Arão Rebello, ambos no Caic da Velha, a uma distância de três quilômetros.

Futuro do imóvel é incerto

Ainda não está decidido o que irá acontecer com o imóvel de madeira que abrigará os estudantes até dezembro, mas ao menos três secretarias já teriam demonstrado interesse. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Blumenau (Sintraseb), Sueli Adriano, lamenta o fechamento da escola, mas lembra que essa decisão já era ventilada em outras gestões e aponta que, no caso da Nova Rússia, alguns pais que têm filhos mais velhos estudando em escolas do Progresso já teriam matriculado os menores nessas mesmas instituições, o que deixou o número de alunos na Margarida Freygang bastante reduzido. No entanto, ela defende ao menos um aproveitamento do espaço para outros alunos.

– A gente lamenta, mas a comunidade muitas vezes não quis se movimentar. Caso seja fechada mesmo, aquele espaço poderia ser ao menos um polo de visita para garantir que as crianças convivam com essa natureza e com o interior do município – sugere.

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